Entre os dias 13 e 18 de abril, tive o privilégio de fazer um curso sobre futurismo, hacking e tecnologia na Perestroika, em Porto Alegre. Era o curso Tomorrow, ministrado pelo professor Tiago Mattos, um dos sócios-fundadores da Perestroika e também sócio da Aerolito. Tiago foi um dos poucos brasileiros que cumpriu a façanha de estudar durante dez semanas na prestigiadíssima Singularity University.
Fiquei sabendo desse cursos graças à Patroa, que assistiu a uma palestra que o Tiago deu na Escola RBS. Enquanto a palestra rolava, a Patroa ficava me metralhando com mensagens via Whatsapp dizendo que eu iria enlouquecer com esse curso, que tinha a minha a cara e que tinha tudo a ver com os assuntos que eu gosto (Singularidade, tecnologia, futurismo...). Não deu outra: pedi pra Unisc me liberar durante uma semana e pra bancarem esse curso pra mim. Pra minha surpresa, a Unisc topou e lá fui eu!
Cerca de 45 alunos fizeram o curso. A maioria era da área da Comunicação, como eu. Porém, poucos deles já tinham ouvido falar do Ray Kurzweil e daquilo que conhecemos por "Singularidade Tecnológica". Ainda assim, poderia ser uma ótima forma de fazer contatos e de encontrar uma aplicabilidade desses conhecimentos no dia-a-dia do meu trabalho como publicitário na Assessoria de Comunicação e Marketing da Universidade.
Compartilho, abaixo, um relatório bastante longo e detalhado do que vi e vivi nesses cinco dias de curso. E quando eu digo que é bastante longo e detalhado eu falo sério. As informações abaixo são bastante pessoais e representam meramente a MINHA percepção sobre o curso. É um relatório que eu espero voltar a ler daqui a um tempo, para relembrar essa incrível experiência que tive. E se você tiver a oportunidade de fazer esse curso na cidade onde você mora, não pense duas vezes, não olhe pra sua carteira. Simplesmente FAÇA! Ou melhor, "vai lá e faz!".
AULA 1 – Kurzweil está entre nós
Atendi ao pedido de chegar na Perestroika 1h antes do início
oficial da aula, que estava programado para as 20h. Quando entrei lá, me deparei
com algo mais parecido com uma festa rave do que uma “escola”. Tudo bem... eu
já sabia que a Perestroika tinha essa proposta de ser algo mais descolado e
fora dos padrões convencionais. Além da cerveja liberada pra galera, tinha salgados,
docinhos e café. Como eu tava muito a fim de me envolver com o assunto do
curso, fiquei inicialmente só no café. Lógico que, não demorou muito, tive que
partir pra cerveja. Antes mesmo da aula começar. Nesse meio tempo, claro, eu
aproveitei pra trocar umas ideias com alguns colegas e pra fazer a “política da
boa vizinhança”.
A Aline, “diretora de whatever”, me apresentou o Tiago,
professor do curso. Aproveitei a ocasião pra presentear ele com um exemplar do
Ressuscitados. Percebi que ele deu uma rápida folheada e que deu uma lida na
dedicatória que fiz pra ele. Acho que sacou, na hora, o que aquilo tinha a ver
com o tema do curso. Mas como havia outros 40 alunos ali pra tomar a atenção
dele, evitei importuná-lo.
O curso começou antes do horário previsto. Por volta das 19h30,
o Tiago já estava introduzindo o assunto, que inicialmente foi um jabá da
Perestroika e da Aerolito. Aí veio aquela famosa e inevitável dinâmica de auto
apresentação dos alunos. Nesse caso, porém, tinha que ser diferente: ao se
apresentar, cada um deveria riscar um fósforo e deixar o fogo ardendo no
palito. Só se fala enquanto o fogo está aceso. Isso é pra evitar aqueles que
adoram falar de si mesmo e que ficam mais de 10 minutos divagando. Além de se
auto apresentar, cada aluno deveria contar um segredo seu. Mas não seria
qualquer confissão. Tinha que ser um daqueles segredos que jamais se contaria a
um(a) pretendente num primeiro encontro. Particularmente, achei legal a ideia,
bem diferente das apresentações normais.
Percebi que alguns alunos mandaram bem na improvisação e
contaram segredos bem engraçadinhos. Quando chegou a minha vez, eu me deparei
com o meu sério problema de riscar fósforos (eu não sou bom nisso /o\). Ao
falar de mim mesmo, disse: “Meu nome é Bruno, eu nasci em Porto Alegre mas,
hoje, moro em Santa Cruz. E o meu segredo é que eu sou tão nerd, mas tão nerd,
que eu já viajei pro Japão pra voltar com uma mala cheia de bonecos... E eu
choro assistindo Jaspion!”
Depois que eu falei isso, percebi quem alguém, no meio da
sala, gritou: “Jaspion é colorado!!!”.
Só podia ser alguém confundindo Jaspion com Jiraiya e relembrando o
famoso caso em que o ator Takumi Tsutsui (intérprete do Toha Yamashi/Jiraiya) virou
notícia no Brasil inteiro ao ser visto com uma camisa do Inter em 2013 (cinco
anos depois de eu ter presenteado ele com a camisa).
Depois das apresentações, o Tiago pediu para que os alunos
se reunissem em grupos de oito. Me juntei a um grupo de mais cinco rapazes e
duas moças. Nessa dinâmica, cada um deveria escrever, num post it, sobre suas
expectativas com relação ao curso. Havia apenas um minuto pra escrever. Eu
disse que “espero aprender algo além de tudo aquilo que já vi Ray Kurzweil e
Peter Diamandis dizerem e, é claro, encontrar alguma funcionalidade dos conhecimentos
adquiridos no curso para o meu trabalho (até porque é a Unisc quem está pagando
o curso, então...).”
Depois disso, foi a vez de cada um falar pessoalmente sobre
suas expectativas na roda de conversa entre os oito de cada grupo. Quando foi a
minha vez de falar, citei oralmente os nomes de Kurzweil e Diamandis. Quase
ninguém ali da roda tinha ouvido falar desses dois nomes (que coisa, não?). Expliquei
brevemente sobre a importância do Kurzweil e suas previsões. O pessoal do grupo
se interessou mas, lógico, não deu pra me aprofundar muito sobre o assunto.
Apenas disse: prestem atenção, pois o Tiago vai mencionar várias vezes esse
nome ao longo do curso.
Dito e feito. A primeira aula foi basicamente um estudo
sobre a vida e a obra de Ray Kurzweil. Ok, um pouco mais do que isso: foi um
alerta dizendo que as previsões mais malucas e mirabolantes são, geralmente, as
que costumam se concretizar. Para ilustrar esse exemplo, foram exibidos dois
célebres vídeos de Arthur C. Clarke falando sobre suas projeções sobre o futuro
(um vídeo da década de 1950 e outro de 1970). Fabuloso!
A essa altura, já havia alguns alunos do curso dando sinais
de orgasmo. E, realmente, quando se fala do futuro com esse tipo de
perspectiva, é quase impossível não se empolgar. Ao falar sobre a “curva do exponencial”,
Tiago citou a comparação PA e PG. Nada de novidade pra mim: a noção linear de
evolução que a grande maioria das pessoas tem é uma PA. Mas a evolução que
realmente temos no que diz respeito a tecnologia é uma PG. Tiago então usou o
exemplo do copo pra explicar como se projeta uma expectativa de evolução
exponencial.
