quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Vamos mudar o destino da educação com nossas próprias mãos!

Zerando o nosso modelo de ensino sem continues!

Eu tinha prometido que iria retomar aqui, neste blog, uma discussão que iniciei meses atrás sobre soluções para a Educação, algo derivado dos problemas detectados no sistema de ensino.


Pois bem, cá estou eu pra trazer esse assunto novamente à discussão. E pra ir direto ao ponto (que é o equivalente a "apertar start pra dispensar a abertura de um game"), vamos pular para o que eu acredito que seja a "salvação" da educação no futuro: os jogos eletrônicos!



GAME START!



Uma pergunta idiota que nem merece ser respondida: "O que uma criança de qualquer idade prefere: escola ou videogame?" Eu disse que não precisaria de resposta.
O que boa parte dos adultos e professores pensam disso? "Que o mundo tá perdido, que essa molecada só quer saber de jogar essas porcarias, que isso é perda de tempo..." Eu ouvia isso enquanto jogava Super Nintendo, pessoas um pouco mais novas do que eu ouviram isso com o Playstation e agora temos pessoas ouvindo a mesma coisa enquanto se divertem com LOL ou Pokemon Go. Os games até que evoluíram bastante, mas o discurso rabugento e ranzinza nem um pouco.


Sabe aquele famoso ditado, "Se não pode vencê-los, junte-se a eles"? Bom, eu penso por aí: tentar combater esse sucesso avassalador que são os games é algo praticamente impossível. Mas e o que os adultos fazem com relação a isso? Reclamam, claro. Só reclamam.


Claro que existem algumas exceções como esse brilhante professor que soube ensinar trigonometria com Pokemon Go.
De quebra, ele ainda falou uma baita verdade sobre a rixa "professores VS. wikipedia" no mesmo vídeo.







MINHA HISTÓRIA COM OS GAMES


Eu sou suspeito pra emitir minha opinião sobre jogos eletrônicos porque sou perdidamente apaixonado por esse universo. Minha história de amor com o mundo geek começou justamente com os games que jogava na companhia dos meus irmãos e do meu pai, que era o melhor jogador da casa. Uma das memórias mais agradáveis que eu tenho da minha infância era dos tempos em que nós quatro ficávamos horas no quarto jogando Super Mario 3 (e depois Super Mario World).


Super Mario 3: o primeiro jogo a conquistar meu coração!

Eu era muito, mas muito fã do Mario ("mas que Mario?" o teu c*). Foi o primeiro personagem que eu aprendi a desenhar e a "colecionar". Foi também o que fez eu me interessar por outros games viciantes como Tiny Toons, Donkey Kong, Megaman e, claro, Street Fighter (esse numa fase mais pré-adolescente já).
Foi graças aos videogames que eu virei rato de banca de revistas. Todo dia, depois da aula, dava um jeito de passar na banca pra ver se tinha alguma revista nova com dicas e informações sobre jogos. Taí algo que a molecada mais nova nem conseguiria imaginar: havia muitas revistas especializadas em videogames nas bancas. As mais importantes, segundo a minha memória, eram a Videogame (da editora Sigla), a Ação Games (da editora Azul), a Super Game Power (da Nova Cultural) e a Gamers (da editora Escala). O Uol fez uma série de documentários bem interessante sobre essas quatro revistas: youtube.com/playlist?list=PLvXtU9_H4Rju0i8YBEdlK8GAo4u-mfG4s


Que saudade dessas revistas!

Alguns dos meus sonhos de infância eram ter meu próprio fliperama e lançar uma dessas revistas de videogame (porque eu achava que faria muito sucesso compartilhando aquelas dicas que só eu tinha).
Mas eu nunca fui um exímio gamer, por incrível que pareça. Pra ser sincero, eu jogo até mal pra um cara que se diz envolvido com esse universo. O que eu mais curtia nos jogos mesmo eram as histórias (por mais bobinhas e comerciais que fossem), os personagens, as continuações... Lembro que eu adorava assistir ao desenho animado do Super Mario Bros na Globo, durante a programação da TV Colosso. O mesmo se aplica ao anime de Street Fighter que passava nas manhãs de sábado, no SBT.
Tal envolvimento continuou me acompanhando conforme fui crescendo e eu nunca deixei de me relacionar com esse público geek/nerd.



FAZENDO DO LIMÃO UMA LIMONADA


Deve haver algo mais últil do que reclamar pra fazer, né?

