DIAMANDIS, Peter H.; KOTLER, Steven. Abundância: o futuro é melhor do que você imagina. 1. ed. São Paulo: HSM Editora, c2012.
A combinação do grande interesse que eu tenho por temas como
Economia Baseada em Recursos e Singularidade foi o que culminou na minha enorme
curiosidade em ler o livro
Abundância – O futuro é melhor do que você imagina,
escrito por Peter Diamandis e Steven Kotler. Trata-se de um Bestseller no New
York Times que eu mesmo sugeri para a
Biblioteca da Unisc adquirir.
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| Steven Kotler e Peter Diamandis, autores do livro. |
Quando vi o livro pela primeira vez, fiquei bastante
interessado. Como o próprio título sugere, o tema principal da publicação é
“abundância”. Essa palavra é a que eu considero o termo chave quando falamos de
Economia Baseada em Recursos. Cheguei até a comentar isso pessoalmente com a
Roxanne Meadows, do
Venus Project. Ela concorda que “abundância” é a palavra
chave nessa discussão.
As pessoas que têm dificuldade de entender como funcionaria
uma EBR simplesmente não conseguem entender que o dinheiro ou qualquer outro
sistema deixaria de fazer sentido quando se tem todo e qualquer tipo de recurso
em abundância. Por quê cobrar por algo quando se têm de sobra e sem
racionamento?
Mas o livro não chega a entrar nesse tema, até porque a
pauta “”EBR” e as ideias do Jacque Fresco são desconhecidas dos autores.
Infelizmente, eles não chegam a admitir a possiblidade de vivermos num mundo
sem dinheiro. Contudo, o raciocínio é simples: sem escassez, eis abundância. Se
há abundância, não há necessidade de dinheiro. Com abundância e sem dinheiro,
eis uma EBR.
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| Num mundo de abundância do Venus Project, o dinheiro é desnecessário. |
Mas essa não é a melhor parte. O mais legal do livro são as
formas como os autores nos levam a acreditar, de verdade, na possibilidade de
vivermos um futuro melhor. Há diversos exemplos em várias áreas que me deixaram
bem mais otimista com relação ao futuro que eu espero viver. Claro que, para
isso, é preciso entendermos em que passo caminha a tecnologia e de que forma
ela contribui para a conquista da tão sonhada abundância.
Uma coisa é certa: gerar abundância tem sido o grande
desafio da humanidade desde sua existência. Fazer com que todas as pessoas do
mundo tenham acesso a qualquer tipo de recurso é algo que parece, num primeiro
momento, utópico e incabível, mas quanto mais leio e estudo sobre o assunto,
mais percebo que as alternativas estão a um palmo do nosso nariz. Que bom que o
livro colaborou ainda mais com o meu otimismo.
Porque eu vou te dar abundância
Uma breve definição do que significa abundância. Abundância
= mais recursos do que precisa. Abundância é o antônimo de escassez; Escassez =
menos recurso do que precisa.
Atualmente, existe abundância de alguns recursos em certas
partes do mundo e em determinadas classes sociais: ar limpo, água potável,
acesso à internet, entretenimento, cultura, conhecimento... Por outro lado, há
uma evidente escassez em outras esferas. Exemplo: internet móvel na África
Subsaariana.
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| Em 2015, espera-se que a África tenha apenas 5,6 não smartphones para cada smartphone. Em 2011, era 32 X 1. |
Mas o livro se encarrega de dizer como aderir à abundância
de todos recursos em todo lugar do mundo. Para isso, temos outra palavra chave
que é decisiva na produção de abundância: Tecnologia. E quando falamos em
tecnologia, estamos nos referindo a qualquer tipo de alternativa ou artifício
que o ser humano utiliza pra tornar um recurso escasso em abundante.
Exemplo usado no livro: tenho uma enorme árvore de laranjas.
Essa árvore dá muitas frutas e, enquanto eu tiver condições de colher as que
estão ao meu alcance, eu tenho laranjas em abundância (mais do que eu preciso).
Contudo, quando as laranjas que estiverem ao meu alcance acabar (porque, afinal
de contas, não são infinitas) eu vou me deparar com uma situação de escassez.