Depois de muito falar sobre futurismo e da lei de Moore
(que, pra ele, é uma versão beta da “Lei de Kurzweil”), Tiago falou sobre as
duas formas de encarar esse futuro da tecnologia que aguarda todos nós. Há dois
tipos de pessoa: A) as que enxergam o futuro com bons olhos e com entusiasmo;
B) as que enxergam o futuro com medo e repúdio. As pessoas do primeiro exemplo
serão aqueles que construirão o futuro. As do segundo exemplo, sorry, serão
aquelas que apenas o observarão. E você? Faz parte de qual exemplo?
Olhando por esse prisma, sou obrigado a reconhecer que
fiquei empolgado com a primeira aula, embora nenhum exemplo futurístico
ilustrado ali seja novidade pra mim. Nenhum. Mas confesso que os exemplos que
vi ali me deixaram com uma vontade enorme de discutir pessoalmente esse assunto
com o Tiago e os envolvidos. O foda é que a turma era muito grande e a maioria
ali, provavelmente, ainda está só começando a compreender o assunto.
Depois da aula, rolou uma espécie de Happy Hour da saideira,
no qual eu pude discutir o assunto com alguns. A Aline foi uma das que ficou
mais tempo trocando ideias conosco. Também aproveitei a ocasião pra revelar ao
colega Tiago Trindade (o que tinha gritado “Jaspion é colorado!”) que o Jiraiya
é o colorado, não o Jaspion. O Tiago apareceu uma hora na nossa roda de
conversa e eu aproveitei a ocasião pra lhe fazer umas perguntas bem objetivas:
Chegaremos na Singularidade em 2045? Tu foi aluno do Ray Kurzweil? Já ouviu
falar do Venus Project? Conhece pessoalmente o Federico Pistono?
As respostas dele, em versão resumida: “Sobre esse papo de
Singularidade, de 2045 e de ressurreição, falarei mais nas próximas aulas,
portanto, evite dar spoilers pros outros alunos caso esteja mais por dentro do
assunto; Ray Kurzweil deu duas aulas pra mim e eu até cheguei a apresentar minha tese pra ele; Nunca ouvi falar do Venus Project (>_<); Federico Pistono é um grande
amigo meu, já trouxe ele pra Porto Alegre e o levei pra lugares que não posso
revelar.”
Foi só o primeiro dia. Espero que eu possa me aproximar
ainda mais desse pessoal, porque eles manjam muito e, bem provavelmente, o
contato direto e a proximidade com essa turma é o que pode fazer esse curso
valer a pena.
AULA 2 – Potencialmente tosco
No segundo encontro, já comecei a perceber quais eram os
alunos do curso com os quais eu mais tinha proximidade. Um deles é o Franco, de
Pelotas, que conversou comigo na segunda e voltou a sentar perto de mim na
terça. Ele até me mostrou como funcionava a “caixinha” do dinheiro da cerveja.
Franco percebeu que eu não existo no Facebook e
comprometeu-se em me repassar via e-mail tudo aquilo que vinha sendo
compartilhado no grupo. Pelo menos assim eu não fico de fora do que anda
rolando por lá. Quem também estava no curso, como "aluno especial", era o Marcos Piangers,
da Rádio Atlântida. Conversei rapidamente com ele e até comentei sobre a sua
caricatura que eu tinha feito em Santa Cruz, durante a Manhã Criativa. Ele
também garantiu seu exemplar do Ressuscitados. Cara de sorte! :P
A primeira tarefa que o Tiago passou pro grupo foi uma
dinâmica em quintetos. No meu grupo estavam praticamente todos que se reuniram
no dia anterior (Franco, Micheli, Pedro e Luciana). A missão era imaginar como seria o aparelho celular daqui a
dez anos, dentro da lógica de evolução exponencial. O grupo tinha cinco minutos
pra apresentar uma “ideia” e, claro, todos fizeram projeções bastante ousadas
do que seria esse celular futurístico. Basicamente, entramos num consenso de
que o aparelho físico está com os dias contados e que a tal da lente
incorporada ao próprio corpo humano será uma realidade corriqueira em 2025.
Gostei bastante da fala do meu colega Pedro, que também acredita que o mundo culminará
num cenário em que o sistema financeiro será atropelado pela tecnologia, mas isso
certamente vai levar mais do que dez anos.
Depois, foi solicitado que os grupos se dissolvessem e que
cada membro do quinteto fosse pra outro Sentai, totalmente reformulado. Nesse
meu novo grupo, me deparei com outras pessoas que tinham ideias parecidas: o
celular vai deixar de existir fisicamente e vai começar a ser incorporado aos
nossos corpos.
Depois dessa dinâmica, todos voltaram aos seus lugares de
origem e o Tiago, por sua vez, começou a dar o exemplo de várias tecnologias
que estão emergindo hoje. Algumas eram completamente novas pra mim, outras nem tanto. Elas são: impressora 3D (óbvio); Doodler; Thalmic Clabs; Kinect
(muito além dos games de entretenimento); Eye Trackler; Tobii Eyex; Tobii
Glasses; Eeg; Neurosky; Emotiv Epoc; Card Board; Google Glass (in memorian);
Air VR, Smart Glasses, Google Now e; claro, o Oculus Rift.
Vale a pena correr pro Google e dar uma pesquisada sobre
cada uma delas. Uma das coisas mais legais que me chamaram a atenção foi o tal
do Tobii Glass. Meu colega Rodrigo Gesswein comentou que o seu pai (falecido em
março) viveu doze anos com uma doença semelhante à do Stephen Hawking. Por
isso, ele comprou o Tobii Glass, que permitia que o pai dele emitisse sinais na
tela de computador com o simples deslocamento do olhar: o computador é calibrado conforme sua retina e o lugar pra onde você olha se torna o “cursor do mouse”.
O mais interessante de tudo é que são tantas tecnologias
diferentes e com as mais variadas finalidades que, num primeiro momento, são
somente empolgações distintas. Mas, quando você pensa que todas essas
tecnologias podem se fundir num futuro próximo, a parada fica bem mais
interessante. Juntar a realidade virtual com a realidade aumentada (a.k.a.
holograma), com a experiência do Tobii Glass, com a capacidade de captar
movimentos do Kinect e com as demais experiências que estão surgindo vai ser
algo que, muito em breve, revolucionará por completo a tecnologia. E isso sem
falar na intenção que o Facebook tem de tornar o Oculus Rift gratuito.
E olha que, quando se fala em Oculus Rift, é sempre
importante ressaltar que já existem modelos ainda mais avançados e mais
realistas, como o Glyph. Ao concluir a aula, Tiago mostrou mais um vídeo do
Jason Silva (muito bom!). Um vídeo que tinha tudo a ver com o assunto que foi
abordado: a fusão de todas as tecnologias emergentes resultando em algo que
ainda parece muito além do nosso alcance. Estamos falando da evolução
exponencial na área da nanotecnologia, da genética e da robótica. Tudo deve
culminar naquilo que Kurzweil imagina que será a Singularidade e o dia em que
nós nos tornaremos “Deuses”. Lembra exatamente a resposta que o Kurzweil tem
para a pergunta “Deus existe?”: “Ainda não”.
