sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

COSMOS!! We can be strong IT'S ALRIGHT


Assisti, nesse mês de dezembro, à série de documentário "Cosmos - A Spacetime Odyssey" (uma odisseia no espaço-tempo). Trata-se da versão "moderna" da famosa série que eternizou o gênio Carl Sagan, em 1980. O apresentador, dessa vez, é o físico Neil deGrasse Tyson. Foi, certamente, a melhor série de documentário que eu já assisti até hoje.

Em apenas 13 episódios (todos com uma média de 45 minutos de duração), Tyson explica como ocorreu o Big Bang, o surgimento das estrelas, as supernovas, a criação do Planeta Terra, a evolução das espécies terrestres, as inúmeras transformações que nosso planeta sofreu até ser o que é hoje... Tudo muito interessante e fascinante.

Neil deGrasse Tyson, o "novo Carl Sagan".

Fiz um resumo de cada um dos 13 episódios que acompanhei da série. Segue abaixo o "guia de episódios":

01 - "Standing Up in the Milky Way"
Faz uma comparação do tempo de existência do universo (13,8 bilhões de anos) com o de um ano terrestre (365 dias), nas suas devidas proporções. O tal do "ano cósmico", como Tyson se refere, mostra-se tão curioso quanto revelador.

02 - "Some of the Things That Molecules Do"
Dedica-se basicamente em falar sobre a evolução das espécies, desde o exemplo de cães domésticos à teoria da seleção natural baseada na sobrevivência. Fala também sobre as extinções que já devastaram as antigas espécies dominantes do planeta.

03 - "When Knowledge Conquered Fear"
Fala sobre a amizade de Newton e Halley (e a inimizade de Newton com Hooke) e como as pesquisas de ambos nos permitiram compreender o nosso universo e as galáxias.

04 - "A Sky Full of Ghosts"
Trata de analisar as estrelas e a velocidade da luz, que faz com que as mesmas sejam vistas na Terra somente anos (ou até milênios) depois de extinguirem-se. Joga um paradigma no final: se um dia tivermos total controle sobre a luz, poderíamos ver tudo o que já aconteceu na Terra? Uma questão que envolve a tal da "viagem no tempo observável".

05 - "Hiding in the Light"
O assunto da vez é cores. Usa explicações bem claras pra dizer que o que vimos é,  na verdadade, o reflexo da luz solar em alguns objetos. A forma como enxergamos a luz (seja natural ou artificial), pode mudar completamente a forma como enxergamos o universo.

06 - "Deeper, Deeper, Deeper Still"
A química é o assunto da vez por aqui. Num apanhado geral, Tyson fala desde o núcleo atômico até o tamanho do universo observável. Explicações sobre elétrons, neutrinos e elementos químicos nos ajudam a entender como surgiu tudo aquilo que conhecemos hoje.

07 - "The Clean Room"
Aqui temos a história de Clair Patterson,  o homem que mediu a idade da Terra (4,5 bilhões de anos) e lutou bravamente contra a proliferação do chumbo na saúde pública, uma das maiores contribuições para o bem estar da população. Trata-se de um clássico episódio do embate ciência do bem X interesses corporativos,  que são as pesquisas científicas forjadas e manipuladas em prol de interesses de empresas. Felizmente, a vitória de Patterson teve um final feliz.

08 - "Sisters of the Sun"
Episódio dedicado à "flora estelar" e sobre como três mulheres "anônimas" descobriram sua relevância no cosmos. Aqui temos diversas explicações sobre o nascimento e o falecimento das estrelas (incluindo o Sol), bem como as supernovas.

09 - "The Lost Worlds of Planet Earth"
A extinção das espécies é o tema central desse episódio.  Tyson explica que a Terra já foi habitada por insetos gigantes e conta como nós,  mamíferos,  nos tornamos os "donos do mundo" graças ao fim dos dinossauros. É também feito um alerta sobre os perigos de nós, seres humanos, entrarmos pra lista de espécies extintas.

10 - "The Electric Boy"
A vida e o legado de Michael Faraday têm seu lugar nesse episódio. Graças a esse importante cientista, o mundo conheceu a eletricidade, que hoje dita as regras em várias indústrias, inclusive o meio audiovisual.

11 - "The Immortals"
Ao tocar no assunto "imortalidade", Tyson fala sobre a importância de deixar um legado para futuras gerações, afinal, repassar ensinamentos também pode ser uma forma de "continuar vivendo" (eu particularmente não me conformo com esse consolo). Aqui temos um exercício de imaginação e uma previsão do que seria um futuro, no qual uma espécie já evoluida do homo sapiens teria a missão de fazer com que a humanidade perpetuasse independente da existência da Terra ou do Sol.

12 - "The World Set Free"
Um episódio que serve de alerta sobre os perigos do efeito estufa e a chance de nós, seres humanos, sermos responsáveis pela extinção do nosso próprio planeta. Tyson faz uma comparação com o infeliz destino que teve o planeta Vênus, aniquilado há bilhões de anos. O Sol e sua capacidade de produzir energia aparece como a nossa grande salvação. Mas, infelizmente, problemas como a ganância do ser humano e as guerras fizeram com que a energia solar engatinhasse feito uma lesma até os dias de hoje.

13 - "Unafraid of the Dark"
O último episódio fala sobre a missão que temos de deixar uma mensagem para as futuras gerações e a importância de mantermos um legado que possa chegar a habitantes de outros planetas ou galáxias. No final, temos um discurso emocionante de Carl Sagan sobre o "pálido ponto azul". Tyson também deixa seu recado final explicando as cinco regras fundamentais da ciência, o que fecha a série com chave de ouro.

A série foi exibida na Fox e no Nat Geo.

E aqui vai um link com todos episódios disponíveis pra você assistir online (todos dublados e legendados):

http://www.seriesvideobb.com/2014/05/assistir-cosmos-a-spacetime-odyssey-1-temporada-online.html

Se você curte astronomia e é um entusiasta da ciência, como eu, ASSISTA!!!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O que Larry Page, um bambino italiano e o Projeto Vênus têm em comum?



