segunda-feira, 24 de outubro de 2016

AFTER DAY AFTER TOMORROW

Segue um report do que foi vivido nos dias 21 e 22 de outubro, em Porto Alegre, no que foi a primeira edição do "Day After Tomorrow", um evento "spin off" do Friends of Tomorrow, curso que fez muita gente pirar o cabeção (inclusive eu).

:O

Resumindo o que foi esse encontro: tivemos um total de 17 palestras e uma "capacitação técnica" feita pelo Tiago Mattos sobre o vindouro projeto que a Aerolito chama de "Tomorrow X". Esse projeto, segundo o Tiago, tem como objetivo emancipar os conhecimentos do FoT para outras cidades através de palestras de ex-alunos e integrantes da Aerolito. Algo parecido com o que foi o "Day After".
Essas palestras serão, obviamente, sobre algum tema adjacente do futurismo e necessariamente devem possuir aquela "aura" de impacto positivo que toma conta das aulas do FoT. Também devem respeitar um tempo estimado entre 10 e 12 minutos, seguindo um padrão "Ted X": várias palestras curtas num mesmo evento.

Das 17 palestras: duas foram ministradas por membros do "corpo docente da Aerolito". A de abertura foi com Igor "genius" de Oliveira e a de encerramento ficou a cargo do garboso Santiago Andreuzza. Aliás, Santi foi insistentemente chamado de curador, organizador, idealizador e promotor do evento. Claro que ele não fez tudo sozinho, contou com a ajuda do timaço da Aerolito pra fazer tudo fluir perfeitamente, mas quem conhece o Santi o suficiente sabe que um evento liderado e planejado por ele tem todas as chances de ser épico.

E foi.

A minha ideia era poder resumir, aqui, um pouco do que foi cada um dos 17 talks apresentados. Mas vamos fazer diferente. Eu não vou cair na armadilha de fazer comentários técnicos ou observações sobre os conteúdos apresentados pelos palestrantes. Primeiro porque a responsabilidade é grande demais e o segundo motivo é que a melhor forma de se inteirar sobre esses assuntos é se aproximando desses caras. Então, se você tiver interesse em conhecer mais sobre o que eles mostraram, dê um jeito de acompanhar o que eles escrevem, postam e executam por aí (deixarei links). Te garanto que será incrível e transformador.
Comentarei, portanto, sob um aspecto mais "humano". Até porque eu saí do evento com essa sensação: era muito mais um evento de "pessoas" do que de "assuntos". Tantos casos inspiradores e comoventes que os assuntos (que já eram incrivelmente FODAS) ficaram em segundo plano. O carisma, a energia, aquele brilho nos olhos e a paixão pelo assunto era o que, na minha percepção, mais se destacou no contexto geral.

No más embromation. Vamos lá:


Dr. FRANKSTEIN



O "Wygle" abriu o evento falando da sua incrível experiência no projeto que tinha como finalidade operar implantes nos dois cyborgs da vida real: Neil Harbisson e Moon Ribas. O resumo do projeto já é fascinante por si só, certo? Mas acredite: a historinha que o Igor nos contou foi ainda mais. Uma história digna de livro, filme, seriado ou seja lá o que for. Em sua apresentação, Igor nos mostrou de forma leve e divertida todo o dia-a-dia desse delicadíssimo processo, que como todo bom storytelling teve seus altos e baixos, reviravoltas, risos, drama e (atenção: spoliers!) final feliz!
Agora sobre o Igor: toda vez que me encontro com ele, minha admiração cresce exponencialmente. Quando o conheci, no Tomorrow/2015, ele era o "engenheiro aventureiro" da Aerolito. Pilotava uns robozinhos que entregavam cerveja pras pessoas e coisas do tipo. Bacaninha!
Quando vi que, dum ano pro outro, ele evoluiu pra função de professor do FoT, senti que houve um progresso gigantesco em pouco tempo. Quando assisti aos insights que ele apresentou no curso, me impressionei valendo! Quando conversei com ele sobre os assuntos, a admiração cresceu mais ainda. Quando fiquei sabendo que ele estava nessa equipe do Neil, tremi as estribeiras. E, quando vi sua palestra de abertura no Day-After, eu disse "Chega!".
Estou falando dum cara que saiu dum buraco chamado Montenegro-RS, que passava cola pro Edu Hommerding na escola e que tem meros 25 anos (até o dia 7/11)! Meu, VSF! Esse cara é um ET!


CHUPA, SÃO PEDRO!



A dupla Mario & Luigi Pedro & Diogo abriu a série de palestras com ex-alunos pra apresentar um incrível projeto que eles desenvolveram na cidade deles (São Paulo). Através do "hackeamento", os dois descobriram um jeito de "previnir" alagamentos e enchentes, algo não muito raro em metrópoles como São Paulo.
Os dois foram definidos pelo Tiago como uma "dupla inseparável" e, justamente por esse motivo, foi feita a exceção de trazer os dois palestrantes numa mesma apresentação.
Ainda precisa ser dito que os dois são figurassas! Tive o privilégio de tomar um café da manhã com eles no domingo (que acabou indo até o meio-dia). E passou voando!


PAZ, AMOR E CAPITALISMO CONSCIENTE.