Claro que a cereja no bolo foi o momento “degustação” ao
final da aula, no qual todo mundo que quisesse poderia experimentar o Oculus
Rift. Era um dos momentos que eu mais aguardava. Mas confesso que esperava mais
em termos de experiência. O que me foi apresentado foi o que o próprio Tiago
chamou de “Atari da Realidade Virtual”. E era isso mesmo: gráficos simples
(quase um Dos), funções básicas e sem aquela prometida sensação de tontura. Mas
valeu pela experiência e pelo “first contact”. Também tive a oportunidade de “andar
numa montanha russa” com o CardBoard, de testar a caneta que faz desenhos em 3D
(desatstroso) e de assistir a um trecho dum filme pornô através do Óculos Rift.
Não preciso comentar sobre essa parte, né?
Ao término da aula, bati um papo com o Tiago e comentei que o Oculus Rift é aquela coisa que você olha hoje, acha foda e tal mas, dá pra imaginar isso sendo perfeitamente classificado como algo tosco daqui a alguns anos. Aquele trambolho enorme que não tem como ser algo "moderno" em 2030, por exemplo. "É verdade! Potencialmente tosco, eu diria", comentou o Tiago, ao concordar comigo. Perguntei se
ele acredita na hipótese de, num futuro distante (ou não), podermos “voltar no
tempo” como observadores e ver tudo que já aconteceu na Terra. Falei na
possibilidade dele assistir seu próprio parto e do “Tiago do futuro” estar ali
nos assistindo e rindo da nossa cara. Ele não escondeu o sorriso e falou com
empolgação: “Com certeza!” Isso me anima bastante! E me anima mais ainda quando
percebo que eu estou vislumbrando o futuro com entusiasmo e empolgação, com ou
sem Oculus Rift.
AULA 3 – A Singulariade está chegando mesmo
Cheguei mais cedo na Perestroika dessa vez porque tinha
combinado de trocar uma ideia com o Tiago em particular. Conversei com ele
sobre imortalidade, ressurreição e até sobre trazer os mortos de volta (uma
alusão ao Ressuscitados). A ideia que ele tem sobre isso é um pouco diferente
da minha. Ele acha que isso pode ser viabilizado através da distorção do tempo
como quarta dimensão e através das outras dimensões que ainda não temos
condições de compreender, como a quinta dimensão (Michio Kaku diz que existem
até dez dimensões, mas isso é loucura demais pra minha cabeça). Perguntei
também se o Tiago tem disponibilidade pra dar palestras em outros lugares ou
universidades. Ele disse que, até o final do ano, sua agenda está praticamente
esgotada, até porque ele vai pra Israel em julho e depois vai morar uns dois anos
em um país da Europa.
A terceira aula foi também a mais aguardada por mim, já que
fala justamente sobre o assunto que fez eu me interessar pelo curso:
Singularidade. Pra introduzir esse tema altamente complexo, polêmico e até
filosófico, Tiago começou falando sobre as três revoluções exponenciais que já
estão acontecendo nesse exato momento. E, claro, são a Genética, a
Nanotecnologia e a Robótica (GNR). Quem disse isso não foi o Tiago, e sim o Ray
Kurzweil: foi apresentado (mais um) trecho do Transcendent Man em que esse tema
é abordado.
Sobre genética, demos uma rápida olhada em tendências como a
tal da carne de laboratório e na criação da “vida artificial”. Ao falar da
Nanotecnologia, um dos exemplos mais positivos e empolgantes é o combate ao
câncer através de nanobots que entram no corpo humano e eliminam as células
cancerígenas.
Mas é claro que a principal revolução está na Robótica e na
Inteligência Artificial. “Vocês optaram por fazer um curso sobre futurismo,
então imagino que vocês queiram ver robôs, robôs e mais robôs. Pois então vocês
vão ver muito robô a partir de agora!”, disse o Tiago. Foram apresentados
vários vídeos de robôs fazendo as mais diversas tarefas: o Asimo, o Drexler, o
Jibo (robô doméstico que lembra até aquele robozinho do episódio 32 do Jaspion),
o Watson... Claro que eu lembrei daquele vídeo do Leandro Zayd (o do Batman).
Vimos até robôs que desempenham tarefas “criativas” como o
robô jornalista que escreve matérias a partir de fatos (com destaque pra
matérias esportivas e econômicas). Tem até robô poeta e robô músico, que
identifica padrões em notas musicais e passa a compor suas próprias músicas
dentro daquele específico padrão.
Um dos vídeos mais legais que assistimos na aula foi o
engraçadíssimo diálogo entre dois robôs que nunca tinham “interagido” antes
(AI vs. AI: Two chatbots talking to each other). São dois
robôs se conhecendo e que, em questão de segundos, interagem como se fossem
pessoas de verdade, com sarcasmos e perguntas de ampla reflexão filosófica.
Depois de assistir, você não sabe se ri ou se fica assustado.
Claro que todo esse papo de robótica absurdamente avançada
coloca em cheque aquela velha pergunta: os empregos vão acabar. Tiago acha que
sim. Mas até lá, claro, ainda veremos profissões como ascensorista de elevador
ou “bandeirinha de posto de gasolina” desaparecerem. Antes da aula até tinha
comentado com ele sobre o Venus Project (ele disse que vai dar uma procurada
sobre isso. Tomara mesmo!) e ele acredita que chegaremos sim no dia em que só
vai trabalhar quem quer e no que quer, já que o dinheiro vai se tornar obsoleto
(cheiro de EBR no ar). Ele mesmo disse que, se não precisasse trabalhar, iria
dedicar boa parte do seu tempo fabricando cerveja artesanal, que é algo que ele
curte.
Depois de ver vários robôs, fomos convidados a refletir
sobre essa “fusão” do ser humano (ou o ser orgânico) com a máquina. Foram
apresentados uns cinco vídeos diferentes de pessoas utilizando próteses no
corpo. Tiago pediu pra gente dizer se considerávamos aquilo um ser humano, um “híbrido
homem-máquina” ou só máquina. Nos primeiros exemplos, tínhamos pessoas com
próteses simples, como braço ou perna mecânica. Só que os exemplos iam ficando
cada vez mais “híbridos”, como exoesqueletos, até chegarmos no vídeo em que um
carrinho se locomove através da mente de um rato.
Eu já tinha matado a charada logo de início: se você
considera uma pessoa que se locomove através do exoesqueleto um “híbrido
homem-máquina”, deveria repensar sobre você mesmo e sua prótese chamada
celular, ou relógio de pulso. Isso também é um lampejo de uma prótese. Mas é claro
que a nossa mente binária tem dificuldades de enxergar uma mescla entre as duas
coisas. Temos o vício de dizer que algo é humano ou máquina, é preto ou branco,
é quente ou frio, é grande ou pequeno, é gordo ou magro, é bom ou não é...
Entender que qualquer apetrecho tecnológico nos torna um pouco mais “robôs” é o
primeiro passo pra compreender essa “fusão homem-máquina”.
Aí, claro, tivemos que mencionar o cenário distópico
apresentado na série de filmes do Exterminador do Futuro. Tiago acredita que
esse medo todo vendido no filme é quase um desserviço pra esperança que as
pessoas têm na ciência. E já faz um tempo que eu concordo com isso. O próprio
Jacque Fresco diz que roteiristas e produtores de Hollywood são excelentes
artistas, mas maus futuristas, pois fazem as pessoas enxergarem a ciência e a
tecnologia como algo mais ruim do que bom. Alertar as pessoas sobre as
possíveis ameaças da tecnologia é importante, claro, mas instaurar o medo me
parece um equívoco.