Recentemente, o presidente e fundador do Google, Larry Page, chamou atenção ao alertar sobre algo que muitos já previam: os robôs irão substituir os seres humanos naquilo que conhecemos por trabalho. É a automação prestes a conquistar, definitivamente, o estágio que esperávamos.
Em um primeiro momento, a informação de que qualquer tipo de trabalho (inclusive o seu) possa ser substituído por algum robô gera uma tremenda histeria. Mais até do que descrença. “Como assim um robô tomar o meu trabalho? Eu vou ficar desempregado? Quem vai pagar meu salário? O que as pessoas vão fazer da vida se não tiverem que trabalhar? Quem vai custear minha aposentadoria?” Essas são as reações imediatas mais comuns a esse tipo de perspectiva. Contudo, tenha calma! “Robôs vão tomar seu trabalho, mas tudo bem”. Pelo menos esse é o título de um livro escrito pelo italiano Federico Pistono (Robots Will Steal Your Job, But That's OK: How to Survive the Economic Collapse and Be Happy).

O livro de Federico Pistono que deixou Larry Page locão!
 
Federico é um jovem cientista de apenas 29 anos que, admiravelmente, chegou a chamar a atenção de Larry Page com seu “polêmico” livro. Não é de hoje que o presidente do Google começou a ficar pirar o cabeção e a entrar nessa noia de querer mudar o mundo. A própria invenção do Google, convenhamos, mudou pra sempre a maneira de utilizar a internet e, por tabela, revolucionou a tecnologia da informação. Mas os próprios fundadores do Google afirmam que isso ainda não é o bastante.

Federico foi recentemente citado por Larry Page.
Sem querer parecer repetitivo, eu já falei anteriormente sobre a intenção do Google de resolver grandes paradigmas da espécie humana, como a própria morte. Nomes como Ray Kurzweil estão à frente de projetos cuja finalidade seria mera utopia se não fosse chancelado por uma empresa tão poderosa quanto o Google. Há também um investimento pesado do Google em cima de pesquisas na área da biotecnologia e da inteligência artificial, além do “misterioso” Google X. Isso só me leva a crer numa coisa: Larry Page está realmente a fim de mudar o mundo, nem que seja pra colocar seu nome nos livros de história. O Google e sua filosofia “Don´t be evil” (não seja mau) almeja escrever um novo capítulo na história da humanidade, utilizando a tecnologia como maior aliada.
Mas o que mais me chamou atenção não foi esse engajamento do Larry Page e sua vontade de mudar o mundo. Disso eu já sabia. O curioso é saber que o discurso do presidente do Google está bem alinhado com as ideias desse rapaz chamado Federico Pistono. Pra quem não sabe (eu não sabia, fiquei sabendo graças ao meu amigo Leandro Zayd), Federico é um importante membro do Movimento Zeitgesit e, pasmem, defensor do Projeto Venus. Pelo menos é o que ele dá a entender em alguns dos vídeos que publicou na web (se bem que, depois que o TVP e o Movimento Zeitgesist romperam relações, nunca mais vi o Federico propagar as ideias do Fresco).

Jacque Fresco e Federico em 2010.

Mais: Federico tem passagem pela badaladíssima Singularity University e, por essas bandas, acabou se tornando grande amigo de Peter Diamandis, reitor da SU e autor do best seller Abundance – The future is better than you think (Abubdância – O futuro é melhor do que você imagina). O próprio Peter chega a citar Federico e o livro “Robots will steal your job” em uma conferência.


Peter Diamandis e Federico.

Se repararmos no discurso de Diamandis e de Larry Page, podemos perceber que ambos concordam com muitas das ideias levantadas por Jacque Fresco naquilo que o bom velhinho (não me refiro ao Papai Noel) projeta como a transição para uma Economia Baseada em Recursos. Os principais pontos em comum são a automação do trabalho e a “conquista da abundância”. O próprio Diamandis admite que, quando a automação do trabalho chegar num ponto mais elevado, é bem provável que o mundo esteja vivendo num sistema mais parecido com o socialismo do que com o capitalismo.

Larry Page está à frente de uma das maiores empresas do mundo.

Já Larry Page bate forte na projeção de que o trabalho do ser humano será substituído pelo das máquinas. E isso pode estar longe de ser um problema, como diria Federico. Se estivermos num mundo repleto de abundância e não precisarmos nos preocupar com o dinheiro (pois os recursos estarão inteiramente disponíveis), pra quê trabalhar? Pra quê fazer um serviço chato, humilhante ou insalubre? Pra quê dedicar oito horas do seu dia fazendo algo que não lhe dá prazer? Deixa os robôs darem conta dessa chatice toda! Eles não cobram salário, não tiram férias, não fofocam e não reclamam.
Nem vou me dar o trabalho de discutir meritocracia ou teorias “ultra direitistas” de séculos passados. São conceitos engessados, incompatíveis com o mundo e com a tecnologia de hoje. Num mundo ideal, as pessoas teriam tempo e autonomia suficiente pra se dedicarem ao que gostam de fazer, ao que lhes atiça a curiosidade, ao que consideram justo e ao que acreditam. Isso sim é ser digno, e não se prostituir em prol dum sistema falido só pra garantir o mínimo necessário pra sobreviver.
Repare que isso tem tudo a ver com a linha de pensamento do Venus Project! Um mundo de abundância, no qual os robôs trabalham pra gente. Um mundo no qual temos tempo, recursos e condições de fazermos o que gostamos. Não é só um sonho do Jacque Fresco, parece ser do Larry Page e do Diamandis também! 

Larry Page, Arianna Huffington, Peter Diamandis e Bill Clinton.
 
Só tem uma coisa que me deixa grilado com isso tudo: como é que pessoas como Larry Page e Peter Diamandis não conhecem o Venus Project? Como é que eles nunca pegaram um jatinho e foram até a Flórida conhecer o velho Fresco? Como duas filosofias tão alinhadas nunca se cruzaram? Será que o Federico Pistono, numa de suas muitas conversas informais com Diamandis, nunca mencionou o Venus Project?
Já pensou se o Larry Page e sua vontade de mudar o mundo fossem contaminados pelo projeto ousado e futurístico do Jacque Fresco? Tenho certeza que o Google e seu poder imperial teriam condições de nos conduzir numa velocidade cada vez maior rumo a uma EBR, sem a necessidade de um arriscado colapso social.

Jacque Fresco e o Projeto Vênus: a solução para os piores problemas do mundo.
 