A designer de games Jane McGonigal é uma das maiores autoridades do mundo quando o assunto é "gameficação". Nessa interessantíssima palestra, ela levanta uns dados muito interessantes:




10 mil horas praticamente uma mesma atividade é o tempo necessário que uma pessoa precisa pra virar especialista naquilo. É o que chamam de "virtuoso". 10 mil horas estudando um novo idioma, por exemplo, é o que bastaria pra te tornar fluente. 10 mil horas é o tempo que um aluno passa dentro da sala de aula entre o 1º ano do Ensino Fundamental até o 3º ano do Ensino Médio (bom... eu precisei de bem mais do que isso, mas enfim...). 10 mil horas é equivalente a, mais ou menos, cinco anos que um profissional passa exercendo a mesma função. 10 mil horas, pasme, é o tempo que uma criança de 7 anos passou interagindo com jogos eletrônicos.


Eles jogam videogame como os melhores profissionais que você conhece. (foto: Growing Leaders)



Yes, baby! Uma criança de 7 anos já chega na escola com experiência prática suficiente pra ser certificada como "especialista em games". Pode parecer um absurdo, mas só quem acompanha a rotina de uma criança dessa idade sabe o que é isso. Eu tenho um sobrinho de 6 anos que passa maior parte do seu tempo com os dedos sobre uma tela de smartphone ou tablet (ou do computador), debulhando jogos que fazem eu me sentir um completo ignorante. E joga bem!


Difícil de desgrudar do tablet.

E o que nós estamos fazendo com esses virtuosos de 7 anos? Dizendo que videogame é perda de tempo. ¬¬


Ainda bem que Jane pensou além e se preocupou em criar maneiras de tirar proveito desse talento solto no ar. Algumas iniciativas como o "World without Oil", o "Superstruct" e o "Evoke" só foram possíveis graças a esse olhar pró-gameficação.



TORNANDO O CONHECIMENTO VICIANTE


Eu acredito que a Educação é a chave para transformar o mundo e, por pensar assim, assumi a responsabilidade de ajudar a melhorá-la. É através da boa Educação que teremos mais Teslas e menos Hitlers. E isso fará uma diferença incrível no futuro. Mas eu acredito também que esse nosso atual modelo de Educação, totalmente industrial, repetitivo e previsível, está falido.


Aí que eu me refiro!
Por entender que está na hora de mudar esse cenário e, principalmente, pela vontade que eu tenho de ajudar nessa transformação fazendo o que eu gosto e sei fazer melhor é que eu aceitei o convite do meu amigo Will Ceolin para me tornar um dos co-founders do Zoonk. Nosso objetivo é transformar a Educação em algo mais do que divertido: em algo viciante. Em algo que as crianças tenham prazer e que queiram fazer cada vez mais. Na verdade, o conhecimento sempre deveria ter sido assim, né? Quando crianças aprendem as coisas na marra, enfileiradas numa sala de aula durante intermináveis quatro horas por dia, sem entender o porquê de estarem aprendendo (decorando) fórmulas e equações sem sentido, é porque tem algo muito errado acontecendo.


This is Zoonk!

E qual seria uma boa forma de tornar o conhecimento em algo divertido e viciante? Adivinhou: com games, que são normalmente divertidos e viciantes!


"Mas eu queria tanto continuar caminhando por Marte!!!" (foto: Family Friendly HQ)

Só vamos deixar uma coisa clara aqui: o Zoonk não é uma startup de games. É uma startup de Educação. Mas não se preocupe em decorar essa definição porque ela não vai cair na prova (como se “prova” provasse alguma coisa, né?). Mas é importante deixar isso bem claro para não gerar expectativas equivocadas. Assumir-se como uma “startup de games” pode dar a entender que somos desenvolvedores, programadores, expert em games… Nada disso! Aliás, nem eu e ninguém da nossa equipe é um perito em desenvolvimento de jogos eletrônicos. Alguns de nós sequer jogam. Eu mesmo, apesar de ser apaixonado por esse universo, não me considero um gamer (ou Angry Birds e emulador de Super Nintendo contam?). Se colocasse qualquer um de nós numa conversa com um especialista em games, tenho certeza, iríamos passar vergonha assim que termos técnicos ou conceitos básicos fossem mencionados.


No máximo uns peguinhas" de vez em quando. Mas bem "de boa".