Eis que eu tenho a brilhante e inovadora ideia de usar uma escada de mão e,
através dela, subo mais alto na árvore e passo a ter acesso àquelas laranjas
que ficam numa altura maior. O que aconteceu? Eu transformei um recurso escasso
(as laranjas) em abundante. Tudo graças a uma tecnologia que eu desenvolvi: uma
escada de mão. Um exemplo simples que nos faz perceber como a tecnologia, da
mais simples à mais complexa, pode gerar abundância.
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| O exemplo da laranjeira ajuda a explicar como a tecnologia pode gerar abundância. |
Uma coisa que eu achei bacana nas primeiras páginas do livro
foi a forma como Diamandis passa uma chinelada nos insuportáveis pessimistas.
Aqueles mesmo que dizem que a gente já chegou no fundo do poço e que não há
mais meios de salvar a humanidade. São aquelas pessoas acostumadas a dizer que
“sempre foi assim” ou que “sempre vai ser assim”. Os autores utilizam
explicações científicas e neurológicas pra justificar o porquê de muitas
pessoas terem essa tendência a serem pessimistas.
Achei bem interessante o exemplo do alumínio, que em outros
tempos foi um recurso altamente escasso. Chegou a ser considerado o metal mais
raro do mundo. Napoleão III, certa vez, ofereceu um banquete ao rei do Sião, no
qual os convidados de honra recebiam talheres de alumínio. Já os demais (a
chinelagem) comia com reles talheres de ouro mesmo. Cafonérrimo!
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| O alumínio, quem diria, já valeu mais que o ouro. |
Eis que, entre 1825 e 1845, Hans Christian Oersted e
Frederick Wohler descobriram que, aquecendo
cloreto de alumínio anídrico com amálgama de potássio edepois eliminando
o mercúrio por destilação, é possível deixar um resíduo de alumínio puro. Em
1854, Henri Sainte-Claire Deville criou o primeiro processo comercial de
extração, o que reduziu o preço do alumínio em 90%. Depois veio ainda a
eletrólise, criação de Charles Martin Hall e Paul Hérolt. Eles utilizaram a
eletricidade para liberar o alumínio da bauxita e, subitamente, todos no
planeta passaram a ter acesso a quantidades absurdas de metal barato, leve a
maleável.
O alumínio era um recurso escasso que passou a ser tão
abundante que hoje você nem dá bola pra ele, certo? Pois o mesmo pode acontecer
com outros recursos. O caso mais interessante é o da água. Já existem alternativas
eficientes para transformar a abundante água do nosso planeta em um recurso
potável e acessível.
O inventor e empreendedor estadunidense
Dean Kamen desenvolveu
a tecnologia
Slingshot, que transforma água poluída, salgada ou até de esgoto
em água potável de alta qualidade por menos de 1 centavo por litro. Tudo em
prol da abundância e da acessibilidade dos recursos.
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| Dean Kamen quer acabar com a sede no mundo |
Outro exemplo são as plantações verticais de
DicksonDespommier, que tem por objetivo substituir a agricultura tradicional por um
sistema que usa 80% menos de área cultivada, 90% menos água, 100% menos
pesticidas e um custo zero de transporte.
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| Dickson Despommier e as fazendas verticais. |
A Singularidade está mais próxima
Ray Kurzweil tem uma importância destacada no livro, com o
direito a um capítulo só pra ele. Não é de se espantar: Kurzweil é co-fundador
da conceituadíssima Singularity University juntamente a... Peter Diamandis! Os
dois, além de sócios, são grandes amigos. Enquanto Diamandis exerce sua função
de reitor da Singularity University, Kurzweil atua como principal arauto da
Singularidade Tecnológica. Sua fama de acertar previsões no campo da
tecnologia, revolucionar diversas áreas da inteligência artificial e achar que
vai viver pra sempre o credencia, sob a perspectiva de muitos, como um louco.
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| Kurzweil e Diamandis fundaram a Singularity University em 2008. |
Pois Kurzweil foi quem abriu os olhos de muita gente ao
falar sobre a tal evolução exponencial, bastante sustentada pela Lei de Moore,
aquela mesma que defenda a ideia de que uma tecnologia dobra a cada 18 meses.