Infelizmente, não há nenhum indicativo de que o Larry Page (e nem mesmo o Peter Diamandis) já tenham ouvido falar do Venus Project. É bem provável que nem saibam do que se trata. E se tem alguém, hoje, capaz de bancar o “cupido” e aproximar as duas coisas, esse é Federico Pistono. Ele já jogou uma pulga na orelha do Larry Page e já virou bruxão do Diamandis. Tá com a faca e o queijo na mão!
É incrível perceber que um moleque tão jovem, que atira pedra com a mão esquerda, tenha tanta influência assim! Isso me deixa ainda mais otimista com relação ao futuro e com a premissa de que “o amanhã será sempre melhor do que hoje”. Além disso, Federico também é fã de animes (que informação mais irrelevante!).
Se nosso amigo “bambino” conseguir construir essa ponte entre Google e Venus Project, podemos estar diante de uma das transformações mais impactantes da história da civilização humana, pois estaremos dando um importante passo rumo à tão sonhada transição capitalismo / EBR.



"Falando no Larry Page, ele nem precisaria defender a EBR, as próprias entrevistas dele dão a entender que o capitalismo está indo pro seu fim e abre espaço a uma nova lógica não-monetária implícita nas relações. O cara tá mandando muito bem mesmo nas entrevistas que tenho acompanhado. A mentalidade de tirar o dinheiro das nossas vidas e passar o trabalho chato pras máquinas está sempre presente nos discursos. O resto que falta pro PV seriam apenas detalhes adicionais de organização tecnológica e espírito coletivo de colaboração que surgiriam naturalmente em uma sociedade nesse estágio de abundância que ele aponta e quer construir pro futuro."
ZAYD, Leandro

Conhecendo o Venus Project ou não, Larry Page já compartilha de muitas dessas ideias. A semelhança que mais me chama a atenção é o tal de Google Y, um projeto do Google que visa construir cidades e aeroportos. Já pensou que legal seria se fosse o modelo de cidades sustentáveis, automatizadas e com tecnologia de ponta como as do Fresco?

Felizmente, embora que em ritmo lento, a possibilidade de um mundo mais parecido com o do Projeto Vênus está ganhando cara. A automação está aí, os robôs estão tomando conta dos nossos empregos, tecnologias cada vez mais impressionantes se encarregam de proporcionar abundância... Basta estar informado pra perceber que esse mundo está cada vez menos utópico e mais realista. E dessa vez não sou eu quem está apontando isso. E nem o Jacque Fresco! Estou falando do presidente e fundador do Google.


REFERÊNCIAS:

How a nerdy kid from nowhere self-published a best-seller and got noticed by Google CEO Larry Page and The Wall Street Journal: http://www.federicopistono.org/blog/how-a-nerdy-kid-from-nowhere-self-published-a-best-seller-and-got-noticed-by-google-ceo-larry
Google vs. Death (matéria publicada na revista Time, em setembro de 2013): http://time.com/574/google-vs-death
Why I advocate The Zeitgeist Movement, response to common criticisms - Federico Pistono, Italy: www.youtu.be/jV5fAitKeL8
One step at the time: www.youtube.com/watch?v=_Rtkggj13FY
RESENHA: Abundância – O futuro é melhor do que você imagina: http://energiaespacial.blogspot.com.br/2014/05/resenha-abundancia-o-futuro-e-melhor-do.html
Peter Diamandis talks about "Robots Will Steal Your Job, But That's OK": www.youtube.com/watch?v=sXdA1lP7DKY
Federico Pistono, fã de animes: http://www.federicopistono.org/category/cinema/anime
Larry Page wants a Google 2.0 that will build cities and airports, report says: http://www.theverge.com/2014/9/18/6375233/larry-page-wants-a-google-2-0-that-will-build-cities-and-airports
Leandro Zayd no Diaspora: https://despora.de/people/83e19de22ddae274

quinta-feira, 22 de maio de 2014

RESENHA: Abundância – O futuro é melhor do que você imagina


DIAMANDIS, Peter H.; KOTLER, Steven. Abundância: o futuro é melhor do que você imagina. 1. ed. São Paulo: HSM Editora, c2012. 

A combinação do grande interesse que eu tenho por temas como Economia Baseada em Recursos e Singularidade foi o que culminou na minha enorme curiosidade em ler o livro Abundância – O futuro é melhor do que você imagina, escrito por Peter Diamandis e Steven Kotler. Trata-se de um Bestseller no New York Times que eu mesmo sugeri para a Biblioteca da Unisc adquirir.

Steven Kotler e Peter Diamandis, autores do livro.
Quando vi o livro pela primeira vez, fiquei bastante interessado. Como o próprio título sugere, o tema principal da publicação é “abundância”. Essa palavra é a que eu considero o termo chave quando falamos de Economia Baseada em Recursos. Cheguei até a comentar isso pessoalmente com a Roxanne Meadows, do Venus Project. Ela concorda que “abundância” é a palavra chave nessa discussão.
As pessoas que têm dificuldade de entender como funcionaria uma EBR simplesmente não conseguem entender que o dinheiro ou qualquer outro sistema deixaria de fazer sentido quando se tem todo e qualquer tipo de recurso em abundância. Por quê cobrar por algo quando se têm de sobra e sem racionamento?
Mas o livro não chega a entrar nesse tema, até porque a pauta “”EBR” e as ideias do Jacque Fresco são desconhecidas dos autores. Infelizmente, eles não chegam a admitir a possiblidade de vivermos num mundo sem dinheiro. Contudo, o raciocínio é simples: sem escassez, eis abundância. Se há abundância, não há necessidade de dinheiro. Com abundância e sem dinheiro, eis uma EBR.

Num mundo de abundância do Venus Project, o dinheiro é desnecessário.

Mas essa não é a melhor parte. O mais legal do livro são as formas como os autores nos levam a acreditar, de verdade, na possibilidade de vivermos um futuro melhor. Há diversos exemplos em várias áreas que me deixaram bem mais otimista com relação ao futuro que eu espero viver. Claro que, para isso, é preciso entendermos em que passo caminha a tecnologia e de que forma ela contribui para a conquista da tão sonhada abundância.
Uma coisa é certa: gerar abundância tem sido o grande desafio da humanidade desde sua existência. Fazer com que todas as pessoas do mundo tenham acesso a qualquer tipo de recurso é algo que parece, num primeiro momento, utópico e incabível, mas quanto mais leio e estudo sobre o assunto, mais percebo que as alternativas estão a um palmo do nosso nariz. Que bom que o livro colaborou ainda mais com o meu otimismo.

Porque eu vou te dar abundância

Uma breve definição do que significa abundância. Abundância = mais recursos do que precisa. Abundância é o antônimo de escassez; Escassez = menos recurso do que precisa.
Atualmente, existe abundância de alguns recursos em certas partes do mundo e em determinadas classes sociais: ar limpo, água potável, acesso à internet, entretenimento, cultura, conhecimento... Por outro lado, há uma evidente escassez em outras esferas. Exemplo: internet móvel na África Subsaariana.