Ainda nesse papo de “homem-máquina”, assistimos a um vídeo
do Kevin Warwick mostrando seu braço plugado na internet e seus alunos que fizeram
coisas bizarras como mãos que detectam metais através de ímãs implantados na
pele e mãos que detectam calor através de infravermelho. Sabe o que significa
isso? Superpoderes!
Entra em discussão, evidentemente, a questão do chip
implantado no corpo humano, o que nos tornaria ainda mais ciborgues e,
evidentemente, levantaria uma absurda discussão sobre ética e teorias da conspiração.
O Tiago deixou bem claro que é a favor do chip e que seria voluntário pra
testar esse tipo de gadget.
Também falou que já chegou a mapear seu código genético pela
bagatela de US$ 200. Qualquer pessoa pode fazer isso num site chamado “23andme”.
Você pode ver seu DNA num arquivo TXT com milhares de algarismos. É como se
fosse seu “código fonte”. Eu falei pros colegas que estavam na mesma mesa que
eu, em tom de brincadeira, que se jogasse esse código numa impressora 3D e
desse um “ctrl + P”... Tiago antecipou minha piada e disse a mesma coisa.
É o primeiro passo para o que eu acredito que, um dia, será
a reimpressão de cérebros e, voalá, a tão sonhada imortalidade (e se você não
quer ser imortal e prefere morrer, seja feliz no feliz no seu caixão). Claro
que o Tiago não chegou a ir “no seco” ao tocar nesse assunto. Mas acho que
qualquer pessoa inteligente da turma entendeu que a parada deve e vai culminar
nisso.
Aí a galera começa a pensar no que seria um mundo ainda mais
além dentro dessa curva da evolução exponencial, onde as máquinas, que serão
nós mesmos, terão uma inteligência compartilhada superior a de toda raça humana
pensante. O filme “Her” foi citado como exemplo, mas a minha colega Micheli
também lembrou do Lucy, com a “Scarlett Johansen” que vira um pendrive.
Por fim, assistimos a mais um vídeo do Jason Silva esuaincrívelcapacidadedefalarotempointeiroemvelocidademodocincosemparar.
Nesse vídeo, temos a visão de vários importantes cientistas que culminam
naquilo que Kurzweil imagina que será o mundo na Singularidade. E o Tiago ainda
lançou uma reflexão: “A filosofia, a religião e a ciência têm enredos muito
parecidos.” Entra naquela discussão que divaga sobre “a Singularidade ser uma
religião”, como se fosse algo pejorativo. Na verdade, estamos muito próximos de
encontrar um sentido sólido pra essas três coisas.
É claro que, até o momento, nada do que foi discutido e
apresentado tenha sido uma grande novidade pra mim, pois eu leio, converso e pesquiso
muito sobre esse tipo de assunto há dois anos. O que me chamou a atenção foi
ver gente suando as mãos, entrando em êxtase e pirando o cabeção com tanta
novidade. É compreensível, afinal de contas, se inteirar sobre esse tipo de
assunto em três dias é uma carga muito intensa de informação e uma
transformação muito impactante de pensamento.
O que me deixa feliz é saber que estou “adiantado” nesse
tipo de discussão, o que me permite absorver melhor as informações sem mais
aquele fascínio inicial. Me permite ver o mundo com uma perspectiva bem
diferente da maioria das pessoas (inclusive daqueles que estavam dispostos a
fazer um curso sobre esse tema) e ter ideias como o Ressuscitados e outras
coisas que, espero, ainda estejam por vir. Mas é lógico que eu quero mais,
quero aprender algo de “prático” nesse curso que possa impactar o meu trabalho
na Unisc ou até fora. O quê e como eu ainda não sei, mas parece que a quarta
aula terá esse propósito. Como o Tiago mesmo falou: “Amanhã vamos voltar pro
mundo real e discutir coisas mais práticas e compatíveis com os dias de hoje, principalmente
na relação desse tipo de assunto com a área em que vocês atuam. Coisas como
trabalho, mercado, carreira e outras paradas que, como vocês devem ter
percebido na aula de hoje, não têm a menor importância.” E não é que eu, no
fundo, gostei dessa definição?
AULA 4 – Mentes lineares num mundo exponencial
Antes do início da aula de quinta-feira, atendi ao pedido da
minha colega Micheli e trouxe, no meu HD, o documentário Transcendent Man. Em
todas as aulas, algum trecho desse documentário é apresentado e,
constantemente, eu dizia pro pessoal ao meu redor que eram cenas de um vídeo
que eu tinha salvo no computador.
A quarta e penúltima aula começou de uma maneira bem
interessante. Ao invés do Tiago aparecer pessoalmente na sala pra falar
conosco, o que vimos foi um robozinho com cerca de 40cm de altura sendo
controlado via celular. Através desse robozinho, o Tiago conversava com a gente
e sua voz saia do dispositivo conectado a ele. Tinha até um “robô assistente”
que ele mesmo chamou de Roque: “Vem pra cá! Vem pra cá!” Esse robozinho
assistente fazia papel de garçom e entregava latinhas de cerveja pros alunos. “Vocês
lembram que ontem eu disse que queria trocar de corpo e passar meu cérebro pra
um computador? Bom, taí o resultado!”, disse o Tiago. Claro que a turma inteira
adorou e se divertiu muito com isso.
Depois desse “momento descontração”, a gente assistiu a um
vídeo de 7 minutos com o palestrante Salim Ismail. Nessa apresentação, Salim
fala sobre a lógica exponencial aplicada ao ambiente corporativo. Ele cita o
esquema “IDEAS” (Interface Project, Dashboards, Experimentation, Autonomy e
Social Technologies) para ilustrar melhor sua visão sobre o negócio.
Depois do vídeo, os alunos reuniram-se em quintetos para
discutir, em 10 minutos, o que foi dito no vídeo e também sobre como aplicar esses
conhecimentos no dia-a-dia do trabalho. No meu grupo tinha o Flávio, mais
experiente, que trabalha com embalagens. Tinha também o Pedro, a Martinha e o
Luís Buchecha. Depois de discutirmos sobre o tema, foi dada outra tarefa aos
integrantes do grupo: “cada um deveria pegar o celular do colega ao lado,
telefonar pra alguém e explicar pra essa pessoa como funciona a evolução
exponencial”.
Eu passei meu celular pro Pedro e sugeri que ele ligasse pro
Ivan, do RJ. O Luís me passou o seu celular e fez eu ligar para seu amigo João.
A conversa com o João foi bem divertida (tirando o fato dele estar saindo do
banho). O problema é que tinha tanta (parecia Bolsa de Valores) que eu resolvi
ir pra um lugar mais silencioso. Sem saber, acabei indo parar ao lado de uma
outra sala de aula e comecei a berrar no telefone porque, apesar de estar
afastado do resto do pessoal, ainda ouvia-se muito barulho. De repente, sai uma
professora da sala reclamando e dizendo que estava tentando dar aula bem ao
lado de onde eu estava berrando. Felizmente, ela foi extremamente educada comigo
e resolvemos isso numa boa.
Foi uma experiência bem curiosa. Depois dessa zoeira toda, voltamos
pra sala e nos acomodamos novamente. Foi dado um intervalo de “uma música” pra
galera se reestabelecer e depois o Tiago já estava ali, em carne e osso, pra
falar conosco pessoalmente.