Eu sou suspeito pra falar sobre o Kaio Serrate porque já venho há um tempinho acompanhando o site dele (e comentando, sempre que possível) e admiro muito a facilidade com a qual ele aborda temas aparentemente complexos. Às vezes até delicados. O Kaio falou sobre Capitalismo Consciente e sobre como essa "nova onda" está mudando completamente alguns ideais que a galera do futurismo já considera "ultrapassados": obsessão pelo lucro, filhadaputisse, hierarquia, consumismo... Mais legal do que ler os textos e ouvir os podcasts do Kaio é conversar pessoalmente com ele. O cara é foda!
www.kaioserrate.com


LUZES E ESTILEIRA



Pra fechar a noite de sexta, tivemos a palestra da Mari Marcílio, que esbanja estilo e personalidade. Mari se apresentou com um tênis de luzinha que mudava de cor e piscava. *.*
E o tema dela tinha tudo a ver com isso: wearables e a moda do futuro. Por mais que falar de moda possa parecer uma ode ao capitalismo e ao consumismo doentio, Mari conseguiu mostrar que pode ser bem o contrário. Aliás, nas próprias palavras dela, os ideais de consumismo e posse já estão caindo no rol da breguisse.
Foi um talk excelente pra fechar a noite, graças ao estilo divertido e irreverente da Mari. Não consegui conversar direito com ela (sempre tem muita gente à sua volta), mas a considero uma figuraça!


THE PARTY

AAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!

O que seria dum evento desses sem uma festinha pelo menos épica? Talvez uma das melhores coisas do FoT. É o momento em que a galera interage, empina umas biras, começa discutindo sobre a vida profissional e termina discutindo transhumanismo e universos simulados.
Não vou mentir: era um dos momentos que eu mais aguardava! Era a chance que eu tinha pra rever grandes amigos que fiz no Tomorrow/2015 e no Friends of Tomorrow de 2016. Estar no meio dessa galera e se sentir amigo de tanta gente foda é surreal!
Pena que não deu pra subir no ombro do Bozo porque eu sabia que no dia seguinte teria que estar minimamente disponível. E como eu estava sob a guarda do ilustríssimo Baboo, já viu...


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A primeira palestra do sábado foi com o carismático Dr. Léo Aguiar, um sujeito incrivelmente humilde e gentil. Eu estava um pouco receoso porque imaginei que o tema "Medtech" iria aprofundar assuntos muito avançados na área da saúde ou termos técnicos pra quem manja alguma coisa de programação (que não é o meu caso). Mas muito pelo contrário. Aliás, devo dizer que a palestra do Léo foi, possivelmente, a que mais me emocionou. Quando ele falou sobre imortalidade (chegou até a mostrar a famosa capa da Times de setembro/2013), eu se senti muito feliz por dentro. É muito legal poder ver esse tipo de perspectiva otimista e "ousada" vindo de um profissional da área da saúde. E dos bons!


AS NEURAS DA INEZ


A Inez (que, pelo que se percebe, enviou uma ilustração ao invés de uma foto) se apresentou pra falar sobre neuromarketing. E ela fez isso contando um pouco da sua história com as tecnologias exponenciais e sobre o processo de assimilação que ela foi tendo aos poucos (medido pelas horas de sono diárias que ela conseguia aumentar com o tempo). Entre os seus exemplos, Inez apresentou vídeos como o comercial da Watson e também um trecho do episódio nº 4 (S2E1) de Black Mirror (Be Right Back), em que a discussão sobre "ressurreição" e inteligência artificial esquenta pra valer.


AFETIVIDADE ALÉM DA CURVA


Fui colega da Andrea Bisker no Fot-SP em agosto. É uma pessoa inconfundível. Nas conversas que tivemos, ela sempre falava do desafio que era palestrar sobre afetividade e sobre o Amor para pessoas muito ligadas à área da tecnologia sem que isso parecesse "pieguisse". E talvez não exista pessoa melhor do que a Andrea pra fazer isso. Ela fala com muita propriedade sobre o assunto e com uma energia inimitável. Lógico que num evento como esse, em que estávamos, existe uma energia muito positiva no ar, contaminando todo mundo e elevando a fraternidade mútua. Mas, ainda assim, a palestra da Andrea serviu pra amolecer os corações. E quando ela mostrou a foto dos filhos dela nos slides finais, ficou evidente que a palavra "Amor" está presente em cada pixel de sua sua apresentação.


O GAROTO PRODÍGIO


Todo mundo já teve raiva daquele moleque que tem idade pra ser seu filho e que te dá umas quatro voltas e ainda um airball, certo? Pois o Bruno Macedo é esse moleque. Aos 12 anos de idade e bebendo sem autorização dos pais (tava sim que eu viii!!!), ele foi falar sobre "gamificação como futuro alternativo". Ele apresentou uma série de exemplos muito interessantes sobre esse universo que eu acho incrivelmente fascinante, que é o dos games. Aliás, um assunto que tem TUDO A VER com o que eu ando estudando, fazendo e incentivando ultimamente. Sem falar que é um cara super receptivo e aberto a trocar ideias. Já grudou no meu radar!
http://ofuturodascoisas.com/author/bruno-macedo/


SABE MUITO!!!


Bruno Sabino (sim, havia três Brunos no evento) é um cara com quem eu poderia ficar horas e mais horas numa mesa de bar conversando sem ameaçar um bocejo sequer. A palestra dele, sobre Nanotech, Biotech e Consciência Global foi, talvez, a mais "realista" e "pé-no-chão" de todas. Mas isso não significa que esteja desvinculada ao propósito do curso. E também não significa que tenha sido "pouco impactante". Muito pelo contrário: me deixou com várias pulgas atrás da orelha e com uma vontade enorme de trocar umas ideias com essa fera. Aliás, até peguei o contato dele após o evento e me interessei demais em conhecer o projeto dele à frente da Start City. Dá uma olhada e entenda do que estou falando: www.startcity.com.br


OS LEIGOS ENTENDERÃO



Cecília Ivanisk (chamada carinhosamente de Cissa) apresentou o tema Growth Hacking Marketing. Admiro pessoas que têm facilidade em explicar algo que maioria esmagadora da população sequer sabe o que significa. E um dos exemplos que ela deu pra contextualizar esse assunto foi o que o Hotmail fez com o "e-mail grátis". E o que o Gmail fez com o Hotmail depois. O Growth Hacking é bem mais simples e próximo da nossa realidade do que o nome faz parecer. E Pessoas como a Cecília são indispensáveis para "traduzir" esse tema, algo que eu acho que deveria ser mais popular e menos segmentado. Só acho.