Mas, em compensação, me sinto mais confortável ao assumir o Zoonk como uma startup de Educação. Aí sim: já trabalho há oito anos com instituição de ensino que atua em todos os níveis (do maternal ao doutorado). Os demais integrantes do Zoonk também: ou trabalham ou já trabalharam com educandários.
Além do mais, tenho uma experiência bem intensa com o nosso contestável modelo de ensino desde os tempos de escola. Eu era um péssimo aluno. Minhas notas eram as piores da turma e eu cheguei a me sentir um imbecil por causa disso. Achava que eu era mentalmente desfavorecido por não ter facilidade em decorar fórmulas e responder corretamente o que caía nas provas. Achava que meus colegas, que tiravam notas melhores do que eu, eram mais inteligentes e “melhores” do que eu. Felizmente, os anos de escola passaram e eu descobri, tempos depois, que eu não era tão idiota quanto eu pensava (ou quanto a escola fez eu pensar que era). Eu tinha muitas habilidades para fazer coisas que não necessariamente caíam nas provas ou nos trabalhos escolares. O fato de não saber usar a fórmula de baskara ou de ter dificuldades para entender a quimiossíntese do Reino Monera não era necessariamente um atestado de ignorância.


"O mundo está cheio de gênios que pensam ser idiotas porque sempre foram maus naquilo que os obrigam a ser bons." 

Além disso, eu era também um incômodo contestador. Cheguei a ser expulso da escola e troquei várias vezes de colégio por mau comportamento e desavenças com professores. Na época eu ainda não sabia dizer exatamente o que havia de errado com o sistema de ensino mas sabia que tinha algo muito errado naquilo. Os professores e diretores, claro, achavam que era apenas birra ou recalque de um adolescente revoltado que tirava notas baixas. De vez em quando eu até os surpreendia com algum lapso de criatividade ou caricaturas sádicas. Mas toda vez que eu fazia algo do tipo ouvia coisas do tipo: “Por que você não usa esse talento e essa criatividade para coisas realmente importantes?”. O mesmo valia pros placares de Copa do Mundo, que eu sabia decór: “Por que você não decora coisas como tabela periódica?


Pra mim, placares de Copa faziam muito mais sentido do que esse troço ae.

Posso te garantir que existem outras histórias como essa por aí. Talvez até você mesmo tenha algumas histórias assim, certo?
Eu vejo no Zoonk uma excelente oportunidade de ligar os pontos e de impedir que futuras gerações caiam na mesma armadilha que eu caí. Tenho certeza de que se as crianças de hoje, desde que tenham oportunidades e aptidões semelhantes às minhas, têm tudo pra serem pessoas “melhores” do que eu se tiverem a felicidade de ter uma educação “melhor”. E “melhor” aqui significa “mais compatível com o mundo vigente”. Eu não acho que os professores que me educaram eram maus profissionais, nem despreparados e muito menos mal intencionados. Só acho que eles estavam ensinando seus alunos para viverem no mundo de meio século atrás, um mundo bem diferente daquele em que eu nasci e mais diferente ainda do mundo de hoje.


A escola de um século atrás é a mesma de hoje. (foto: Library of Congress)

É chato afirmar isso mas a verdade dói mesmo: “a escola de hoje forma indivíduos para o passado”. Na universidade não é diferente: temos cursos com grades curriculares ultrapassadas e que destoam do cenário com o qual o egresso vai se deparar.
Com o Zoonk, queremos que as pessoas desenvolvam tesão por aprender e que, com esse tesão circulando pelas veias, elas se dêem o direito e a liberdade de correr atrás do conhecimento na melhor biblioteca do mundo: a internet, a Wikipedia, o Youtube, o Google… São os principais provedores de informação e de conhecimento  no mundo. Antigamente esse até podia ser o papel da escola e dos professores, mas já não é mais. O professor já não pode mais se contentar em ser um reprodutor de conteúdo que dispara informações num quadro negro e em aulas decoradas. Isso é meramente conteúdo. E conteúdo se adquire em tantos outros lugares como livros, vídeos, sites especializados... O professor tem que ser aquele cara que faz o aluno começar a se interessar pelo assunto. Que faz matemática parecer algo interessante e importantíssimo, mesmo para aqueles alunos que nunca tiveram a menor vontade de aprender.


A melhor escola do mundo chama-se Youtube.

Sempre digo que o meu interesse por futebol foi uma das minhas melhores “aulas de geografia”, porque fez eu pesquisar e estudar demais sobre continentes, hemisférios, capitais, idiomas, culturas, fusos horários, índices populacionais e tantas outras coisas que na escola eu achava chatíssimo. É o interesse que impulsiona a busca pelo conhecimento.
E esse interesse tem que fluir da forma mais natural e divertida possível, para que seja algo sutil, indolor e prazeroso. Por isso que nós apostamos demais na gameficação, que me parece o atalho perfeito para que a piazada de hoje seja ainda mais esperta e com mais alegria. Eu gosto mais ainda do conhecimento quando ele está disfarçado: quando você aprende Geografia com futebol, ou estuda História vendo Chapolin, ou então adquire noções em japonês tentando ler um mangá. “Sem querer”, você aprende algo novo!