Em 2015, espera-se que a África tenha apenas 5,6 não smartphones para cada smartphone. Em 2011, era 32 X 1.

Mas o livro se encarrega de dizer como aderir à abundância de todos recursos em todo lugar do mundo. Para isso, temos outra palavra chave que é decisiva na produção de abundância: Tecnologia. E quando falamos em tecnologia, estamos nos referindo a qualquer tipo de alternativa ou artifício que o ser humano utiliza pra tornar um recurso escasso em abundante.
Exemplo usado no livro: tenho uma enorme árvore de laranjas. Essa árvore dá muitas frutas e, enquanto eu tiver condições de colher as que estão ao meu alcance, eu tenho laranjas em abundância (mais do que eu preciso). Contudo, quando as laranjas que estiverem ao meu alcance acabar (porque, afinal de contas, não são infinitas) eu vou me deparar com uma situação de escassez. Eis que eu tenho a brilhante e inovadora ideia de usar uma escada de mão e, através dela, subo mais alto na árvore e passo a ter acesso àquelas laranjas que ficam numa altura maior. O que aconteceu? Eu transformei um recurso escasso (as laranjas) em abundante. Tudo graças a uma tecnologia que eu desenvolvi: uma escada de mão. Um exemplo simples que nos faz perceber como a tecnologia, da mais simples à mais complexa, pode gerar abundância.

O exemplo da laranjeira ajuda a explicar como a tecnologia pode gerar abundância.

Uma coisa que eu achei bacana nas primeiras páginas do livro foi a forma como Diamandis passa uma chinelada nos insuportáveis pessimistas. Aqueles mesmo que dizem que a gente já chegou no fundo do poço e que não há mais meios de salvar a humanidade. São aquelas pessoas acostumadas a dizer que “sempre foi assim” ou que “sempre vai ser assim”. Os autores utilizam explicações científicas e neurológicas pra justificar o porquê de muitas pessoas terem essa tendência a serem pessimistas.
Achei bem interessante o exemplo do alumínio, que em outros tempos foi um recurso altamente escasso. Chegou a ser considerado o metal mais raro do mundo. Napoleão III, certa vez, ofereceu um banquete ao rei do Sião, no qual os convidados de honra recebiam talheres de alumínio. Já os demais (a chinelagem) comia com reles talheres de ouro mesmo. Cafonérrimo!

O alumínio, quem diria, já valeu mais que o ouro.

Eis que, entre 1825 e 1845, Hans Christian Oersted e Frederick Wohler descobriram que, aquecendo  cloreto de alumínio anídrico com amálgama de potássio edepois eliminando o mercúrio por destilação, é possível deixar um resíduo de alumínio puro. Em 1854, Henri Sainte-Claire Deville criou o primeiro processo comercial de extração, o que reduziu o preço do alumínio em 90%. Depois veio ainda a eletrólise, criação de Charles Martin Hall e Paul Hérolt. Eles utilizaram a eletricidade para liberar o alumínio da bauxita e, subitamente, todos no planeta passaram a ter acesso a quantidades absurdas de metal barato, leve a maleável.
O alumínio era um recurso escasso que passou a ser tão abundante que hoje você nem dá bola pra ele, certo? Pois o mesmo pode acontecer com outros recursos. O caso mais interessante é o da água. Já existem alternativas eficientes para transformar a abundante água do nosso planeta em um recurso potável e acessível.
O inventor e empreendedor estadunidense Dean Kamen desenvolveu a tecnologia Slingshot, que transforma água poluída, salgada ou até de esgoto em água potável de alta qualidade por menos de 1 centavo por litro. Tudo em prol da abundância e da acessibilidade dos recursos.

Dean Kamen quer acabar com a sede no mundo
Outro exemplo são as plantações verticais de DicksonDespommier, que tem por objetivo substituir a agricultura tradicional por um sistema que usa 80% menos de área cultivada, 90% menos água, 100% menos pesticidas e um custo zero de transporte.

Dickson Despommier e as fazendas verticais.


A Singularidade está mais próxima

Ray Kurzweil tem uma importância destacada no livro, com o direito a um capítulo só pra ele. Não é de se espantar: Kurzweil é co-fundador da conceituadíssima Singularity University juntamente a... Peter Diamandis! Os dois, além de sócios, são grandes amigos. Enquanto Diamandis exerce sua função de reitor da Singularity University, Kurzweil atua como principal arauto da Singularidade Tecnológica. Sua fama de acertar previsões no campo da tecnologia, revolucionar diversas áreas da inteligência artificial e achar que vai viver pra sempre o credencia, sob a perspectiva de muitos, como um louco.

Kurzweil e Diamandis fundaram a Singularity University em 2008.

Pois Kurzweil foi quem abriu os olhos de muita gente ao falar sobre a tal evolução exponencial, bastante sustentada pela Lei de Moore, aquela mesma que defenda a ideia de que uma tecnologia dobra a cada 18 meses. Lógico que, quando se dobra 0,0001 para 0,0002, depois 0,0004, depois 0,0008, num gráfico, todos esses pontos parecem zero. Nessa taxa, a curva no gráfico do crescimento exponencial permanece abaixo de 1 por um total de 13 duplicações. É uma linha praticamente horizontal! Porém, depois que chegar em 1, bastam mais 7 duplicações para se chegar aos 100. É por isso que você tem aquela impressão de que tudo parece evoluir cada vez mais e num ritmo sempre mais acelerado.

A curva exponencial de Ray Kurzweil.

E, como não poderia ser diferente, Diamandis mergulha fundo em temas como Genética, Nanotecnologia e Robótica. Impossível não lembrar da Singularidade, né? Mas o livro não chega a viajar tanto assim. As projeções de Diamandis são para as três próximas décadas. Sequer menciona o fato de podermos ser imortais no futuro e nos tornarmos um híbrido entre seres humanos e máquinas. Essas ideias parecem ser uma particularidade do próprio Kurzweil e estão num plano menos realista e mais futurístico. Contudo, basta levar a sério a teoria da evolução exponencial que veremos que a Singularidade é, definitivamente, inevitável.


A Pirâmida de Diamandis

Peter Diamandis é co-fundador de um empreendimento sério e consagrado, que poderá solucionar todos seus problemas financeiros. Um sistema referência no que diz respeito ao chamado marketing Multinível. Trata-se da Dinastia.