BEM DE BOAS


Você vai num evento de futurismo, tecnologias exponenciais, hackeamento e pá... No meio disso tudo tem um cara que vai falar sobre... "Meditação"! Tem como não ficar curioso? Bom, eu conheci o Filipe Vilas Boas na véspera da palestra e acabei me aproximando. Um cara sensacional!!! Tive a oportunidade de coletar uns "spoilers" e ficar ainda mais curioso pra ver sua apresentação. Além de passar alguns princípios básicos da meditação como um todo (respiração, repetição...) ele conduziu a palestra dum jeito bem diferente dos demais. Ao estilo "Você Decide", ele consultava a plateia pra decidir entre dois assuntos. Se a plateia optava pelo "assunto A", a palestra seguiria por aquele caminho. Um bom jeito de abordar um assunto tão abrangente e envolvente em apenas 10 minutos.
Ainda tive a sorte de jantar na mesma mesa que o Filipe na noite de sábado. O cara é magrinho mas devorou um xis inteiro e ainda comeu de sobremesa um brigadeiro que tinha o tamanho da minha mão fechada.
* Continua curioso? Pois segue um documento repleto de informações, referências e links interessantíssimos, disponibilizados pelo próprio Filipe: http://goo.gl/zTWiV9


A PAPA É POP!


Essa foi de chorar! E foi também uma das com as quais eu mais me identifiquei. Catarina tem um currículo brilhante e, ainda assim, faz da humildade uma de suas principais virtudes. Ela apresentou a palestra sobre Realidades Virtuais e sobre como promover o Impacto Positivo através das mesmas. Tudo muito legal, interessante e inspirador. Masssss sabe aquela hora em que a voz da pessoa falha com um choro engasgado e que você tem vontade de fazer o mesmo? Aconteceu. Catarina falou sobre a sua história de crescimento profissional e sobre a "corrida em volta do rabo" que é esse paradoxo chamado Capitalismo. Mas ela falou isso com tanta verdade e convicção que a garganta sentiu. Tive que olhar pros lados pra ver se ninguém estava com os olhos embassados (tinha medo de ser o único). E os aplausos que a Catarina tomou no fim da palestra foram um dos mais eufóricos de todos.


THE KIDS AREN'T ALLRIGHT
por Hugo Santos



Pessoal, com licença, meu nome é Hugo Santos. Sabe aquele lance de fotógrafo que bate a foto mas nunca sai nela? Pois é, isso sou eu, batendo a foto do Bruno Seidel... Se você está lendo isso, saiba eu venci uma batalha épica e ele me permitiu invadir o blog dele e publicar isso.

Bom, se a proposta é pra falar de pessoas, vamos lá...

De todos os que estavam ali, provavelmente o Bruno é um dos que mais faz isso, FOCA nas pessoas. Tanto que grande parte da sua apresentação que tratava do tema de educação e processos de aprendizagem mais divertidos, dedicou cerca de 30% do tempo pra falar de uma pessoa, seu sócio, brilhante e privilegiado amigo e agora tudo isso que vc está lendo...

Eu não pretendo triplicar o tamanho do post do Bruno, esse espaço é dele mas se eu fosse falar tudo o que os nossos amigos em comum falam sobre e tudo o que aconteceu desde o início, seria um blog dentro de um blog.

O Bruno à primeira vista parece um militar, cabelo devidamente aparado, postura ereta, aperto de mão firme (pra manter a distância, fala pouco e observa muito. Belo disfarçe, mas não me enganou - já disse isso pra ele.

O cara que vê as pessoas é um dos mais atenciosos um dos mais amigos de todos que já tive o privilégio de conhecer, eu até falei que ele tem uma música que define ele mas não vou divulgar aqui...

O Bruno fez a apresentação sobre educação, quadrinhos e como um amigo pode transformar completamente a vida do outro e o que eu ouvia perto de mim eram: risadas (aos montes), e coisas como, "que voz!", "que presença de palco!", "esse cara é ator?", "ele é locutor de rádio?", "cara que apresentação sensacional", pois é dái já deu pra sentir né?

Pois bem, difícilmente vc vai passar um tempo conversando com o Bruno sem que ele fale sobre e faça você querer ser amigo das pessoas que ele escolheu pra ser amigo dele, eu só posso dizer que se pra mim foi uma honra como nunca senti na vida participar do TomorrowX, é um privilégio de vida ser considerado um amigo do Bruno, ter sua admiração me faz crer que estou no caminho certo.

Muito obrigado Tiago Mattos, Santiago Andreuzza, e toda Aerolito/Perestroika vocês já me deram MUITO mais do que podem imaginar entre todas essas lembranças e transformações que vou levar pro resto da vida está o Bruno Seidel.

Sem mais.
Hugo Santos. 


CHAMA ELE!!!



Obrigado, Aerolito, por chamar um cara como o Marcelo Chamarelli pra esse evento! O cara brinca de ser foda! E olha que eu já tava com as expectativas lá no teto porque ouvi um podcast dele com o Kaio Serrate incrivelmente inspirador. Marcelo começou dizendo que tinha boas chances de ser interpretado como "louco". Bom... o fato é que ele não é muito normal mesmo. Tem coisas que ele mostrou e que eram sigilosas, ou seja, não era pra gravar e nem fotografar. Eu fiquei boquiaberto e incrédulo com o que vi. Mas, a pedidos do Marcelo, não posso compartilhar ainda (talvez ninguém acredite mesmo). Um dia você vai entender o porquê. E vai acabar decorando o nome dele. Garanto!


PAUSA ESTRATÉGICA

Depois da palestra do Marcelo, tivemos um intervalo de 20 minutos pra galera relaxar e se preparar pra grande cereja do bolo que ainda estava por vir.