Na retomada, Tiago citou o exemplo do livro “Robots will
steal your job, but that’s ok”, de Federico Pistono. Eu já tinha conversado
sobre isso com ele na segunda e, quando pedi a palavra pra citar o Larry Page
(o presidente do Google que eventualmente cita o Pistono), o Tiago pediu pra eu
falar mais sobre o Venus Project. Até me surpreendi com aquilo. Claro que,
seria difícil demais explicar sobre o TVP em menos de três minutos, mesmo sendo
para uma turma disposta a entender. Falei que o Venus Project tem tudo a ver
com a “tecnologia voltada para o bem” e com o Movimento Zeitgeist, do qual o
Pistono faz parte. Disse que o Jacque Fresco, idealizador do projeto, hoje tem
99 anos e viveu a crise de 1929, além de ter se aprofundado muito no assunto
durante essas décadas. Falei que o Venus Project tem uma visão mais social e
que busca estabelecer um mundo sem dinheiro, no qual os robôs trabalharão pra
gente e nos fornecerão abundância plena, algo que vai de acordo com aquilo que
o Peter Diamandis tanto defende.
Pra minha surpresa, tinha um cara na turma que já tinha
ouvido falar do Zeitgeist e do Venus Project. E essa cara era o... Franco! Lógico
que, em virtude da falta de tempo, tivemos que seguir tocando o barco e o Tiago
então mostrou uns vídeos que têm tudo a ver com desemprego tecnológico e aquilo
que o Jacque Fresco e o Pistono concordam: robôs podem e devem trabalhar no
lugar das pessoas, porque 95% dos trabalhadores odeiam o que fazem, mas
precisam fazer porque precisam sobreviver num mundo onde a escassez é a regra,
e não a abundância.
Assistimos a vídeos como plantação automatizada, que lembra
bastante as fazendas verticais e outros exemplos levantados por Peter Diamandis
no livro Abundance. Vimos um gráfico mostrando que empresas com milhares de
funcionários hoje comem poeira se comparadas a empresas com uma dúzia de
colaboradores. Lógico que essa transformação vai afetar profissionais e
empresas de todas as áreas. E uma das que o Tiago acha que mais vai “sofrer” é
a área jurídica, afinal: “o Direito serve pra burocratizar as coisas, enquanto
a Tecnologia serve pra desburocratizar.”
Ainda sobre esse papo de automatização, nosso colega Flávio
mencionou a empresa Rasip, de Vacaria, que automatizou completamente a produção
de maçãs. O Tiago então comentou que provavelmente estamos migrando para uma
era onde o emprego está dando lugar à atividade. Seria um primeiro sinal de que
“this shit is going?”
De volta ao Salim Ismail, fomos apresentados ao livro
Exponencial Organizations e ao modelo “On Demand” que algumas corporações têm
adotado. Como exemplo, o Tiago falou da Perestroika e da Aerolito. Com uma
rápida definição, ele fez eu descobrir algo que eu ainda não tinha entendi
direito até o momento: “A Aerolito é o Google X da Perestroika”. Ao usar sua
própria empresa como exemplo, ele disse que as corporações deveriam servir de
exemplo para um comportamento “pró-Singularidade” (ou até pró-EBR, dependendo
do ponto de vista). Ou seja, a Perestroika, com sua maneira de atuar e de
vender seu “produto”, está tomando iniciativas próximas daquilo que eles
desejam que seja, um dia, a Singularidade. Interessante de se pensar nisso.
Ao falar do “crescimento exponencial” da Perestroika em
poucos anos, ele comentou que sua métrica para o sucesso não é ser grande, e
sim distribuído. Explicou que a empresa focou em criar mais unidades e se
espalhar, ao invés de crescer verticalmente na matriz. E comentou também que
todo funcionário, quando contratado é pilhado para se tornar mais um sócio pra
dividir o bolo, e não um funcionário descartável. Citou o exemplo da Aline que,
ao ser contratada como funcionária, teve todo o incentivo pra fazer um MBA de
empreendedorismo e o desafio de, daqui a uns dois anos, estar pronta pra ser
mais uma sócia do grupo. Isso é o que ele chama de uma visão verdadeiramente
horizontal. Falou que prefere apostar no potencial da pessoa, e não só na
experiência. Potencial é futuro, experiência é passado.
Um dos melhores exemplos disso é a Disney, que incentiva
todo tipo de funcionário a curtir e viver de forma lúdica seu trabalho. Eu sei
disso porque já estive no parque da Disney e vi coisas como faxineiros fazendo
verdadeiras obras de arte com um esfregão. Na Disney, o pessoal tem uma ordem
de quatro prioridades: 1) Segurança (estar atento pra ver se ninguém corre
risco de se machucar ou coisa do tipo); 2) Cortesia (ser generoso, simpático,
atencioso e divertido, ou seja, tudo aquilo que o Alfredinho não é); 3) Pode ver
o show (se as duas primeiras estiverem sob controle, o funcionário está
autorizado a curtir o que está rolando no parque ou nos shows); 4) Eficiência
(que a maioria das empresas coloca em primeiro plano).
Outro exemplo muito divertido (e ousado) é o da empresa
Valve, que simplesmente não tem chefe e nem hierarquia. É algo totalmente
informal e que, por algum motivo, funciona. O manual de intruções para os
colaboradores (em PDF) é algo tão divertido quando exemplar. Ainda nessa onda,
ele disse pra gente assistir ao vídeo Morning Star (anotado: assistirei).
Por fim, três polêmicas foram sugeridas ao final da aula,
pra fazer a galera ficar com a pulga atrás da orelha. A primeira polêmica era a
discussão que existe em torno da Singularidade e as ideias do Ray Kurzweil. Foi
apresentado um trecho do Transcendent Man, no qual o futurólogo Kevin Kelly diz
que tudo que o Kurzweil fala deve mesmo acontecer, mas não em 2045. Eu disse
pro Tiago que isso é quase um consenso entre os demais futurólogos. Tiago me
interrompeu pra dizer: “Com exceção daqueles que acham que a gente vai se matar
e a raça humana vai deixar de existir antes da Singularidade.”
A segunda polêmica foi sobre estarmos vivendo uma Simulação.
A famosa pira do Matrix. Não é o meu assunto preferido quando falamos de
futurismo, mas percebi que alguns colegas, principalmente o João Pedro, chegam
a lamber os beiços ao falar nesse tema. O Oculus Rift é um primeiro passo para
mergulharmos naquilo que um dia possa ser a “realidade virtual” em seu ponto
máximo. Tem tudo a ver com o que eu imagino que será a imersão na RV e até
viagens no tempo. Eu continuo duvidando da interferência na linha do tempo e no
paradoxo temporal, mas acredito que uma dia poderemos “voltar ao passado” no
papel de observadores. E esse caminho, claro, tem um trilho bem nítido: a
realidade virtual.
A terceira polêmica foi a que o Tiago considerou a mais
delicada de todas e também a que eu menos dei bola: Dorgas, mano! Tem a ver com
o fato de que podemos depender, num futuro próximo, da “ajuda” de algumas
drogas para poder migrar pra Singularidade. Mas, pra isso, claro, deveria haver
um rompimento desse preconceito que temos com relação a esse assunto. O tema “Drogas”,
sabemos, é extremamente polêmico e discutível. Imagina quando essas substâncias
forem a “porta de entrada” para a Singularidade, que é tão polêmica quanto.
