Jacque Fresco acredita que, numa eventual Economia Baseada
em Recursos, os esportes competitivos darão lugar aos esportes mais
cooperativos e recreativos, reflexo de um sistema que incentiva menos a
competição entre indivíduos e/ou equipes. No entanto, acho pouco provável que
esportes populares como o futebol percam sua relevância. Muito pelo contrário,
acho que o fato das pessoas não se preocuparem com dinheiro, trabalho e
sustento seria um bom motivo para que peladeiros, que hoje fazem isso por
hobby, dedicassem mais tempo do seu dia praticando o esporte, seja o futebol ou
qualquer outro que os faça se sentirem bem.
O futebol se tornaria algo mais recreativo e menos
“capitalista” (óbvio). Sabemos que, no mundo de hoje, esse esporte é uma
máquina de fazer dinheiro e, como via de regra, um amplo e fértil playground
para os corruptos encherem seus bolsos de grana, lavarem dinheiro sujo e tudo
aquilo que cansamos de ver nos noticiários. A entidade máxima do futebol mundial
não me deixa mentir.
Sem dinheiro pra roubar, sem gananciosos pra corromperem
coisa alguma e sem todo esse mar de lama que envenena o futebol, teríamos um
cenário bem diferente, certo? Então eliminemos a FIFA e seus pilantras
engravatados da equação, pra começo de conversa. Felizmente, o futebol
sobreviveria sem eles. No começo, seria tudo muito confuso e desorganizando,
cada um por si, mas aos poucos surgiriam “associações” entre alguns clubes de
mesmo interesse (não confunda com o Clube dos 13) pra estabelecer um mínimo de
ordem.
Os presidentes dos clubes seriam como “representantes de
ONGs” ou de “torcidas organizadas”: pessoas muito identificadas com seu clube e
que farão o possível pra ganhar os principais títulos e “contratar” os melhores
jogadores. Exclui-se aqui a necessidade de um paletó, lobby político, rabo
preso com patrocinadores ou salário astronômico.
MERCADO DA BOLA
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| Quem contrataria quem sem o dinheiro na jogada? |
Quem gosta de jogar e assistir futebol continuaria fazendo a
mesma coisa. A diferença é que os jogadores teriam outros tipos de critério na
hora de escolher o clube a ser defendido. Neymar, por exemplo, nunca trocaria o
seu amado Santos pelo Barcelona. Carlitos Tevez passaria a vida toda jogando no
Boca Júniors, inclusive no auge da sua carreira. Ronaldinho Gaúcho nunca
deixaria o Grêmio (quer dizer...). Ao invés do dinheiro, o que faria um jogador
ir para o clube X, ao invés do clube Y, seria a sua identificação com o mesmo.
Mas se fosse por isso, clubes como Flamengo e Corinthians
teriam que colocar milhões de jogadores em campo, certo? Não, acredito que
continuaríamos com onze jogadores pra cada lado e mais uns doze no banco. Jogar
no Flamengo seria para pouquíssimos: os melhores! Seria como trabalhar no
Google: todo mundo quer, mas as vagas são limitadas. Então, um jogador que ama
o Flamengo e sonha jogar no rubro-negro carioca precisaria ser muito bom pra
conseguir essa façanha. Do contrário, teria que se contentar em jogar num clube
menor até fazer por merecer uma chance (ou desistir). Não é muito diferente do
que vemos hoje, exceto pela parte da grana. A expressão “amor à camisa”
finalmente passaria a fazer sentido.
Mas e quem determinaria que o fulano pode vestir ou não a
camisa do Flamengo? O técnico do time, oras! E quem define o técnico do time? O
presidente e seu respectivo conselho (talvez a torcida poderia opinar e
participar da escolha, mas isso dependeria da política de inclusão do time). Nesse
aspecto, seria mais parecido com uma seleção do que com um clube: ao invés de
contratações, teríamos convocações (na verdade, convites, porque o jogador pode
recusar a proposta, caso não vá com a cara do time). Alguns jogadores iriam
desenvolver uma relação tão forte e profunda com seu clube e sua torcida que
passariam a carreira toda atuando no mesmo time. Outros não seriam tão fiéis
assim e agiriam como “putas”, passando por vários tipos de clube do mundo.