O EMBAIXADOR DA GENEROSIDADE


Não sei o que falar desse cara. É "só" a pessoa mais generosa que eu conheci em toda minha vida. Um dos melhores amigos que eu já fiz.
Quando eu vi que o nome do Hugo estava entre os nomes confirmados pro Day-After-Tomorrow, sério, eu gritei como se fosse o meu time marcando um gol do título nos acréscimos do segundo tempo! Foi muita alegria!
E olha que a gente se conheceu esse ano!

Dá pra perceber que esse carinho e admiração que eu tenho não é exclusividade minha: todo mundo paga pau pro cara. Desde o pessoal da Aerolito, que rasgou a maior seda, até os que o foram apresentados pela primeira vez. Definitivamente: o FoT sem o Hugo nunca seria a mesma coisa!

E sabe o que é mais comédia? Ele estava nitidamente nervoso antes da palestra. huehueheuheuhe!
Chegou a mudar os slides da apresentação na véspera, fez uns ensaios de última hora com o Júlio Boaventura e tal...
Eu olhava e pensava: "sério isso??" Tem alguma chance do Hugo "não ser nota 11"?

Não tinha e não teve: o Hugo era uma unanimidade! E a sua palestra serviu pra mostrar que, além de toda sua generosidade, ele também é um gênio! Um gênio!

Não, você não entendeu. Mas vamos lá, o dicionário vai ajudar:

gênio
substantivo masculino
  1. 1.
    espírito que, segundo os antigos, regia o destino de um indivíduo, de um lugar etc., ou que se supunha dominar um elemento da natureza, ou inspirar as artes, as paixões, os vícios etc.
  2. 2.
    aptidão natural para algo; dom.
    "ter o g. dos negócios"


Melhorou, mas ainda não explicou.

E foda-se também, se você não assistiu a apresentação do Hugo, não sou eu quem vai conseguir fazer você entender a genialidade dele!

Hugão falou sobre algo que ele manja demais: Machine Learning e Data Science. É o que faz os computadores, o Google, o Netflix e o Facebook parecerem tão inteligentes, sabe? É o que os mais familiarizados com a área chamam de "mapear um comportamento" e moldar sua estrutura de acordo com o perfil do respectivo usuário. Isso pra ser bem raso.
Hugo usou como exemplo "caseiro" o caso de Deb Roy que, através de conhecimentos em Data Science, conseguiu entender como seu filho aprendeu a falar sua primeira palavra: "água"
Clique aqui e entenda como.

Hugo partiu desse exemplo pra dizer que os conhecimentos em Machine Learning e Data Science podem ir muito além para entender como/porquê as pessoas aderem a sentimentos como alegria, tristeza, raiva, indiferença e tantos outros que vão bem além das "reactions" do Facebook. Agora vou deixar você dar asas à sua imaginação e pensar no que mais será possível quando tivermos essa noção avançadíssima sobre o comportamento humano (mais até do que só uma "noção": dados empíricos).
Imagina isso sendo usado na educação, por exemplo! Poderemos entender porque fulano tem facilidade em aprender História mas não tá nem aí pra Física (e como induzir o conhecimento dele para que Física não pareça algo tão chato).
Podemos entender o que faz um débil mental decorar todos os placares de Copa do Mundo e não ser capaz de memorizar meia dúzia de elementos químicos ou noções básicas de programação.

Eu confesso que me sinto meio ignorante quando vejo o Hugo falando em alguns termos técnicos que passam longe da minha capacidade de entender. Mas o que me faz achar esse assunto tão vibrante é justamente essa condição de dar asas à nossa imaginação e de vislumbrar os limites da I.A. (se é que há limites). Para quem curte escrever roteiros, storytelling e ficção científica, esse assunto é um prato de pedreiro.

E tem mais: a palestra poderia ter sido ainda melhor se ele tivesse contado uma das suas histórias mais incríveis, que foi quando ele "hackeou" o próprio cachorro para que o mesmo parasse de roer os móveis da casa. Quem sabe essa anedota não vira pauta de uma próxima palestra do Hugão?? #ficaadica

Existem dois tipos de pessoas: as que adoram o Hugo e as que precisam conhecer ele!


O MONSTRO SAGRADO


E depois de tanta gente foda, incrível, divertida, inspiradora e genial, o "grand finale". Como todo grande evento, o melhor tinha que ficar pro fim, né?

Jacques Barcia era o nome mais aguardado de todos e o dono da maior expectativa. Considerado pelo próprio Tiago Mattos um dos maiores futuristas do Brasil, Jacques trouxe também um dos assuntos que mais me interessam: "Storytelling como ferramenta de Futurismo".

Conversei com o Jacques no dia anterior, durante a festa, na tentativa de chegar mais "preparado para sua palestra" e querendo discutir de igual pra igual com um perito em storytelling. Não deu.
O Jacques é um cara que manja tanto, mas tanto sobre o assunto que a conversa com ele funciona da seguinte dinâmica: você faz uma pergunta ou um comentário em no máximo 30 segundos e deixa que ele te dá uma aula particular daquelas de fazer o cérebro pulsar.

Fiquei tão desnorteado com o que ele falava que senti que precisava me "reinventar", mas aí ele me acalmou prometendo umas boas referências bibliográficas (sabe médico receitando remédio?).

Não por acaso, sua palestra quebrou a exceção dos 10 minutos. Quebrou feio! Um cara com o Jacques não pode ser limitado por tempo.