Lógico que, quando se dobra 0,0001 para 0,0002, depois 0,0004, depois 0,0008,
num gráfico, todos esses pontos parecem zero. Nessa taxa, a curva no gráfico do
crescimento exponencial permanece abaixo de 1 por um total de 13 duplicações. É
uma linha praticamente horizontal! Porém, depois que chegar em 1, bastam mais 7
duplicações para se chegar aos 100. É por isso que você tem aquela impressão de
que tudo parece evoluir cada vez mais e num ritmo sempre mais acelerado.
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| A curva exponencial de Ray Kurzweil. |
E, como não poderia ser diferente, Diamandis mergulha fundo
em temas como Genética, Nanotecnologia e Robótica. Impossível não lembrar da
Singularidade, né? Mas o livro não chega a viajar tanto assim. As projeções de
Diamandis são para as três próximas décadas. Sequer menciona o fato de podermos
ser imortais no futuro e nos tornarmos um híbrido entre seres humanos e máquinas.
Essas ideias parecem ser uma particularidade do próprio Kurzweil e estão num
plano menos realista e mais futurístico. Contudo, basta levar a sério a teoria da
evolução exponencial que veremos que a Singularidade é, definitivamente,
inevitável.
A Pirâmida de Diamandis
Peter Diamandis é co-fundador de um empreendimento sério e
consagrado, que poderá solucionar todos seus problemas financeiros. Um sistema referência no que diz respeito ao chamado marketing Multinível. Trata-se da
Dinastia.
Calma! Tô brincando. Não é dessa pirâmide que estou falando.
O termo “pirâmide” refere-se às necessidades do ser humano estabelecidas pelo
famoso esquema de
Maslow. Pois Diamandis apresente aos leitores sua própria
pirâmide, com base na hierarquia de necessidades que ele considera as
principais sob o aspecto da abundância.
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| A famosa pirâmide de Maslow. Essa não era charlatanismo. |
Consideram-se itens básicos da pirâmide termos como “comida”,
“água” e “abrigo”. Já no degrau do meio estão termos como “energia”, “educação”
e “TCI” (tecnologia, conhecimento e informação). No topo da pirâmide, temos os
itens “saúde” e “liberdade”. A maior parte do livro se encarrega de apresentar soluções
para gerar abundância para cada uma dessas necessidades.
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| A pirâmide da abundância. |
Diamandis defende abertamente os transgênicos e os alimentos geneticamente modificados. Ele diz que é bobagem argumentar que não se deve "alterar os padrões impostos pela natureza" porque isso é o que viemos fazendo desde que aprendemos a cultivar os alimentos, lá no período Neolítico. Como explica
Matt Ridley:
quase por definição, todas as plantas comestíveis são "geneticamente modificadas". Elas são mutantes monstruosos capazes de gerar sementes anormalmente grandes e de fácil debulha ou frutas pesadas e doces e dependentes da intervenção humana para sobreviver. As cenouras têm cor laranja graças apenas à seleção de um mutante descoberto talvez no final do século XVI, na Holanda. As bananas são estéreis e incapazes de gerar sementes. Então, sem preconceitos com transgênicos.
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| E você, é a favor ou contra os transgênicos? |
Teve um capítulo que eu particularmente achei bem
interessante que foi um no qual o autor fala sobre churrasco. Isso mesmo:
churrasco! Na verdade, ele dedica uma discussão à parte na questão sobre
alimentos pra falar sobre a necessidade de consumirmos proteína. Mesmo que
chegamos a uma solução pra gerar abundância de água, verduras, frutas e demais
substâncias que podem ser proporcionadas pelas plantações verticais, resta
outro problema sério: como evitar que tantos animais (gado, suínos, aves e
peixes) morram em nosso benefícios?
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| "Doutor, essa carne de laboratório é padrão Friboi?" RAMOS, Tony. |
As estatísticas chegam a ser assustadoras. Cerca de 40
bilhões de animais são mortos anualmente só nos Estados Unidos para fins de
alimentação. 40 bilhões!!! Existem alternativas que buscam acabar com (ou pelo
menos diminuir consideravelmente) esses números. A mais eficiente é a tal da “carne
in vitro”. Trata-se de uma carne artificial, produzida em laboratório e que
possui as mesmas propriedades alimentícias da carne que estamos acostumados a
comer.