Calma! Tô brincando. Não é dessa pirâmide que estou falando. O termo “pirâmide” refere-se às necessidades do ser humano estabelecidas pelo famoso esquema de Maslow. Pois Diamandis apresente aos leitores sua própria pirâmide, com base na hierarquia de necessidades que ele considera as principais sob o aspecto da abundância.

A famosa pirâmide de Maslow. Essa não era charlatanismo.

Consideram-se itens básicos da pirâmide termos como “comida”, “água” e “abrigo”. Já no degrau do meio estão termos como “energia”, “educação” e “TCI” (tecnologia, conhecimento e informação). No topo da pirâmide, temos os itens “saúde” e “liberdade”. A maior parte do livro se encarrega de apresentar soluções para gerar abundância para cada uma dessas necessidades.

A pirâmide da abundância.

Diamandis defende abertamente os transgênicos e os alimentos geneticamente modificados. Ele diz que é bobagem argumentar que não se deve "alterar os padrões impostos pela natureza" porque isso é o que viemos fazendo desde que aprendemos a cultivar os alimentos, lá no período Neolítico. Como explica Matt Ridley: quase por definição, todas as plantas comestíveis são "geneticamente modificadas". Elas são mutantes monstruosos capazes de gerar sementes anormalmente grandes e de fácil debulha ou frutas pesadas e doces e dependentes da intervenção humana para sobreviver. As cenouras têm cor laranja graças apenas à seleção de um mutante descoberto talvez no final do século XVI, na Holanda. As bananas são estéreis e incapazes de gerar sementes. Então, sem preconceitos com transgênicos.

E você, é a favor ou contra os transgênicos?

Teve um capítulo que eu particularmente achei bem interessante que foi um no qual o autor fala sobre churrasco. Isso mesmo: churrasco! Na verdade, ele dedica uma discussão à parte na questão sobre alimentos pra falar sobre a necessidade de consumirmos proteína. Mesmo que chegamos a uma solução pra gerar abundância de água, verduras, frutas e demais substâncias que podem ser proporcionadas pelas plantações verticais, resta outro problema sério: como evitar que tantos animais (gado, suínos, aves e peixes) morram em nosso benefícios?

"Doutor, essa carne de laboratório é padrão Friboi?" RAMOS, Tony.
As estatísticas chegam a ser assustadoras. Cerca de 40 bilhões de animais são mortos anualmente só nos Estados Unidos para fins de alimentação. 40 bilhões!!! Existem alternativas que buscam acabar com (ou pelo menos diminuir consideravelmente) esses números. A mais eficiente é a tal da “carne in vitro”. Trata-se de uma carne artificial, produzida em laboratório e que possui as mesmas propriedades alimentícias da carne que estamos acostumados a comer.

Dói só de pensar, né?

Se tem o mesmo gosto eu não sei, porque nunca provei, mas há quem diga que a tal da carne de laboratório pode substituir perfeitamente a carne “de verdade”. Acredito que, num futuro próximo ou não, a carne artificial possa substituir à altura a carne animal e, com isso, acabar com essa matança absurda de tantos bois, vacas, frangos, porcos e até cachorros (lembremos da China).

Coisinha linda, né? Mas, na China, viraria refeição.
Só tenho uma ressalva quanto a isso: eu sou gaúcho e moro num lugar onde o cultivo da carne e a apreciação de um bom churrasco é muito mais do que uma comida típica aqui da região. É um fator cultural. O churrasco é, junto ao chimarrão, um dos símbolos do Rio Grande do Sul. Chega a ser quase impossível de imaginar um domingo gaudério sem aquela costela assando na churrasqueira e aquele cheirinho de churrasco se propagando pela fumaça (deu fome, né?). Não consigo imaginar o guasca véio trocando o espero pela carne de laboratório, por mais que eu defenda a ideia de trocarmos a carne animal pela carne artificial. Mas como disse uma vez o meu colega Ceolin: talvez chegue o dia em que matar animais pra comer sua carne seja algo proibido. Já pensou? Tomara!

Para o bom gaúcho, é quase impossível resistir a um belo churrasco.

Diamandis fala das impressoras 3D com a empolgação que o assunto merece. Ele também destaca as tecnologias Open Source e cita exemplos consagrados como a Wikipedia e o Linux, os maiores representantes desse sistema que defende códigos abertos, livres e colaborativos. Impossível não lembrar do brilhante Marcin Jakubowski do Open Source Ecology.
Um nome que me chamou bastante atenção foi o de CraigVenter, o bioquímico que, segundo Diamandis, é para a biologia o que Steve Jobs foi para a computação: gênio com sucesso repetido. Ele é um dos pioneiros no sequenciamento do genoma humano e na forma de vida artificial. Venter atualmente desenvolve pesquisas acerca da criação de organismos biologicamente sintéticos e publicação de descobertas genéticas no campo da oceanografia. Em maio de 2010, ele anunciou o que foi rapidamente considerado o primeiro grande avanço científico do milênio, ao sintetizar pela primeira vez vida artificial. Mais um bom motivo pra acreditarmos nas proféticas palavras de Kurzweil.

Craig Venter e a criação da vida artificial.

Há também o termo DIY (Do it yourself), a tecnologia do “faça você mesmo”. Diamandis lembra que, de uns tempos pra cá e, principalmente com o surgimento da internet, cada vez mais se viu “engenheiros de garagem” e gênios improváveis surgirem da noite pro dia. Diariamente existem pessoas tendo grandes ideias em qualquer lugar do mundo e, mais interessante ainda: compartilhando essas ideias com outros gênios e fazendo a roda da tecnologia girar numa velocidade cada vez maior. Se hoje já existem grandes gênios e avanços se revelando num universo de 2 bilhões de internautas, imagina quando tivermos 5 bilhões de pessoas conectadas em 2020?


Futuro brilhante!

Claro que, para gerarmos abundância e termos condições de aderir aos avanços proporcionados pela tecnologia, precisamos de energia. Muita energia! O livro dedica um capítulo exclusivo para as formas de energia que podemos vir a utilizar no futuro e, pra ir direto ao ponto, já adianta: a energia solar é o caminho. Claro que, para isso deixar de ser uma promessa e passar a ser uma alternativa eficiente, barata e abundante, é preciso descobrir formas eficientes de armazená-la e distribuí-la. Mas pode sossegar: estamos chegando lá!

Vamos depender cada vez mais da energia solar.