Uma das suas falas que mais ficaram na minha mente foi a frase originalmente dita por                         William Gibson: "Nós temos que colonizar o futuro". Reflita sobre essa frase!
Ou melhor, vamos refletir juntos: várias coisas que foram "projetadas" por autores de ficção científica acabaram vingando décadas depois na vida real, certo? Telefone sem fio, Skype, carros autônomos, impressora 3D, VR... Várias dessas coisas ditam comportamentos, ideologias e lifestyles à sua época, certo? Geração X, Y, Z... geração "cabeça-baixa", "era dos likes"... Algumas dessas realidades podem ser utópicas ou distópicas, certo? Olha o Black Mirror aí...
Esse processo de colonização do presente sobre o futuro através da ficção científica é semelhante ao que os europeus fizeram nas Américas ("colonização", entendeu?). Só que, ao invés de impor a religião, o sistema econômico, os costumes, as culturas e os idiomas, o que está em jogo aqui são outros fatores. E quais fatores são esses? Aí que entra o papel do futurista.
Assim como Cabral avistou a "terra de Pindorama" através do Monte Pascoal, nós temos condições de avistar o futuro através de lapsos de tendências que nos dão pistas de como será o mundo daqui a alguns anos, décadas ou séculos.

Outra coisa que eu curti na fala do Jacques foi quando ele fez um gancho de algo que eu tinha dito na minha palestra, sobre cultivar os sonhos de infância: "Eu queria ser duas coisas: escritor e arqueólogo. Escritor eu já sou. E arqueólogo também, só que do futuro."


O DONO DA FESTA


A essa altura você já deve estar pensando que eu sou o cara mais puxa-saco do mundo depois do Faustão, né? "Puta que pariu, é uma babação de ovo atrás da outra!"
E se viu a foto do Santiago ali em cima já deve ter pensado: "Nossa! Agora sim que ele baixa as calças!"

Deixa eu me defender primeiro: todos elogios que eu fiz até aqui são verdadeiramente sinceros. Mesmo!
E olha que alguns dos palestrantes não trocaram uma vírgula sequer comigo, enquanto outros são amigões do peito.

A palestra de encarramento do evento foi com o CEO fundador cabeça boss motherfucker da Aerolito, Santiago Andreuzza. Foi uma espécie de "bis".

E depois de tanta palestra absurdamente FODA, eu fiquei pra ver o Santi falar e cá estou eu pra resumir a palestra dele.

E, quer saber duma coisa?

cri..
cri...

Deu branco!

Calma, calma... dessa vez não é puxa-saquismo.
Eu não lembro de quase nada que o Santi tenha falado.
Sério! Eu não sei nem dizer "sobre o quê era a palestra dele". Não lembro qual era (ou se tinha) o conteúdo.
Meu palpite mais provável: eu ouvi tanta palestra fodaprakaraleo que talvez minha cabeça já não tivesse mais condiçoes de absorver o que ele tinha pra falar.

Só pode ser! Porque o Santi não é um cara abaixo e nem "pouco acima" da média. Ele é o Santiago Andreuzza, porra!! É o Pelé do Polo!!! É o pai do ano!!!!! É o amigo dos sheikes!!!!!!!

Mas, sinceramente? Foi um copo de água depois de um rodízio de cervejas belgas.

Mas que fique claro: isso não diminui 1 megapixel da admiração que eu tenho por esse cara! É e continuará sendo um dos seres humanos mais fantásticos e apaixonantes com quem já conversei. Pra mim, continua sendo uma das minhas principais referências. Aliás, vou repetir o que eu já tinha dito da outra vez: o Santiago é o cara que eu quero ser um dia!


AFTER AFTER


Essa galerinha...

Após as palestras, tivemos uma festinha mais comportada do que a que presenciamos no dia anterior. Logo a galera se disperçou e se mandou pra outro lugar. Alguns foram pra balada, outros foram jantar. Eu acompnhei boa parte do pessoal da Aerolito que se mandou pro Moita e comeu uns xis de quebrar a balança.
Queria muito ter ido pro happy hour da galera que se juntou depois do evento, mas ae o Hugo me ligou pra dizer que a segurança da festa não estava autorizando a entrada de "gente estranha". Então, fodeu. Dizem que rolou um concurso de piadas muito animado nessa noite.
Voltei pra casa do Baboo, que estava me esperando com um chazinho de maçã feito com muito carinho.

No dia seguinte, ainda deu pra reencontrar alguns sobreviventes que estavam tomando um breakfast na Padarie: Pedrão, Diogo, Mauro, Júlio, Victoria e o Hugo. Cada segundo na companhia dessas feras vale a pena!

E, por incrível que pareça, a ressaca de domingo parecia pior do que a de sábado. Detalhe: eu não bebi no sábado (juro)! Só na sexta. Moral da história: a "ressaca intelectual", causada por uma overdose de palestras incríveis foi mais forte do que o porre etílico. Taí um caso a ser estudado.

Mas enfim, gurizada, chegou a hora de dar tchau até logo. E pra encerrar em grande estilo, vou fazer o que já tinha feito da última vez: terminar com música. :)

Uma música suficientemente foda pra resumir todo esse sentimento. Então, se você ainda não conhece o protocolo, vamos lá: ajeite-se na poltrona, aumente o som, dê um play e fique "viajando mentalmente".

Nos vemos no Tomorrow X! o/

Som na caixa:


quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Vamos mudar o destino da educação com nossas próprias mãos!

Zerando o nosso modelo de ensino sem continues!

Eu tinha prometido que iria retomar aqui, neste blog, uma discussão que iniciei meses atrás sobre soluções para a Educação, algo derivado dos problemas detectados no sistema de ensino.


Pois bem, cá estou eu pra trazer esse assunto novamente à discussão. E pra ir direto ao ponto (que é o equivalente a "apertar start pra dispensar a abertura de um game"), vamos pular para o que eu acredito que seja a "salvação" da educação no futuro: os jogos eletrônicos!



GAME START!