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| Dói só de pensar, né? |
Se tem o mesmo gosto eu não sei, porque nunca provei, mas há
quem diga que a tal da carne de laboratório pode substituir perfeitamente a
carne “de verdade”. Acredito que, num futuro próximo ou não, a carne artificial
possa substituir à altura a carne animal e, com isso, acabar com essa matança
absurda de tantos bois, vacas, frangos, porcos e até cachorros (lembremos da
China).
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| Coisinha linda, né? Mas, na China, viraria refeição. |
Só tenho uma ressalva quanto a isso: eu sou gaúcho e moro
num lugar onde o cultivo da carne e a apreciação de um bom churrasco é muito
mais do que uma comida típica aqui da região. É um fator cultural. O churrasco
é, junto ao chimarrão, um dos símbolos do Rio Grande do Sul. Chega a ser quase
impossível de imaginar um domingo gaudério sem aquela costela assando na churrasqueira
e aquele cheirinho de churrasco se propagando pela fumaça (deu fome, né?). Não
consigo imaginar o guasca véio trocando o espero pela carne de laboratório, por
mais que eu defenda a ideia de trocarmos a carne animal pela carne artificial.
Mas como disse uma vez o meu colega Ceolin: talvez chegue o dia em que matar
animais pra comer sua carne seja algo proibido. Já pensou? Tomara!
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| Para o bom gaúcho, é quase impossível resistir a um belo churrasco. |
Diamandis fala das impressoras 3D com a empolgação que o
assunto merece. Ele também destaca as tecnologias Open Source e cita exemplos
consagrados como a Wikipedia e o Linux, os maiores representantes desse sistema
que defende códigos abertos, livres e colaborativos. Impossível não lembrar do brilhante Marcin Jakubowski do
Open Source Ecology.
Um nome que me chamou bastante atenção foi o de
CraigVenter, o bioquímico que, segundo Diamandis, é para a biologia o que Steve Jobs
foi para a computação: gênio com sucesso repetido. Ele é um dos pioneiros no
sequenciamento do genoma humano e na forma de vida artificial. Venter atualmente
desenvolve pesquisas acerca da criação de organismos biologicamente sintéticos
e publicação de descobertas genéticas no campo da oceanografia. Em maio de 2010,
ele anunciou o que foi rapidamente considerado o primeiro grande avanço
científico do milênio, ao sintetizar pela primeira vez vida artificial. Mais um
bom motivo pra acreditarmos nas proféticas palavras de Kurzweil.
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| Craig Venter e a criação da vida artificial. |
Há também o termo DIY (Do it yourself), a tecnologia do “faça
você mesmo”. Diamandis lembra que, de uns tempos pra cá e, principalmente com o
surgimento da internet, cada vez mais se viu “engenheiros de garagem” e gênios
improváveis surgirem da noite pro dia. Diariamente existem pessoas tendo
grandes ideias em qualquer lugar do mundo e, mais interessante ainda:
compartilhando essas ideias com outros gênios e fazendo a roda da tecnologia
girar numa velocidade cada vez maior. Se hoje já existem grandes gênios e
avanços se revelando num universo de 2 bilhões de internautas, imagina quando
tivermos 5 bilhões de pessoas conectadas em 2020?
Futuro brilhante!
Claro que, para gerarmos abundância e termos condições de aderir aos avanços proporcionados pela tecnologia, precisamos de energia. Muita energia! O livro dedica um capítulo exclusivo para as formas de energia que podemos vir a utilizar no futuro e, pra ir direto ao ponto, já adianta: a energia solar é o caminho. Claro que, para isso deixar de ser uma promessa e passar a ser uma alternativa eficiente, barata e abundante, é preciso descobrir formas eficientes de armazená-la e distribuí-la. Mas pode sossegar: estamos chegando lá!