Mas os autores não descartam completamente as energias convencionais que usamos nos dias de hoje. Eles acham que as mesmas podem ser usadas como "plano B" ou energia reserva, no caso de um eventual "blackout". Energia eólica, nuclear e fóssil seriam como um gerador, usado em situações emergenciais.

Follow the sun! Catch the sun!

Infelizmente, desde a descoberta do fogo pouco se evoluiu em termos de aproveitamento de energia para algumas pessoas. Mas isso nos permite chegar a um certo raciocínio: antes da invenção da roda, coisas como carros, motos, caminhões, rodovias, Fórmula 1, leis de trânsito e bicicletas eram impossíveis de se imaginar. Mas, quando uma nova tecnologia surge, ela abre a possibilidade para nossa mente desenvolver uma infinidade de outras coisas, decorrentes dessa nova tecnologia.


We don´t need no education!

Ao falar sobre educação, Diamandis apresenta o já famoso e consagrado caso de Salman Khan, fundador da Khan Academy. Há um capítulo bem interessante chamado “Outro tijolo no muro”, uma clara referência a uma das mais clássicas músicas do Pink Floyd.

Another Brick In The Wall, uma das músicas mais cabeças de todos os tempos.

Esse nosso ensino ultrapassado e decepcionante também é alvo da fúria de Diamandis. Ele apresenta uma solução bem curiosa pra esse câncer social: os games. De fato, os games têm muito a nos ensinar. Provavelmente mais até do que as torturantes salas de aula (bom, isso não é difícil). Repare que a didática do game é semelhante à do aprendizado: você se depara com uma situação desconhecida e para, passar por ela, precisa desenvolver uma forma ou uma habilidade para superá-la. Ao aperfeiçoar suas técnicas e superar esse desafio, você avança para um próximo nível que, normalmente, exige uma capacidade ainda maior e apresenta um nível de dificuldade mais elevado. Dessa forma, você acaba perdendo várias vezes até amadurecer e conseguir passar de fase outra vez, subir de nível e otimizar seu desempenho.

Salman Khan, fundador da Khan Academy.
A principal diferença dos games e do ensino é que os games são divertidos e o ensino nas escolas é insuportavelmente chato. Por isso, Diamandis acredita que a melhor solução para melhorarmos o ensino não é somente torna-lo divertido (como diria Nelson Machado) e sim viciante! Gostei de ler isso e, ao refletir, concordei: tornar o ensino algo "viciante" é ainda melhor do que torna-lo divertido. Imagina ver crianças viciadas em matemática, geografia, história, química, física...? Com esse nosso sistema de ensino é impossível, eu sei, mas se for como nos games, moleza. Games são divertidos e viciantes. Então, por que não juntar o útil ao agradável?

O que é mais legal, jogar video game ou aprender aritmética?
Nas últimas páginas do livro, Diamandis fala na importância de haverem sempre “loucos” por trás de grandes ideias inovadoras que contribuíram com a humanidade. Aquela velha história: "Os loucos abrem os caminhos que mais tarde serão percorridos pelos sábios" (frase de Carlo Dossi). Existem, segundo Arthur C. Clarke, três passos que você vai dar ao ter uma grande ideia: “No princípio, as pessoas dizem que é uma ideia louca e que nunca funcionará. Depois, as pessoas dizem que sua ideia pode funcionar, mas não vale a pena tentar. Finalmente, as pessoas dizem: Eu falei o tempo todo que era uma ótima ideia”!

É preciso ser louco pra pensar diferente.

Pensar diferente (Diamandis cita como exemplo a famosa campanha da Aplle, de 1997) é fundamental. Não podemos ser fantoches incapazes agir criativamente e se acomodar num emprego rotineiro. Essas pessoas que fazem tarefas repetitivas e que dispensam o intelecto serão, cedo ou tarde, substituídas pelas máquinas. Essa é uma ideia fortemente compartilhada pelos entusiastas da Economia Baseada em Recursos e da Singularidade. Não adianta, galera: a automação está aí e ainda vai varrer muito trabalhador pra turma da obsolescência.


Perigos dos exponenciais

Claro que o livro não é 100% otimista. Há, inclusive, um apêndice dedicado exclusivamente aos perigos da evolução exponencial e ameaças que podemos encontrar nas próximas décadas. Impossível deixar de lembrar dos filmes de Hollywood que já se encarregaram de nos alertar sobre os perigos da tecnologia. Diamandis cita o Exterminador do Futuro, Eu Robô, Matrix e Jurassic Park.

O futuro distópico de Exterminador do Futuro.

Questões como o bioterrorismo, crimes cibernéticos e desemprego em larga escala são analisadas pelo autor, que reconhece o risco de chegarmos a esse cenário catastrófico. Mas como diria o Homem Aranha: “Grandes poderes exigem grandes responsabilidades.” A tecnologia traz muitos benefícios mas, na carona, surgem grandes ameaças. Uma faca pode servir para cortar um alimento, mas também serve pra esfaquear alguém; um martelo pode ajudar a construir uma casa, mas pode matar uma pessoa; um carro serve pra locomover as pessoas, mas também pode ser uma arma terrível; um telefone serve pras pessoas se comunicarem, mas também pode ser usado por aqueles que passam trote pros bombeiros... A tecnologia é a palavra chave quando falamos de abundância. E abundância é a palavra chave quando falamos de Economia Baseada em Recursos.

Sábias palavras do Homem Aranha.

O livro tem 50 páginas só de gráficos, tabelas e estatísticas que provam por A + B as razões para acreditarmos nas palavras de Diamandis e Kotler. E eu sou daqueles que concorda que “contra fatos não há argumentos”.

Valeu a pena ler “Abundância”! O livro serve como uma preciosa base de consulta, pois é carregado de muita informação. A ideia de termos acesso livre a todos os recursos me empolga porque combina bastante com a linha de pensamento do Jacque Fresco. O fato dessa ideia ser encorajada e empurrada pela Singularity University, por sua vez, me torna mais empolgado ainda, pois carrega a chancela de ninguém menos do que Ray Kurzweil. Um livro pra colocar qualquer pessimista chato no seu devido lugar. Quem ler vai entender que o futuro pode, sim, ser bem melhor do que a gente imagina.


Palavras-chave: abundância; escassez; tecnologia; futuro; recursos.


REFERÊNCIAS:

KURZWEIL, Ray. The Singularity Is Near . New York: Viking, 2005.