Digamos que seja o “poliamor” do futebol.
ESTÁDIOS
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| Quantas cabeças cabem no "Xoxotão" de Doha, no Qatar? |
Com robôs trabalhando no lugar das pessoas, teríamos
estádios “padrão FIFA” no mundo inteiro (e não somente em cidades-sede da Copa
do Mundo). Estádios lindos, confortáveis, com altíssima tecnologia e
sofisticação. Mas não daria pra colocar um milhão de espectadores no mesmo
lugar, certo? E sem o dinheiro em questão, ficaria complicado de vender
ingressos ou estabelecer um valor monetário para quem quisesse ver a partida.
Seria um evento público e gratuito, mas de altíssima demanda.
Sendo assim, quem chegar primeiro, pega o melhor lugar. É
como ficar na primeira fila de um show: ou você chega com bastante
antecedência, ou dá uma de malandro e vai tomando a frente dos outros. De
qualquer forma, é bem provável que tenhamos gente acampando na frente do
estádio até a abertura dos portões, chegando na arquibancada com 12 horas de
antecedência, vivendo intensamente aquele momento. Ei, mas não é isso que as
torcidas organizadas fazem hoje?
Lógico que muita gente teria que se contentar em assistir à
partida no conforto do lar. Ou num telão disponibilizado em praça pública, que
é o que costuma acontecer nos eventos Fan Fest da FIFA durante a Copa do Mundo.
A opção de ver um jogo no estádio provavelmente ficaria com os torcedores mais
fanáticos. Se um pai quiser levar o filho pra ver o time jogar, aí teria que
chegar mais cedo e entrar com antecedência. Esse provavelmente seria o “custo do
ingresso”.
PAÍSES X CLUBES
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| O "japonês" (???) André Santos. Mundo globalizado é isso aí. |
Com ou sem EBR, o nacionalismo é uma coisa que tende a
perder sua importância na próximas décadas. Conforme a tecnologia e a
comunicação avançam, a globalização se consolida e as fronteiras caem por
terra. Viajar pelo mundo já não é um sonho tão distante. Conhecer e conversar
com pessoas de outros continentes também se tornou tão cômodo quanto ter amigos
em cidades vizinhas. Nesse aspecto, o mundo se tornou uma coisa só. Logo, as
fronteiras deixam de fazer sentido.
Na EBR, viajar pelo planeta inteiro seria gratuito. Teríamos
pessoas que passariam a vida toda viajando. Conhecer os cinco continentes seria
tão banal quanto conhecer todos os bairros de uma pequena cidade. Muita gente
se tornaria nômade, preferindo morar uma semana em cada país ao invés de
estabelecer residência fixa no mesmo lugar.
Com o nacionalismo em baixa e sem a necessidade de exaltar a
pátria mãe, poucos seriam aqueles que iriam bater no peito pra ostentar esse
tipo de orgulho. Mas sabemos que o ser humano é uma criatura que tem um forte
“sentimento de pertencimento”. O meu palpite é que será muito mais comum ver as
pessoas idolatrarem o clube do coração do que a seleção nacional. De certa
forma, isso é um movimento que já está acontecendo. Só depois que o Brasil
deixou de ser “o país do futebol” (e, principalmente, depois do 7 a 1) é que
algumas pessoas passaram a desacreditar e perder o amor pela Seleção
Brasileira.
Com clubes isso raramente acontece. O clube possui uma
relação diferente com o torcedor, pois existem outros motivos que te levam a
torcer por ele. A seleção não te dá motivo nenhum: “você nasceu aqui, então
torça pelo seu país!” Tá certo que muitos torcedores acabam adotando um clube
porque o pai determinou (ou um tio, um amigo, um padrinho...). Ainda assim, me
parece uma relação mais amorosa e sincera do que “você nasceu aqui”. Gosto de
comparar a relação “clube X seleção” com “amigo X parente”: “amigo a gente
escolhe, parente vem no pacote”.
Além do mais, o clube tem aquela questão saudável da “flauta
na segunda-feira”. Corinthianos convivem com palmeirenses e vice-versa. Acompanhar
o desempenho de ambos os times é quase um complemento à rotina. Já um
brasileiro que nunca saiu do país raramente vai ter aquele gostinho de tirar
sarro da cara do outro: “nós temos cinco títulos mundiais, você não!” Num mundo
mais globalizado, contudo, seria comum ver torcedores do Flamengo discutindo
com torcedores do Barcelona, Corinthianos batendo boca com torcedores do Real
Madrid, fãs do Boca Júniors com os do Manchester United...