Pra encerrar a aula, adivinha... outro vídeo do Jason Silva!
O tema foi justamente as drogas e seu papel nessa transição para a
Singularidade. No final do vídeo, temos uma frase interessante: “Computers are
Drugs, and Drugs are Computers.” Minha breve e trivial opinião sobre isso: eu
usaria, sim, uma “droga” pra virar imortal, assim como eu uso drogas pra curar
uma gripe, dor-de-cabeça, ressaca ou dor-de-barriga. Droga, nesse caso,
entende-se como aquilo que se compra em... drogarias! Droga também pode ser
chamada de medicamento. Medicamento! Não tem nada a ver com as drogas que vêm à
cabeça quando se fala em drogas: maconha, cocaína, heroína, crack...
A aula acabou enquanto o jogo entre Universidad de Chile e
Inter, pela Libertadores, estava em 3 a 0 pro Colorado. Percebi que o Tiago, torcedor
do Inter, estava feliz da vida com o resultado. Fiquei por ali tomando umas
cervejas e interagindo com o pessoal. Perguntei pro Tiago se o personagem Will
Caster (interpretado por Johnny Depp) no filme Transcendence foi realmente
baseado no Kurzweil. Ele disse que sim (isso até foi admitido pela produção do
filme, segundo o Felipe Felisberto). Conversamos sobre o Transcendence e eu
disse que gostei pela fuga do clichê, diferente da maioria dos filmes sobre
tecnologia e ficção científica que costuma colocar a ciência como vilã.
Perguntei também ao Tiago e ele tinha assistido ao seriado
Fringe. “Claro!”, disse ele, empolgado. Perguntei se ele acredita que, num
futuro altamente high tech, o ser-humano possa se tornar algo frio e totalmente
imune a sentimentos. Ele acha justamente o contrário. Tomara mesmo!
Fiquei batendo um papo com o pessoal do curso sobre diversos
assuntos. Cheguei a falar sobre seriados com a Aline, o Gustavo Nogueira e o
Baboo. Conversei sobre universidades e cursos na área da computação com o Paulo
Bridi e o Gustavo Porto . Também tive que explicar pro Baboo sobre a história
do Jiraiya com a camisa do Inter. Pelo jeito o pessoal achou muito interessante
essa história. Vai entender...
Depois de quatro dias, finalmente consegui uma carona pra
casa. O Gustavo Porto, que até já estudou na Unisc, foi levar o Felipe pra casa
e aproveitou pra me trazer até aqui no Centro. Simplesmente por gentileza,
porque o caminho dele era outro e ainda tinha tomado umas biritas, corria o
risco de cair numa lei seca.
Já o Franco, que estava eufórico como sempre, veio falar
comigo sobre a experiência no Venus Project. Ele disse que tomou conhecimento
sobre o Jacque Fresco e a EBR assistindo aos documentários da trilogia
Zeitgeist. “Bah! Tu é muito foda!!”, disse ele, quando comentei que tinha
conhecido pessoalmente o Fresco. Fico feliz em saber que tem mais gente no
curso interessada nesse tipo de coisa, porque eu considero dois assuntos que se
complementam.
Franco chegou até a postar, no grupo do Tomorrow no
Facebook, aquele post que eu fiz no Energia Espacial sobre a minha ida ao TVP.
Odeio admitir isso mas, esse grupo no Facebook talvez seja a melhor maneira de
manter contato com essa galera depois que o curso terminar. Tem gente ali com quem
eu gostaria muito de continuar trocando ideias e compartilhando informações
sobre esse tipo de assunto, que é bacana demais. Mas isso não significa que eu
vá abrir uma conta minha no Face.
AULA 5 – Singular
E não é que o melhor ficou pro final? O quinto e último dia
de curso foi simplesmente o mais especial de todos. Um curso sobre tecnologia e
futurismo que conseguiu ser também o mais humano e comovente que eu já fiz.
Talvez por isso o relatório aqui seja mais longo do que o dos outros dias.
A aula começou por volta das 10h. Aproveitei a ocasião pra
trocar uma ideia com alguns colegas e também com o Baboo, um dos sócios da
Aerolito e professor do curso. Me identifiquei demais com ele e até batemos
um papo bem interessante sobre carreira e nerdisse.
5.1 Como migrar para a Singularity?
Uma das primeiras coisas que o Tiago abordou no início da
aula foi o processo de seleção da Singularity University. Explicou passo a passo
como se faz pra entrar lá e uma das coisas mais curiosas que ele falou foi o
exemplo do Impacto Positivo (você tem que entrar com um projeto capaz de impactar
positivamente a vida de 1 bilhão de pessoas). Lógico que aí entra aquela velha
discussão: o que é “fazer o bem?” Hitler achava que fazia o bem. Ele mostrou então
um exemplo ilustrado. Nesse exemplo, existem três tipos de pessoas: as que
fazem algo que NINGUÉM discute ser benéfico, como pessoas que fazem trabalho
voluntário em asilo, pessoas que alfabetizam crianças carentes, essas coisas;
pessoas que fazem algo que NINGUÉM discute ser maléfico, como gente que lucra
com pedofilia, matadores de aluguel, serial killers; e aquelas que fazem algo
que pode ser bom ou ruim dependendo do ponto de vista alheio. Esse terceiro
exemplo é onde eu, você e todo mundo do curso está: representa 99% da população
(dados não-oficiais).
Tiago então explicou que esse lance de “fazer o bem” e algo
que acredita ser relevante, justo e benéfico. Falou sobre os “degraus” da escada
de necessidades do ser humano: água, saneamento básico, saúde, educação e
economia. Cerca de 1 bilhão de pessoas não tem acesso nem ao mais básico de
todos: a água.
Na Singularity University, o foco é exclusivamente na
tecnologia voltada para o bem. Se, por algum motivo, os caras detectam qualquer
intenção que você tenha de fazer algo para o mal ou pensando somente em si
mesmo, você dança. Perguntei ao Tiago se isso tinha a ver com o slogan do
Google, “Don’t be evil” (lembrando sempre que o Google é um dos parceiros e
financia a SU). Tiago logo respondeu que não. Mas aí deu uma pausa, pensou um
pouco e respondeu de novo: “Sim e não. Falaremos disso mais tarde.”
Toda essa visão social e vontade de fazer algo de bom se
encaixa perfeitamente com o posicionamento da Perestroika (Tiago usava o termo
core pra falar disso). E olha que eu não digo isso porque fui seduzido pela
lavagem-cerebral-ativista da Perestroika, como alguns alertam, digo isso porque
realmente me sensibilizei. De verdade!
Existem empresas que colocam o papel social em segundo ou
terceiro plano, criando departamentos encarregados de pensar nisso. Não é esse
o caminho! “A visão social deve ser a CAUSA da empresa, e não um departamento.”
Deve estar no posicionamento da marca. Empresas que criam um setor ou uma
campanha específica pra defender uma causa estão dizendo: “Ok, a gente se
preocupa com isso, mas não é nossa prioridade.” Deveria ser prioridade sim
senhor.