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| Vamos depender cada vez mais da energia solar. |
Mas os autores não descartam completamente as energias convencionais que usamos nos dias de hoje. Eles acham que as mesmas podem ser usadas como "plano B" ou energia reserva, no caso de um eventual "blackout". Energia eólica, nuclear e fóssil seriam como um gerador, usado em situações emergenciais.
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| Follow the sun! Catch the sun! |
Infelizmente, desde a descoberta do fogo pouco se evoluiu em termos de aproveitamento de energia para algumas pessoas. Mas isso nos permite chegar a um certo raciocínio: antes da invenção da roda, coisas como carros, motos, caminhões, rodovias,
Fórmula 1, leis de trânsito e bicicletas eram impossíveis de se imaginar. Mas, quando uma nova tecnologia surge, ela abre a possibilidade para nossa mente desenvolver uma infinidade de outras coisas, decorrentes dessa nova tecnologia.
We don´t need no education!
Ao falar sobre educação, Diamandis apresenta o já famoso e consagrado
caso de
Salman Khan, fundador da
Khan Academy. Há um capítulo bem interessante
chamado “Outro tijolo no muro”, uma clara referência a uma das mais clássicas
músicas do Pink Floyd.
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| Another Brick In The Wall, uma das músicas mais cabeças de todos os tempos. |
Esse nosso ensino ultrapassado e decepcionante também é alvo
da fúria de Diamandis. Ele apresenta uma solução bem curiosa pra esse câncer
social: os games. De fato, os games têm muito a nos ensinar. Provavelmente mais
até do que as torturantes salas de aula (bom, isso não é difícil). Repare que a
didática do game é semelhante à do aprendizado: você se depara com uma situação
desconhecida e para, passar por ela, precisa desenvolver uma forma ou uma
habilidade para superá-la. Ao aperfeiçoar suas técnicas e superar esse desafio,
você avança para um próximo nível que, normalmente, exige uma capacidade ainda
maior e apresenta um nível de dificuldade mais elevado. Dessa forma, você acaba
perdendo várias vezes até amadurecer e conseguir passar de fase outra vez, subir de
nível e otimizar seu desempenho.
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| Salman Khan, fundador da Khan Academy. |
A principal diferença dos games e do ensino é que os games
são divertidos e o ensino nas escolas é insuportavelmente chato. Por isso,
Diamandis acredita que a melhor solução para melhorarmos o ensino não é somente
torna-lo divertido (como diria Nelson Machado) e sim viciante! Gostei de ler
isso e, ao refletir, concordei: tornar o ensino algo "viciante" é ainda melhor do
que torna-lo divertido. Imagina ver crianças viciadas em matemática, geografia,
história, química, física...? Com esse nosso sistema de ensino é impossível, eu
sei, mas se for como nos games, moleza. Games são divertidos e viciantes. Então,
por que não juntar o útil ao agradável?
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| O que é mais legal, jogar video game ou aprender aritmética? |
Nas últimas páginas do livro, Diamandis fala na importância
de haverem sempre “loucos” por trás de grandes ideias inovadoras que contribuíram
com a humanidade. Aquela velha história: "Os loucos abrem os caminhos que
mais tarde serão percorridos pelos sábios" (frase de Carlo Dossi). Existem, segundo
Arthur C. Clarke, três passos que você vai dar ao ter uma grande ideia:
“No
princípio, as pessoas dizem que é uma ideia louca e que nunca funcionará.
Depois, as pessoas dizem que sua ideia pode funcionar, mas não vale a pena
tentar. Finalmente, as pessoas dizem: Eu falei o tempo todo que era uma ótima
ideia”!
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| É preciso ser louco pra pensar diferente. |
Pensar diferente (Diamandis cita como exemplo a famosa
campanha da Aplle, de 1997) é fundamental. Não podemos ser fantoches incapazes
agir criativamente e se acomodar num emprego rotineiro. Essas pessoas que fazem
tarefas repetitivas e que dispensam o intelecto serão, cedo ou tarde, substituídas
pelas máquinas. Essa é uma ideia fortemente compartilhada pelos entusiastas da
Economia Baseada em Recursos e da Singularidade. Não adianta, galera: a
automação está aí e ainda vai varrer muito trabalhador pra turma da obsolescência.