PATROCÍNIOS
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| Ninguém merece ter que olhar pra esse tipo de aberração, né? |
Nem preciso explicar essa parte, né? O patrocínio seria
totalmente dispensável. Camisetas que mais parecem páginas de classificados
iriam finalmente dar um descanso aos nossos olhos. Talvez, no máximo, teríamos
alguma “causa” no lugar de uma marca: “Doe sangue!”, “Feliz Natal!”, “Paz nos
estádios”, “Somos todos macacos”. Ainda assim, o bom senso prevaleceria.
REGRAS
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| "Pode isso, Arnaldo?" |
Não acho que o Capitalismo ou a fome da FIFA pelo lucro interfira em alguma regra do futebol. Talvez, no máximo, teríamos uma modernização maior em termos de uso da tecnologia. Num mundo menos desigual, não haveria problemas de implementar chips, por exemplo, ou goleiras inteligentes em campeonatos disputados na África. É bem provável que a adesão por auxílios tecnológicos fosse maior, o que no mundo de hoje é algo bem discutível e que esbarra numa restrição bastante contestada por parte da FIFA. Talvez o bandeirinha finalmente seja substituído por um robô.
COPA DO MUNDO
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| Imagina na Copa! |
Acho que uma competição entre clubes tomaria o lugar da Copa
do Mundo entre nações. Assim, teríamos um sistema semelhante ao que vemos em
competições nacionais: Primeira Divisão, Segunda Divisão, Terceira Divisão... Mas
dessa vez seria a nível global!
E qual seria o número ideal para clubes na Primeira Divisão,
a elite do futebol mundial? Penso que 20 seria uma boa quantia. É o mesmo
número seleto de clubes que temos hoje no Campeonato Brasileiro, no Espanhol,
no Italiano, no Inglês...
Para estruturar bem a competição, uma boa opção seria
dividir os 20 clubes em quatro grupos de cinco. Essa divisão seria determinada
por sorteio. Dentro dos grupos, os clubes jogariam entre si em jogos de
ida-e-volta, ou seja, cada clube disputaria um total de oito jogos na primeira
fase.
Apenas os dois primeiros colocados de cada grupo garantiriam
vaga para as quartas-de-final. O último colocado de cada chave seria rebaixado
para a Segunda Divisão. Nas quartas e nas semi-finais teríamos novamente
confrontos de ida-e-volta. A final, porém, seria realizada em um jogo único, ao
estilo Liga dos Campeões, com toda a pinta de “Super Bowl”. O local do
confronto seria pré-determinado antes do início da competição.
Seguindo esse modelo, os clubes finalistas teriam que
encarar um total de 13 partidas na competição. É o número de semanas de uma
estação do ano (ou o número de episódios de uma temporada de seriado). Isso
significa que o torneio poderia ser disputado numa única temporada anual. Dessa
forma, cada clube disputaria no máximo um jogo por semana, engrandecendo a
exclusividade de cada confronto.
O campeonato seria anual. Ao invés da Copa do Mundo da FIFA,
que acontece a cada quatro anos, esta seria de quatro em quatro estações.
Simulei um sorteio de grupos no qual teríamos os vinte
principais times do mundo disputando o torneio. Adotei como critério os dez
times de maior torcida no mundo, seguindo daqueles que possuem maior número de
fãs no Facebook. A formação dos grupos ficou assim:
Acredito que a primavera do hemisfério norte seria uma boa
época para a disputa do torneio (nem tão quente e nem tão frio para os times de
ambos os continentes). Ou seja, a competição iniciaria em meados de 21 de
março, encerrando-se aos 21 dias do mês de junho. O restante do ano poderia ser
dedicado a amistosos e competições menores.
Digamos que, no ano de 2045, o torneio comece em 24/3
(sexta-feira) e termine num domingo, 25/6.