5.2 Obrigado por dizer não
Foi pegando um gancho nesse tema que o Tiago tocou num
assunto que fez a minha admiração por ele, que já era enorme, chegar no patamar
mais alto: a divertida e louvável história do lobista de uma fumageira que
queria a parceria da Perestroika. Tiago contou que, uma vez, foi procurado por
um representante de uma fumageira (provavelmente de Santa Cruz). “Já viram
aquele filme Obrigado por Fumar? O
cara era o próprio!”. Tiago falou que se considera um grande anti-tabagista,
odeia cigarro e jamais incentivaria alguém a começar a fumar. Tipo, parecia EU
falando!
Mas claro que ele não iria simplesmente fechar as portas: “Acho
que a gente sempre deve estar disposto a, pelo menos, receber as pessoas e
deixar elas falarem com a gente.” Então o tal do representante apareceu. “Era
um cara muito, mas muito legal! Sério, parecia que era o meu melhor amigo!
Macho alpha total!”, disse o Tiago ao descrever o sujeito. O cara chegou
tratando todo mundo bem, tomando conta do ambiente, encantando todo mundo...
parecia o cara mais legal do mundo.
Quando os dois começaram a conversar, Tiago disse que o
sujeito estava interessado em contar com a parceria da Perestroika, por ser uma
empresa que entende e interage com a "geração Y". Tiago disse que, num primeiro
momento, se sentiu hipnotizado pelo papo do cara, até que voltou pra real e se
deu conta: “Peraí, o negócio do cara é fumageira. Ele quer minha ajuda pra...
vender cigarro!” Se ainda fosse fazer uma capacitação sobre, sei lá,
tecnologia, na empresa do cara ou algo voltado pros funcionários, até ia. Mas, participar
de um projeto que tem como finalidade botar cigarro na boca da molecada...
Tiago contou que relutou, mas disse não. E olha que o valor em dinheiro que o
cara tinha oferecido era astronômico. Um dinheiro que resolveria todos os
problemas dele e da Perestroika pelos próximos anos. Mas a resposta era não. E
o representante então, com todo aquele seu jeito legal de ser, agradeceu e foi
embora.
Semanas depois, a vida seguiu normal, até que o cara ligou
de novo. Estava lá outra vez, pra voltar a se reunir com o Tiago (dessa vez,
chegou meio que de surpresa). Tiago o recebeu novamente. O cara, legalzão e
gentil como sempre, disse que repensou no assunto e ofereceu simplesmente o dobro
de dinheiro que tinha sugerido da primeira vez. O DOBRO!!! Tiago disse que
olhou praquela quantia e ficou zonzo por instantes. Mas aí o bom senso bateu,
ele respirou fundo e pensou em suas convicções. Fez aquilo que qualquer filho
da puta nunca teria condições de fazer e disse: “Cara! Ou tu é realmente uma
pessoa muito legal mesmo, um baita amigão, ou tu é um tremendo dum safado e eu
quero que tu saia da minha sala agora.” (óbvio que as palavras não foram essas,
mas algo do tipo). O sujeito então se levantou, deu as costas e foi embora pra
sempre.
Quando o Tiago contou essa história, me deu vontade de jogar
tudo pro alto e ir até ele pra abraça-lo! Ninguém ali se identificou tanto com
esse causo quanto eu! Posso afirmar isso porque também já recusei proposta pra
trabalhar com fumageira, por salários que chegavam a ser até cinco vezes maior
do que estava ganhando na época. E olha que eu moro em Santa Cruz, onde pra
muita gente é “cool” trabalhar em fumageira. Até hoje escuto gente me chamando
de burro por ter recusado esse tipo de proposta. Não me considero burro e nem
uma pessoa sem ambições, mas acho que meus valores e minhas convicções são
maiores do que minha ganância.
5.3 O gênio da lâmpada
Na sequência da aula, Tiago apresentou vídeos de alguns
robôs que viu na Singularity. Tinha um robô que resolvia sudoku (ele escaneava
os números e os quadradinhos para, depois, preenche-lo com os algarismos
corretos); um gelador de cerveja; uma cafeteira plugada no tweeter; uma
chopeira e; o que mais me impressionou: um robô que resolve cubo mágico! Esse
aí foi visto pessoalmente! O pessoal da Aerolito tinha um ali mesmo. Claro que
eu tive que gravar um vídeo disso, pra ninguém me chamar de mentiroso.
Enquanto todos ainda estavam impressionados com o que tinham
visto, o Tiago aproveitou a deixa pra falar sobre hackeamento e programação,
afinal, é tudo o que torna a robótica, a inteligência artificial e essas “mágicas”
reais. Com a palavra, portanto, o genial Baboo. Confesso que essa parte de
hackeamento e programação não me chama muita atenção, justamente pela aversão
que eu tenho a matemática e a parte técnica da computação. Mas ali tudo parecia
tão simples e divertido.
Baboo usou o exemplo de uma lâmpada que ligava e desligava
conforme o movimento do seu braço. Tudo graças a uma pulseira que ele tinha na
mão e fazia a lâmpada do abajur ligar ou desligar conforme seus movimentos
(lógico que não era uma lâmpada simples). E o mais interessante: ele fazia tudo
ali, na nossa frente, do zero. Mostrou na tela do pc como ele fazia pra
programar aquilo. E parecia tão simples (lógico: ser bom consiste em fazer algo
difícil parecer simples). Enquanto o Baboo fazia todo mundo ficar de queixo caído
com seu “show de mágica”, o Tiago chegou na minha mesa, onde estava sentado
também o seu amigo Flávio Dutra, e comentou quase em segredo sobre o Baboo: “Esse
cara é um gênio!”
Lógico que o que vimos ali foi uma demonstração de
programação básica, com recursos básicos e baratos, feito num curto espaço de
tempo e voltado para leigos. Agora, pense aqui comigo: imagina isso daqui a
alguns anos, dentro daquela curva de evolução exponencial! Pense que, ao invés de
um abajur, teremos quartos inteligente, casas inteligentes, carros inteligente,
tudo inteligente! Opa, opa, opa! Pensou no mesmo que eu? Espero que sim!
Pra quem curte programação básica e se interessa em conhecer
melhor essa lógica tão importante, existe o site do IFTTT (“if this then that”):
ifttt.com. Outro exemplo bacana é a Code Academy: codecademy.com. Não conhecia
nenhum dos dois até então.
A parte da manhã foi bem aproveitada, mas sabíamos que ainda
teria muito mais à tarde. Então, aproveitamos o almoço ali na Perestroika mesmo
pra relaxar um pouco e bater um papo entre os colegas. Acabei sentando na mesma
mesa em que estavam colegas como o Flávio, o Franco, o Caveira, o Rafael e o
Paulo. Ali, falamos de tudo, até sobre futebol (sobre a campanha do XVI de
Novembro na Copa do Brasil de 2004). Tinha até uma gata (animal) nos fazendo
companhia enquanto comíamos.
5.4 A Gincana de Robótica
Na volta, foi a vez de encararmos a tão aguardada gincana
prometida pelo Tiago. Nessa brincadeira, a turma seria dividida em três
equipes. O prêmio para os vencedores seria uma cópia do livro do Federico
Pistono, “Robots will steal you job, but that’s ok!”. Quando o Tiago mostrou a
pilha de livros, ouviu-se um “Booohhh!!”da turma. Na hora, eu pensei: “Preciso
ganhar essa porra!”. A minha equipe era formada por pessoas muito inteligentes,
como o Tommy, o Gustavo Nogueira, o Alexandre, o Marcelo, o Tiago Trindade e a
Martinha.