Uma pergunta idiota que nem merece ser respondida: "O que uma criança de qualquer idade prefere: escola ou videogame?" Eu disse que não precisaria de resposta.
O que boa parte dos adultos e professores pensam disso? "Que o mundo tá perdido, que essa molecada só quer saber de jogar essas porcarias, que isso é perda de tempo..." Eu ouvia isso enquanto jogava Super Nintendo, pessoas um pouco mais novas do que eu ouviram isso com o Playstation e agora temos pessoas ouvindo a mesma coisa enquanto se divertem com LOL ou Pokemon Go. Os games até que evoluíram bastante, mas o discurso rabugento e ranzinza nem um pouco.


Sabe aquele famoso ditado, "Se não pode vencê-los, junte-se a eles"? Bom, eu penso por aí: tentar combater esse sucesso avassalador que são os games é algo praticamente impossível. Mas e o que os adultos fazem com relação a isso? Reclamam, claro. Só reclamam.


Claro que existem algumas exceções como esse brilhante professor que soube ensinar trigonometria com Pokemon Go.
De quebra, ele ainda falou uma baita verdade sobre a rixa "professores VS. wikipedia" no mesmo vídeo.







MINHA HISTÓRIA COM OS GAMES


Eu sou suspeito pra emitir minha opinião sobre jogos eletrônicos porque sou perdidamente apaixonado por esse universo. Minha história de amor com o mundo geek começou justamente com os games que jogava na companhia dos meus irmãos e do meu pai, que era o melhor jogador da casa. Uma das memórias mais agradáveis que eu tenho da minha infância era dos tempos em que nós quatro ficávamos horas no quarto jogando Super Mario 3 (e depois Super Mario World).


Super Mario 3: o primeiro jogo a conquistar meu coração!

Eu era muito, mas muito fã do Mario ("mas que Mario?" o teu c*). Foi o primeiro personagem que eu aprendi a desenhar e a "colecionar". Foi também o que fez eu me interessar por outros games viciantes como Tiny Toons, Donkey Kong, Megaman e, claro, Street Fighter (esse numa fase mais pré-adolescente já).
Foi graças aos videogames que eu virei rato de banca de revistas. Todo dia, depois da aula, dava um jeito de passar na banca pra ver se tinha alguma revista nova com dicas e informações sobre jogos. Taí algo que a molecada mais nova nem conseguiria imaginar: havia muitas revistas especializadas em videogames nas bancas. As mais importantes, segundo a minha memória, eram a Videogame (da editora Sigla), a Ação Games (da editora Azul), a Super Game Power (da Nova Cultural) e a Gamers (da editora Escala). O Uol fez uma série de documentários bem interessante sobre essas quatro revistas: youtube.com/playlist?list=PLvXtU9_H4Rju0i8YBEdlK8GAo4u-mfG4s


Que saudade dessas revistas!

Alguns dos meus sonhos de infância eram ter meu próprio fliperama e lançar uma dessas revistas de videogame (porque eu achava que faria muito sucesso compartilhando aquelas dicas que só eu tinha).
Mas eu nunca fui um exímio gamer, por incrível que pareça. Pra ser sincero, eu jogo até mal pra um cara que se diz envolvido com esse universo. O que eu mais curtia nos jogos mesmo eram as histórias (por mais bobinhas e comerciais que fossem), os personagens, as continuações... Lembro que eu adorava assistir ao desenho animado do Super Mario Bros na Globo, durante a programação da TV Colosso. O mesmo se aplica ao anime de Street Fighter que passava nas manhãs de sábado, no SBT.
Tal envolvimento continuou me acompanhando conforme fui crescendo e eu nunca deixei de me relacionar com esse público geek/nerd.



FAZENDO DO LIMÃO UMA LIMONADA


Deve haver algo mais últil do que reclamar pra fazer, né?

A designer de games Jane McGonigal é uma das maiores autoridades do mundo quando o assunto é "gameficação". Nessa interessantíssima palestra, ela levanta uns dados muito interessantes:




10 mil horas praticamente uma mesma atividade é o tempo necessário que uma pessoa precisa pra virar especialista naquilo. É o que chamam de "virtuoso". 10 mil horas estudando um novo idioma, por exemplo, é o que bastaria pra te tornar fluente. 10 mil horas é o tempo que um aluno passa dentro da sala de aula entre o 1º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio (bom... eu precisei de bem mais do que isso, mas enfim...). 10 mil horas é equivalente a, mais ou menos, cinco anos que um profissional passa exercendo a mesma função. 10 mil horas, pasme, é o tempo que uma criança de 7 anos passou interagindo com jogos eletrônicos.


Eles jogam videogame como os melhores profissionais que você conhece. (foto: Growing Leaders)



Yes, baby! Uma criança de 7 anos já chega na escola com experiência prática suficiente pra ser certificada como "especialista em games". Pode parecer um absurdo, mas só quem acompanha a rotina de uma criança dessa idade sabe o que é isso. Eu tenho um sobrinho de 6 anos que passa maior parte do seu tempo com os dedos sobre uma tela de smartphone ou tablet (ou do computador), debulhando jogos que fazem eu me sentir um completo ignorante. E joga bem!


Difícil de desgrudar do tablet.

E o que nós estamos fazendo com esses virtuosos de 7 anos? Dizendo que videogame é perda de tempo. ¬¬


Ainda bem que Jane pensou além e se preocupou em criar maneiras de tirar proveito desse talento solto no ar. Algumas iniciativas como o "World without Oil", o "Superstruct" e o "Evoke" só foram possíveis graças a esse olhar pró-gameficação.



TORNANDO O CONHECIMENTO VICIANTE


Eu acredito que a Educação é a chave para transformar o mundo e, por pensar assim, assumi a responsabilidade de ajudar a melhorá-la. É através da boa Educação que teremos mais Teslas e menos Hitlers. E isso fará uma diferença incrível no futuro. Mas eu acredito também que esse nosso atual modelo de Educação, totalmente industrial, repetitivo e previsível, está falido.