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| O Flamengo, da maior torcida do mundo, teria muitos adeptos jogando por "amor à camisa". |
Séries B, C e D
Diferente da “Série A”, a Segunda Divisão poderia ser menos
“escassa” e ter 40 times, ao invés de 20. Os quatro melhores desses 40
garantiriam acesso à Primeira Divisão do ano seguinte. Já os oito piores (para
manter 1/5 da totalidade) despencariam para a Série C.
Pra seguir o padrão, poderíamos fazer uma série C com um
total de 60 equipes: sobem oito e caem doze. Já na Série D, você já deve estar
imaginando, teríamos 80 clubes: sobem doze, caem dezesseis.
Repare que, somando as séries A, B, C e D já temos um total
de 200 clubes!
Os dezesseis piores colocados da Série D seriam
substituídos, no ano seguinte, pelos dezesseis melhores “desabrigados” (equipes
fora do “Top 200”) colocados no Ranking. Esse Ranking envolveria todos os
clubes do mundo e seguiria um critério coerente de pontuação (ou seja, bem
diferente do atual Ranking da FIFA).
40 Clubes da Série B:
Sevilla, Wolfsburg, Internacional, Atlético Madrid, Napoli, Villarreal,
Fiorentina, Athletic de Bilbao, Porto, Valencia, Borussia Dortmund, Santos,
Dynamo Kyiv, PSG, Jeonbuk Motors, Atlético Mineiro, Zenit, Seoul, Sporting CP,
Borussia M'gladbach, Al Hilal, Monaco, Suwon Bluewings, Grêmio, Bayer
Leverkusen, Santa Fé, Palmeiras, Dnipro Dnipropetrovsk, Cruzeiro, Seongnam,
Lazio, Shakhtar Donetsk, Benfica, Liverpool, Al Ahly, Racing Club, Atlético PR,
Roma, Schalke e Tigres-MEX.
60 Clubes da Série C:
Tottenham Hotspur, Club Brugge, Sporting Braga, Guangzhou Evergrande, Sport
Recife, Fluminense, Al Ahli, Ajax, Gamba Osaka, Chapecoense, San Lorenzo,
Pohang Steelers, Torino, Estudiantes, Huracán, Krasnodar, Internazionale, CSKA
Moskva, Al Nassr, Basel, Espanyol, Celta de Vigo, Independiente, Saint-Étienne,
Everton, Incheon United, PSV, Olympiakos Piraeus, Garaní-PAR, Ulsan, Ponte
Preta, Rosario Central, Southampton, Jeonnam Dragons, Smouha, Leicester City,
Figueirense, Vasco da Gama, Lanús, Real Sociedad, Gent, Stoke City, Deportivo
La Coruña, Anderlecht, Jeju United, Zorya, Partizan, Rayo Vallecano, Crystal
Palace, Rapid Wien, Guingamp, Coritiba, Ismaily, Legia Warszawa, West Bromwich
Albion, Nacional-POR, Málaga, Mainz 05.
80 Clubes da Série D:
Hertha BSC, Banfield, Augsburg, Hamburgo, Belgrano, Avaí, Belenenses, Olympique
Marseille, Köln, Atlético Nacional, Sparta Praga, Swansea City, Kashiwa Reysol,
Werder Bremen, Olympique Lyonnais, Querétaro, Libertad, Santos Laguna, Rio Ave,
Bordeaux, Al Ittihad (SAU), Pachuca, AZ, Goiás, Eibar, Lokomotiv Moskova,
Sassuolo, Feyenoord, Rubin Kazan, Al Mokawloon, Getafe, Dinamo Moskova, Celtic,
Slovan Liberec, West Ham United, Bastia, Beijing Guoan, Atlas, Al Ahli,
Viktoria Plzen, Rosenborg, Lille, Al Ittihad (EGI), Lech, Poznan, Sampdoria,
Chievo, Vorskla, Gwangju, Gimnasia La Plata, Sion, Hoffenheim, Levante,
Herediano, Vitesse, Al Merreikh, Astra, Quilmes, Tigre, TP Mazembe,
Panathinaikos, Tencín, Granada, Salzburg, Genoa, Midtjylland, Petrojet, Caen,
Molde, Empoli, Marítimo, Eintracht Frankfurt, Aldosivi, PAOK, Rostov, Veracruz,
El Daklyeh, Atalanta, Groningen.


