Abundância: Entenda porque ela poderá governar este século

Site Inovação Tecnológica: www.inovacaotecnologica.com.br
Leandro Zayd no Despora: despora.de/people/83e19de22ddae274
Iniciativa interessante para aumentar a adoção de energias renováveis nos EUA: thesolutionsproject.org
Site da Singularity University: singularityu.org
Site da Khan Academy: https://pt.khanacademy.org
A desconstrução da escola: http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/03/desconstrucao-da-escola.html


SUMÁRIO DO LIVRO:

PARTE UM: PERSPECTIVA
Capítulo 1 - Nosso maior desafio
Capítulo 2 - Construindo a pirâmide
Capítulo 3 - Vendo a floresta através das árvores
Capítulo 4 - A coisa não está tão terrível como você imagina
PARTE DOIS: TECNOLOGIAS EXPONENCIAIS
Capítulo 5 - Ray Kurzweil e o botão de acelerar
Capítulo 6 - A Singularidade está mais próxima
PARTE TRÊS: CONSTRUINDO A BASE DA PIRÂMIDE
Capítulo 7 - As ferramentas da cooperação
Capítulo 8 - Água
Capítulo 9 - Alimentando 9 bilhões
PARTE QUATRO: AS FORÇAS DA ABUNDÂNCIA
Capítulo 10 - O inovador do Faça-Você-Mesmo
Capítulo 11 - Os tecnofilantropos
Capítulo 12 - O bilhão ascendente
PARTE CINCO: PICO DA PIRÂMIDE
Capítulo 13 - Energia
Capítulo 14 - Educação
Capítulo 15 - Assistência médica
Capítulo 16 - Liberdade
PARTE SEIS: ACELERANDO AINDA MAIS
Capítulo 17 - Promovendo inovações e mudanças revolucionárias
Capítulo 18 - Risco e fracasso
Capítulo 19 - Que caminho seguir agora?
Posfácio - Próximo passo: Aderir ao eixo da abundância
Apêndice: Perigos dos exponenciais

quarta-feira, 14 de maio de 2014

RESENHA: A Magia da Realidade



Como de costume, aqui estou resenhando sobre um livro que acabei de terminar de ler. Trata-se de uma prática muito útil e eficiente que aprendi a desenvolver durante a graduação. Fica, inclusive, um conselho para todo tipo de leitor: sempre faça uma resenha ou “ficha de leitura” dos livros que você lê. Arquive em algum lugar esses resumos e retome-os quando estiver a fim de recordar o aprendizado que essa determinada obra lhe deixou. Sempre!
A resenha a seguir trata-se do livro “A Magia da Realidade”, obra do escritor Richard Dawkins. Aproveito a ocasião para demonstrar meu profundo agradecimento ao amigo e colega Iuri, que me indicou esse livro durante o “Madrugadão da Biblioteca” da Unisc, em setembro de 2013. Foi graças ao conselho do Iuri que eu conheci este livro, que me pareceu bastante interessante. “A ciência é a minha religião”, disse o próprio Iuri ao abordar o assunto tratado nessa obra. Tem tudo a ver com o que meus colegas e eu costumamos discutir em “papos cabeças” e eventuais conversas que fatalmente culminam em Economia Baseada em Recursos ou Singularidade.
Assim que o livro ficou disponível no acervo, tratei de retirá-lo e o devorei em quatro dias. Uma leitura extremamente leve, agradável, facílima de compreender e com ilustrações que tornam o conteúdo ainda mais simpático e assimilável. Aliás, que belíssimo trabalho do ilustrador Dave McKaen! Uma obra prima em termos de conteúdo e qualidade visual. Certamente, o melhor livro que li até agora nesse ano. Brigadão, Iuri!

Richard Dawkins, autor do livro.


Life´s Show Time

Richard Dawkins optou por um método padrão de tratar praticamente todos os assuntos abordados em seu livro, divididos em doze capítulos: ele primeiro encarrega-se de apresentar alguns temas na versão contada pelas mitologias, religiões ou fábulas. Em seguida, ele desmascara todos esses mitos abstratos e desprovidos de fundamento com aquela versão que ele considera a “real”: a versão da ciência.
Temos diversos exemplos desmascarados pela ciência e que são contados em detalhes pelo livro: o que é um arco-íris; o que é um terremoto; porque existem tantos animais; como surgiu o ser humano; o que é o sol; como os continentes se formaram... todas as versões contadas durante séculos pela religião e pelas lendas têm seu espaço no livro, mas são devidamente desmascaradas por Dawkins. Eu diria até que é uma boa forma de calar a boca de muito fundamentalista religioso ou alienado que desmerece o poder da ciência e atribui tudo que existe à nossa volta a poderes divinos ou histórias inventadas há milênios atrás.

O livro é repleto de belíssimas ilustrações que colaboram com sua didática.

Dawkins bate de relho nesses mitos absurdos e põe os fundamentalistas religiosos no papel de ridículos. Ele diz que acreditar em lendas urbanas e histórias contadas pela religião é algo muito mais grave do que desmerecer a ciência: é acreditar que os grandes mistérios do mundo não podem ter explicação científica e nunca poderão. Quem acredita que o mundo foi criado em seis dias e que Eva surgiu da costela de Adão se nega a aceitar qualquer teoria científica ou desafio encarado pelos cientistas. Quem desmerece a teoria da evolução de Charles Darwin recusa-se a compactuar com qualquer descoberta científica que provém da teoria de seleção natural.
Eu já era um entusiasta da ciência antes de ler esse livro, já negava completamente a hipótese de haver um velhinho chamado Deus num céu coberto de nuvens fofinhas, já achava um absurdo certas lorotas empurradas goela abaixo pela igreja, já via fanáticos religiosos como alienados, já considerava a igreja uma instituição ultrapassada e desnecessária... mas com os exemplos e abordagens de Dawkins, esse conceito se tornou ainda mais evidente.

A teoria de Charles Darwin é fortemente defendida por Dawkins.