Aí que eu me refiro!
Por entender que está na hora de mudar esse cenário e, principalmente, pela vontade que eu tenho de ajudar nessa transformação fazendo o que eu gosto e sei fazer melhor é que eu aceitei o convite do meu amigo Will Ceolin para me tornar um dos co-founders do Zoonk. Nosso objetivo é transformar a Educação em algo mais do que divertido: em algo viciante. Em algo que as crianças tenham prazer e que queiram fazer cada vez mais. Na verdade, o conhecimento sempre deveria ter sido assim, né? Quando crianças aprendem as coisas na marra, enfileiradas numa sala de aula durante intermináveis quatro horas por dia, sem entender o porquê de estarem aprendendo (decorando) fórmulas e equações sem sentido, é porque tem algo muito errado acontecendo.


This is Zoonk!

E qual seria uma boa forma de tornar o conhecimento em algo divertido e viciante? Adivinhou: com games, que são normalmente divertidos e viciantes!


"Mas eu queria tanto continuar caminhando por Marte!!!" (foto: Family Friendly HQ)

Só vamos deixar uma coisa clara aqui: o Zoonk não é uma startup de games. É uma startup de Educação. Mas não se preocupe em decorar essa definição porque ela não vai cair na prova (como se “prova” provasse alguma coisa, né?). Mas é importante deixar isso bem claro para não gerar expectativas equivocadas. Assumir-se como uma “startup de games” pode dar a entender que somos desenvolvedores, programadores, expert em games… Nada disso! Aliás, nem eu e ninguém da nossa equipe é um perito em desenvolvimento de jogos eletrônicos. Alguns de nós sequer jogam. Eu mesmo, apesar de ser apaixonado por esse universo, não me considero um gamer (ou Angry Birds e emulador de Super Nintendo contam?). Se colocasse qualquer um de nós numa conversa com um especialista em games, tenho certeza, iríamos passar vergonha assim que termos técnicos ou conceitos básicos fossem mencionados.


No máximo uns peguinhas" de vez em quando. Mas bem "de boa".

Mas, em compensação, me sinto mais confortável ao assumir o Zoonk como uma startup de Educação. Aí sim: já trabalho há oito anos com instituição de ensino que atua em todos os níveis (do maternal ao doutorado). Os demais integrantes do Zoonk também: ou trabalham ou já trabalharam com educandários.
Além do mais, tenho uma experiência bem intensa com o nosso contestável modelo de ensino desde os tempos de escola. Eu era um péssimo aluno. Minhas notas eram as piores da turma e eu cheguei a me sentir um imbecil por causa disso. Achava que eu era mentalmente desfavorecido por não ter facilidade em decorar fórmulas e responder corretamente o que caía nas provas. Achava que meus colegas, que tiravam notas melhores do que eu, eram mais inteligentes e “melhores” do que eu. Felizmente, os anos de escola passaram e eu descobri, tempos depois, que eu não era tão idiota quanto eu pensava (ou quanto a escola fez eu pensar que era). Eu tinha muitas habilidades para fazer coisas que não necessariamente caíam nas provas ou nos trabalhos escolares. O fato de não saber usar a fórmula de baskara ou de ter dificuldades para entender a quimiossíntese do Reino Monera não era necessariamente um atestado de ignorância.


"O mundo está cheio de gênios que pensam ser idiotas porque sempre foram maus naquilo que os obrigam a ser bons." 

Além disso, eu era também um incômodo contestador. Cheguei a ser expulso da escola e troquei várias vezes de colégio por mau comportamento e desavenças com professores. Na época eu ainda não sabia dizer exatamente o que havia de errado com o sistema de ensino mas sabia que tinha algo muito errado naquilo. Os professores e diretores, claro, achavam que era apenas birra ou recalque de um adolescente revoltado que tirava notas baixas. De vez em quando eu até os surpreendia com algum lapso de criatividade ou caricaturas sádicas. Mas toda vez que eu fazia algo do tipo ouvia coisas do tipo: “Por que você não usa esse talento e essa criatividade para coisas realmente importantes?”. O mesmo valia pros placares de Copa do Mundo, que eu sabia decór: “Por que você não decora coisas como tabela periódica?


Pra mim, placares de Copa faziam muito mais sentido do que esse troço ae.

Posso te garantir que existem outras histórias como essa por aí. Talvez até você mesmo tenha algumas histórias assim, certo?
Eu vejo no Zoonk uma excelente oportunidade de ligar os pontos e de impedir que futuras gerações caiam na mesma armadilha que eu caí. Tenho certeza de que se as crianças de hoje, desde que tenham oportunidades e aptidões semelhantes às minhas, têm tudo pra serem pessoas “melhores” do que eu se tiverem a felicidade de ter uma educação “melhor”. E “melhor” aqui significa “mais compatível com o mundo vigente”. Eu não acho que os professores que me educaram eram maus profissionais, nem despreparados e muito menos mal intencionados. Só acho que eles estavam ensinando seus alunos para viverem no mundo de meio século atrás, um mundo bem diferente daquele em que eu nasci e mais diferente ainda do mundo de hoje.


A escola de um século atrás é a mesma de hoje. (foto: Library of Congress)

É chato afirmar isso mas a verdade dói mesmo: “a escola de hoje forma indivíduos para o passado”. Na universidade não é diferente: temos cursos com grades curriculares ultrapassadas e que destoam do cenário com o qual o egresso vai se deparar.
Com o Zoonk, queremos que as pessoas desenvolvam tesão por aprender e que, com esse tesão circulando pelas veias, elas se dêem o direito e a liberdade de correr atrás do conhecimento na melhor biblioteca do mundo: a internet, a Wikipedia, o Youtube, o Google… São os principais provedores de informação e de conhecimento  no mundo. Antigamente esse até podia ser o papel da escola e dos professores, mas já não é mais. O professor já não pode mais se contentar em ser um reprodutor de conteúdo que dispara informações num quadro negro e em aulas decoradas. Isso é meramente conteúdo. E conteúdo se adquire em tantos outros lugares como livros, vídeos, sites especializados... O professor tem que ser aquele cara que faz o aluno começar a se interessar pelo assunto. Que faz matemática parecer algo interessante e importantíssimo, mesmo para aqueles alunos que nunca tiveram a menor vontade de aprender.