Aprender História com o Chapolin era bem mais divertido.

E agora que você já sabe qual o nosso propósito e que o nosso foco é em Educação, pode espalhar por aí que somos uma startup de games. Não tem problema. Deixa todo mundo achar que a gente só quer fazer joguinhos divertidos. Ninguém tem a obrigação de saber que estamos, acima de tudo, educando pessoas para fazer do mundo um lugar melhor.



EXCITE! EXCITE!


Por um "Henshin" na Educação!

Tudo que eu falei até agora se resume em cinco definições rápidas:
  1. Nosso atual modelo de Ensino está uma merda e precisa mudar;
  2. a melhor forma de educar é divertindo;
  3. games são mais legais do que sala de aula;
  4. games deveriam ser usados em prol do aprendizado;
  5. eu faço parte de uma startup de Educação que você (que leu todo o texto acima) pode chamar de “uma startup de games”.


E como misturar “conhecimento” com “diversão” é comigo mesmo, devo aproveitar a ocasião e trazer pra conversa o assunto que é o meu preferido ever: Tokusatsu!
Na verdade, nunca tivemos um representante do Tokusatsu tão apropriado pro assunto “games” quanto o mais novo Kamen Rider: Ex-Aid. Falo da série que estreou no último dia 2 de outubro no Japão e que já me cativou em cheio.


Kamen Rider Ex-Aid estreou no dia 2 de outubro no Japão.

Kamen Rider Ex-Aid é a série que apresenta um super-herói que é um médico residente e gamer. O sujeito em questão chama-se Emu Hojo, tem 22 anos e adquire os poderes de Ex-Aid ainda no primeiro episódio da série, graças a suas habilidades como gamer. O fato de ser médico faz com que ele dê um sentido a mais a sua missão de salvar vidas e fazer o bem. É também um elemento inédito em séries Kamen Riders: já tivemos Riders médicos em séries anteriores (Keisuke Jin, o Kamen Rider X; e Akira Date, o Birth), mas um “médico gamer” é algo realmente inédito.


Emu Hojou, o Kamen Rider Ex-Aid, exerce a profissão de médico residente.

E se eu, que sou um gamer de meia-tigela, que se criou vendo Riders mais “sérios” e sombrios como Black, curtiu demais o Ex-Aid, imagina então a molecada que tá só pela pirotecnia e que ainda por cima adora videogames? Na boa: acho que a Toei acertou em cheio ao criar esse herói!
Melhor que isso só o crossover recentemente anunciado: Kamen Rider Ex-Aid versus... Pacman!!! Simmmmm!!! Será o especial que reunirá os cinco últimos Kamen Rider (Ex-Aid, Ghost, Drive, Gaim e Wizard) com um dos personagens mais icônicos do mundo dos games. Sério, eu sou muito fã de Tokusatsu e esse é o tipo de coisa que, pra mim, não tem preço! É certamente uma das coisas que mais me alegram na vida!


Cartaz promocional do filme Kamen Rider Generations.

Vale observar que o Pacman é o principal personagem da Namco, empresa japonesa de jogos eletrônicos que se fundiu com a Bandai, a principal fabricante de brinquedos no Japão e também fabricante dos produtos licenciados da Toei (Kamen Riders, Super Sentais, Metal Heroes…), Tsuburaya (Ultraman) e tantas outras produtoras de Tokusatsu, anime, mangá ou games. Logo, esse crossover com o Pacman não se mostra tão “inusitado” assim, apesar da “incompatibilidade” de se colocar um Kamen Rider e o Pacman numa mesma cena. Só quem viu os primeiros episódios do Ex-Aid consegue imaginar esse encontro ganhando forma.


Meu coração não dá conta! *.*

Estou muito feliz em ver o tema “videogame” aparecendo como elemento central de uma série Kamen Rider. Mais legal ainda: games de 8 bits de plataforma, no melhor estilo Mario, Megaman, Sonic, Donkey Kong e tantos outros jogos que, por pouco, não eliminaram minhas impressões digitais.


Portanto, viva o conhecimento! Viva a diversão! Viva os videogames! Viva o Kamen Rider Ex-Aid!!!


Game clear!

REFERÊNCIAS

Professor Pokemon Go: youtube.com/watch?v=kK5KjI8tGwU
Gaming can make a better world | Jane McGonigal: youtube.com/watch?v=dE1DuBesGYM
Primeiro episódio de Kamen Rider Ex-Aid legendado em português: http://www.superanimes.com/kamen-rider-ex-aid/episodio-1

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