Me encantei com alguns exemplos fantásticos como o do nosso 185.000º avô: uma espécie de peixe já extinto e que habitava a Terra há cerca de 417 milhões de anos atrás. Dawkins compara a teoria da evolução das espécies com a teoria de evolução dos próprios seres humanos em vida. É tão difícil dizer quando uma espécie evoluiu pra outra como dizer “quando você deixou de ser criança e virou adolescente”, ou “quando passou de adolescente pra adulto”. Não são mudanças que ocorrem duma hora pra outra. No caso da evolução das espécies, são milhões de anos! Por essa razão, é impossível determinar quando uma espécie deu lugar a outra ou até mesmo “quando surgiu o primeiro homem”. São mudanças graduais que tornam essa pergunta impossível de ser respondida com precisão.
Eu tinha uma pequena dificuldade de compreender a teoria da evolução e de citar exemplos práticos. Agora não tenho mais! O curioso é que compreender essa teoria nos permite também entender muitas outras coisas. Entre elas, as próprias características físicas de nós, seres humanos, e até mesmo dos outros animais. Todas nossas características e atributos físicos são resultados de genes que acumulamos durante toda a evolução da espécie a qual hoje pertencemos.
Este livro é um prato cheio pra quem quer desmascaram religiosos insuportáveis ou até aqueles charlatões que se dizem dotados de poderes sobrenaturais. O sobrenatural, segundo Dawkins, é algo que não existe ou que ainda está por ser desmascarado pela ciência. Dentro dessa linha de raciocínio, não seria nenhum exagero concordar com a ideia de que “Charles Darwin matou Deus”.
Temos também outro cientista brilhante que tem papel destacado no livro: o gênio Isaac Newton. 

Isaac Newton, o maior gênio de todos os tempos.

Aliás, cabe aqui uma ressalva: depois de ter lido o livro do Marcelo Gleiser (A Dança do Universo) e agora esse do Dawkins, me sinto seguro o suficiente pra afirmar: Isaac Newton é o maior cientista de todos os tempos. Além de ter descoberto a esplêndida teoria da gravidade, Newton teve uma importante contribuição para a nossa compreensão do que são as cores e a forma como elas se propagam através da luz. Tudo isso graças ao experimento do prisma e da formação dos raios de luz que formam o arco-íris. Dawkins ilustra esse exemplo com interessantes ilustrações e um passo-a-passo fácil de ser assimilado até para um asno como eu.

Sim, somos um chorume no espaço.
A ideia de que “somos um chorume no espaço” (HELFER, 2012) ganha ainda mais consistência nesse livro. Dawkins utiliza bons exemplos pra nos fazer entender que a Terra é mesmo menos significante que um grão de areia para o vasto universo. Mais ainda: o exemplo que ele dá usando bolas de futebol, uma semente de pimenta e uma ponta de agulha para ilustrar a distância que uma estrela tem da outra é mais uma prova de que somos verdadeiramente insignificantes.
Dawkins afirma que, se tivesse que apostar, diria que existe vida fora da Terra sim. É a mesma opinião que muitos cientistas renomados possuem (como Marcelo Gleiser) e que eu também defendo (só que a minha, obviamente, não significa nada). Porém, Dawkins justifica seu ponto de vista com todas ressalvas. É importante ter bem claro que não é bem assim para um planeta possuir condições de abrigar vida como a Terra (esse tipo de vida que nós conhecemos) e usa todo seu sarcasmo pra dar uma chinelada naqueles que acreditam ter visto ETs ou terem feito contato direto com alienígenas. Dawkins os coloca no mesmo lugar que os religiosos bitolados.

O físico e astrônomo Marcelo Gleiser.

Algumas das lendas e mitos apresentados durante o livro chegam a ser até engraçados. Isso só reforça a ideia de que acreditar em teorias sobrenaturais é algo absurdo. E a principal conclusão que o autor tenta passar aos leitores é justamente a capacidade de enxergar a própria realidade (versão da ciência) como algo maravilhoso e admirável. A realidade é, por si só, fantástica e linda. Não precisamos de mitos ou fábulas pra contemplar a beleza do céu, do arco-íris ou das estrelas. Saber o que essas coisas são, de verdade, também atribui a elas uma beleza fascinante. Não precisamos ficar decepcionados ao descobrir que a lua não é a namorada do sol e sim um satélite que orbita em volta da Terra. Compreender as coisas como elas realmente são é, além de uma atitude mais inteligente, uma forma de contemplá-las em sua verdadeira essência.

Magi ka? Magi de? Magi da! Show Time!
 

Minhas considerações

Particularmente, gostei demais de ter lido esse livro. Recomendo-o para todas pessoas que se interessam por ciência, mas que têm aversão a cálculos, nomes complicados e fórmulas mirabolantes. É um livro ideal para curiosos, não para cientistas. Curiosos que não têm a pretensão de se tornarem físicos, químicos, biólogos ou matemáticos, mas sim abrir a mente e compreender as coisas como elas realmente são. É um guia geral do ponto de vista científico.
Para um leigo como eu, que anda estudando, lendo e discutindo muito sobre assuntos envolvendo EBR e Singularidade, o livrou caiu como uma luva. Pude ter uma noção mais clara do que representa essa coisa que enxergamos chamada “luz”. Pude compreender melhor a teoria da evolução das espécies e esses animais chamados seres humanos. Pude observar exemplos que resumem bem como nossos continentes se formaram e porque nosso planeta possui esse aspecto que conhecemos hoje. Enfim, os exemplos são muitos.
Dawkins cita uma curiosa frase conhecida como a Terceira Lei de Arthur C. Clarke: “Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de magia”. Isso nos remete àquela “profecia” de Ray Kurzweil: tudo que acontece Harry Potter será possível um dia. Mas Dawkins diz que a maioria das coisas prometidas pela ficção não vai acontecer. Algumas sim. Pois eu continuo com razões pra ser otimista e sigo apostando todas minhas fichas na ciência, que continua sendo, para mim, a única coisa que faz algo de bom pra nós nesse mundo. Bem diferente da religião, do governo ou do dinheiro.

Para Kurzweil, todas as mágicas de Harry Potter serão possibilitadas pela ciência.
 
Faço das palavras do Iuri as minhas: “a ciência é a minha religião.” Se um dia nós, seres humanos, tivermos a oportunidade de ressuscitarmos e sermos imortais, será graças a ela. E somente a ela. Torço muito para que um dia a bendita ciência consiga cumprir tudo aquilo que a religião já nos prometeu na tentativa de nos confortar somente. Se as verdades apresentadas pela ciência são mais fascinantes do que as lorotas inventadas pelas lendas e mitos, há boas razões pra acreditarmos que as promessas da ciência serão ainda melhores do que as da religião.

Go, Fight! Magi! Magi! Magiranger!
  
DAWKINS, Richard. A magia da realidade: como sabemos o que é verdade. 1. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012;
GLEISER, Marcelo. A dança do universo: dos mitos de criação ao Big-Bang. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.