Perigos dos exponenciais
Claro que o livro não é 100% otimista. Há, inclusive, um
apêndice dedicado exclusivamente aos perigos da evolução exponencial e ameaças
que podemos encontrar nas próximas décadas. Impossível deixar de lembrar dos
filmes de Hollywood que já se encarregaram de nos alertar sobre os perigos da
tecnologia. Diamandis cita o Exterminador do Futuro, Eu Robô, Matrix e Jurassic
Park.
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| O futuro distópico de Exterminador do Futuro. |
Questões como o bioterrorismo, crimes cibernéticos e
desemprego em larga escala são analisadas pelo autor, que reconhece o risco de
chegarmos a esse cenário catastrófico. Mas como diria o Homem Aranha: “Grandes
poderes exigem grandes responsabilidades.” A tecnologia traz muitos benefícios
mas, na carona, surgem grandes ameaças. Uma faca pode servir para cortar um
alimento, mas também serve pra esfaquear alguém; um martelo pode ajudar a
construir uma casa, mas pode matar uma pessoa; um carro serve pra locomover as
pessoas, mas também pode ser uma arma terrível; um telefone serve pras pessoas
se comunicarem, mas também pode ser usado por aqueles que passam trote pros
bombeiros... A tecnologia é a palavra chave quando falamos de abundância. E
abundância é a palavra chave quando falamos de Economia Baseada em Recursos.
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| Sábias palavras do Homem Aranha. |
O livro tem 50 páginas só de gráficos, tabelas e
estatísticas que provam por A + B as razões para acreditarmos nas palavras de
Diamandis e Kotler. E eu sou daqueles que concorda que “contra fatos não há
argumentos”.
Valeu a pena ler “Abundância”! O livro serve como uma preciosa
base de consulta, pois é carregado de muita informação. A ideia de termos
acesso livre a todos os recursos me empolga porque combina bastante com a linha
de pensamento do Jacque Fresco. O fato dessa ideia ser encorajada e empurrada
pela Singularity University, por sua vez, me torna mais empolgado ainda, pois
carrega a chancela de ninguém menos do que Ray Kurzweil. Um livro pra colocar
qualquer pessimista chato no seu devido lugar. Quem ler vai entender que o futuro
pode, sim, ser bem melhor do que a gente imagina.
Palavras-chave: abundância; escassez; tecnologia; futuro; recursos.
REFERÊNCIAS:
KURZWEIL, Ray. The Singularity Is Near . New York: Viking, 2005.
Abundância: Entenda porque ela poderá governar este século
Site da Khan Academy:
https://pt.khanacademy.org
A desconstrução da escola: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/03/desconstrucao-da-escola.html
SUMÁRIO DO LIVRO:
PARTE UM: PERSPECTIVA
Capítulo 1 - Nosso maior desafio
Capítulo 2 - Construindo a pirâmide
Capítulo 3 - Vendo a floresta através das árvores
Capítulo 4 - A coisa não está tão terrível como você imagina
PARTE DOIS: TECNOLOGIAS EXPONENCIAIS
Capítulo 5 - Ray Kurzweil e o botão de acelerar
Capítulo 6 - A Singularidade está mais próxima
PARTE TRÊS: CONSTRUINDO A BASE DA PIRÂMIDE
Capítulo 7 - As ferramentas da cooperação
Capítulo 8 - Água
Capítulo 9 - Alimentando 9 bilhões
PARTE QUATRO: AS FORÇAS DA ABUNDÂNCIA
Capítulo 10 - O inovador do Faça-Você-Mesmo
Capítulo 11 - Os tecnofilantropos
Capítulo 12 - O bilhão ascendente
PARTE CINCO: PICO DA PIRÂMIDE
Capítulo 13 - Energia
Capítulo 14 - Educação
Capítulo 15 - Assistência médica
Capítulo 16 - Liberdade
PARTE SEIS: ACELERANDO AINDA MAIS
Capítulo 17 - Promovendo inovações e mudanças revolucionárias
Capítulo 18 - Risco e fracasso
Capítulo 19 - Que caminho seguir agora?
Posfácio - Próximo passo: Aderir ao eixo da abundância
Apêndice: Perigos dos exponenciais