A melhor escola do mundo chama-se Youtube.

Sempre digo que o meu interesse por futebol foi uma das minhas melhores “aulas de geografia”, porque fez eu pesquisar e estudar demais sobre continentes, hemisférios, capitais, idiomas, culturas, fusos horários, índices populacionais e tantas outras coisas que na escola eu achava chatíssimo. É o interesse que impulsiona a busca pelo conhecimento.
E esse interesse tem que fluir da forma mais natural e divertida possível, para que seja algo sutil, indolor e prazeroso. Por isso que nós apostamos demais na gameficação, que me parece o atalho perfeito para que a piazada de hoje seja ainda mais esperta e com mais alegria. Eu gosto mais ainda do conhecimento quando ele está disfarçado: quando você aprende Geografia com futebol, ou estuda História vendo Chapolin, ou então adquire noções em japonês tentando ler um mangá. “Sem querer”, você aprende algo novo!


Aprender História com o Chapolin era bem mais divertido.

E agora que você já sabe qual o nosso propósito e que o nosso foco é em Educação, pode espalhar por aí que somos uma startup de games. Não tem problema. Deixa todo mundo achar que a gente só quer fazer joguinhos divertidos. Ninguém tem a obrigação de saber que estamos, acima de tudo, educando pessoas para fazer do mundo um lugar melhor.



EXCITE! EXCITE!


Por um "Henshin" na Educação!

Tudo que eu falei até agora se resume em cinco definições rápidas:
  1. Nosso atual modelo de Ensino está uma merda e precisa mudar;
  2. a melhor forma de educar é divertindo;
  3. games são mais legais do que sala de aula;
  4. games deveriam ser usados em prol do aprendizado;
  5. eu faço parte de uma startup de Educação que você (que leu todo o texto acima) pode chamar de “uma startup de games”.


E como misturar “conhecimento” com “diversão” é comigo mesmo, devo aproveitar a ocasião e trazer pra conversa o assunto que é o meu preferido ever: Tokusatsu!
Na verdade, nunca tivemos um representante do Tokusatsu tão apropriado pro assunto “games” quanto o mais novo Kamen Rider: Ex-Aid. Falo da série que estreou no último dia 2 de outubro no Japão e que já me cativou em cheio.


Kamen Rider Ex-Aid estreou no dia 2 de outubro no Japão.

Kamen Rider Ex-Aid é a série que apresenta um super-herói que é um médico residente e gamer. O sujeito em questão chama-se Emu Hojo, tem 22 anos e adquire os poderes de Ex-Aid ainda no primeiro episódio da série, graças a suas habilidades como gamer. O fato de ser médico faz com que ele dê um sentido a mais a sua missão de salvar vidas e fazer o bem. É também um elemento inédito em séries Kamen Riders: já tivemos Riders médicos em séries anteriores (Keisuke Jin, o Kamen Rider X; e Akira Date, o Birth), mas um “médico gamer” é algo realmente inédito.


Emu Hojou, o Kamen Rider Ex-Aid, exerce a profissão de médico residente.

E se eu, que sou um gamer de meia-tigela, que se criou vendo Riders mais “sérios” e sombrios como Black, curtiu demais o Ex-Aid, imagina então a molecada que tá só pela pirotecnia e que ainda por cima adora videogames? Na boa: acho que a Toei acertou em cheio ao criar esse herói!
Melhor que isso só o crossover recentemente anunciado: Kamen Rider Ex-Aid versus... Pacman!!! Simmmmm!!! Será o especial que reunirá os cinco últimos Kamen Rider (Ex-Aid, Ghost, Drive, Gaim e Wizard) com um dos personagens mais icônicos do mundo dos games. Sério, eu sou muito fã de Tokusatsu e esse é o tipo de coisa que, pra mim, não tem preço! É certamente uma das coisas que mais me alegram na vida!


Cartaz promocional do filme Kamen Rider Generations.

Vale observar que o Pacman é o principal personagem da Namco, empresa japonesa de jogos eletrônicos que se fundiu com a Bandai, a principal fabricante de brinquedos no Japão e também fabricante dos produtos licenciados da Toei (Kamen Riders, Super Sentais, Metal Heroes…), Tsuburaya (Ultraman) e tantas outras produtoras de Tokusatsu, anime, mangá ou games. Logo, esse crossover com o Pacman não se mostra tão “inusitado” assim, apesar da “incompatibilidade” de se colocar um Kamen Rider e o Pacman numa mesma cena. Só quem viu os primeiros episódios do Ex-Aid consegue imaginar esse encontro ganhando forma.


Meu coração não dá conta! *.*

Estou muito feliz em ver o tema “videogame” aparecendo como elemento central de uma série Kamen Rider. Mais legal ainda: games de 8 bits de plataforma, no melhor estilo Mario, Megaman, Sonic, Donkey Kong e tantos outros jogos que, por pouco, não eliminaram minhas impressões digitais.


Portanto, viva o conhecimento! Viva a diversão! Viva os videogames! Viva o Kamen Rider Ex-Aid!!!


Game clear!

REFERÊNCIAS

Professor Pokemon Go: youtube.com/watch?v=kK5KjI8tGwU
Gaming can make a better world | Jane McGonigal: youtube.com/watch?v=dE1DuBesGYM
Primeiro episódio de Kamen Rider Ex-Aid legendado em português: http://www.superanimes.com/kamen-rider-ex-aid/episodio-1