Tiago disse que a gincana seria dividida em três provas: uma
“super-easy”, uma “easy” e uma “normal”. Eu sabia que, como programador, meu
desempenho seria no mínimo vergonhoso. Então, procurei dar o melhor de mim
mantendo a equipe no foco, distribuindo as funções e coordenando as atividades
com os demais integrantes. A primeira tarefa foi uma espécie de “corrida entre
bolas-robôs”.
O participante controlava uma bolinha que era guiada pelo
celular, através de um aplicativo. Essa bolinha deveria passar por obstáculos e
esquivar-se de peças de lego, sob pena de ter pontos descontados caso
encostasse em algumas dessas peças. Cada participante deveria tentar completar
esse percurso no menor tempo possível. Quando a tarefa foi dada, eu logo
apontei pro Tommy: “Tu vai ser o piloto do nosso time nessa tarefa. Topa?!” E o
Tommy, na hora, disse que sim. Foi algo meio instintivo, eu sabia que ele iria
mandar bem nessa tarefa porque tinha cara de quem mandava bem. E foi uma ótima
escolha, porque o Tommy teve um excelente desempenho. Mas como as bolinhas não
corriam ao mesmo tempo (foi um de cada vez), não teve como saber quem se deu
melhor.
A segunda tarefa foi a do robozinho andando pelos trilhos da
cartolina. Cada grupo deveria pegar um robozinho do tamanho de um bombom e
fazê-lo andar por cima de um trilho que era, na verdade, uma folha de papel. O
detalhe é que, nesse trilho (pintado de preto), havia percursos incompletos que
deveriam ser preenchidos com três tipos diferentes de cores: azul, verde ou
vermelho. Usar a cor certa era essencial para fazer o robozinho chegar no final
do percurso. Ganharia quem acertasse as cores certas a serem usadas.
A gente queimou muito neurônio pra resolver essa charada.
Mas quem parecia mais convicto e certo do que fazer era o Alexandre. Foi ele o
primeiro a detectar o caminho certo. Alguns do grupo chegaram a discutir sobre
o que fazer, mas o Alexandre permanecia convicto de que o seu jeito era melhor
e que deveria ser implementado. Comprei a briga dele e disse que sua opção era
a melhor. Já o Marcelo era quem fazia o papel de líder nessa tarefa.
Pra nossa feliz surpresa, fomos o único grupo que conseguiu
completar com sucesso essa tarefa. O Marcelo até ficou de explicar, pro
restante da turma, qual foi o processo que utilizamos pra obter a vitória.
Estávamos bem próximos do “título” da gincana.
Mas ainda havia a terceira e mais difícil de todas as
provas: um carrinho que deveria ser programado através de um software. Detalhe:
esse carrinho deveria percorrer uma pista inteira no chão da sala e ainda
completar o percurso entrando de ré na linha de chegada. Tudo através de um
único comando e com todo o percurso do carrinho previamente programado no
software! Dessa vez sim, o nervosismo bateu. Vi que o Gustavo Nogueira assumiu
a vez no notebook que tínhamos pra executar a tarefa e encarregou-se de cuidar
da parte de programação.
Nessa prova eu praticamente me ausentei. Talvez minha melhor
contribuição tenha sido sugerir que, numa determinada etapa do percurso, o
carrinho deveria ir reto e não girar 90°. Mas nem eu mesmo tinha certeza de que
esse era o melhor jeito. Preferi não atrapalhar e deixar o pessoal se
concentrando. Aproveitei o momento pra trocar uma ideia com o Baboo, fora da
sala. A gente bateu um papo bem amigável sobre games, principalmente os das
antigas. Comentei que curtia demais os jogos do Mario e até ganhei uma “festa
de aniversário temática” nos últimos dias. Mostrei as fotos e ele achou o máximo.
Enquanto a gente conversava. Alguém veio e me perguntou: “De
que equipe você era mesmo?”, respondi que era da equipe 1 e aí me falaram: “Então
vai lá receber seu prêmio da gincana.” Fiquei tão feliz que simplesmente cortei
o Baboo e o deixei sozinho. Fui pegar meu livro do Pistono e agradecer ao
restante da equipe por termos conseguido a vitória.
Claro que eu ainda tive que ir até o Tiago e pedi pra ele
escrever uma dedicatória pra mim, no livro. Tiago disse que não era o Pistono,
mas aceitou o pedido. Ele escreveu o seguinte: “Foram muitas ideias legais, muitos insights importantes, mas –
principalmente – foram muitas interações marcantes. A simpatia veio de cara
(agradeço o livro), mas a admiração veio ao longo do curso. Obrigado por ter
participado e por ter sido tão generoso em compartilhar tuas sensações com a
gente. Tu é foda!” Não preciso comentar, né?
5.5 Instantes finais
Antes de passar o último conteúdo, Tiago fez uma apuração do
que o pessoal achou da gincana. Algumas pessoas divagaram sobre a importância
da programação. Eu pedi a palavra e disse que, “não somente a programação, mas o método científico como um todo é
baseado na tentativa-e-erro. Thomas Edison, quando inventou a lâmpada, disse
que aquilo não foi um acerto, e sim o resultado de 10 mil erros. E se pararmos
pra pensar, tem tudo a ver com o que falamos nesses últimos dias sobre
Singularidade. Algumas pessoas podem alegar que a Ciência já vem tentando há mais
de 500 anos um meio de vencer a morte. Isaac Newton tentou isso através da
alquimia, sem sucesso. Mas uma hora a corda vai estourar. Água mole, pedra
dura, tanto bate até que fura.” Pela cara que fez, acho que o Tiago curtiu
o meu exemplo.
Na sequência, vimos alguns gráficos que os futuristas devem
levar em consideração ao fazerem alguma projeção. Foi uma analisada bem rápida
e, como eu não estava anotando, fiquei sem lembrar direito o que se falou.
Quero ver se retomo essa parte nos PDF’s e resgato esses gráficos outra hora.
Tiago exibiu pra gente um discurso que ele deu na
Singularity University. O tema do discurso era “a importância dessa tecnologia
chamada abraço”. No vídeo, ele explica, através de uma ajuda do dicionário, que
o abraço também pode ser considerado uma tecnologia, pois é um “artifício
criado pelo homem pra melhorar a vida das pessoas”. Alguma coisa estava
acontecendo comigo naquela hora, pois eu já estava estranhamente sentimental.
Aquele vídeo e aquele papo todo de abraço estava me tocando por dentro. Sem
demagogia! No mesmo vídeo, foi visto o Federico Pistono correndo pra abraçar o
Tiago no final do discurso.
E pra fechar com chave de ouro, tivemos um encerramento nos
mesmos moldes da dinâmica de abertura. Mas, dessa vez, nada de fósforo, ordem
ou tempo de fala. Praticamente todo mundo falou. Quando chegou a minha vez,
disse o seguinte: “Algumas pessoas aqui sabem que esse assunto não é novidade
pra mim. Já faz uns dois anos que eu venho estudando e lendo muito a fundo
sobre Singularidade, tecnologia e futurismo. Resolvi fazer esse curso porque
queria encontrar uma aplicação desses conhecimentos no meu trabalho. Eu trampo
com educação e queria encontrar uma maneira de fazer isso influenciar o meu
serviço. Quando falei que ia fazer o curso, alguém veio até mim e falou: só
cuida que lá na Perestroika eles são formadores de ativistas, as pessoas saem
de lá querendo mudar o mundo pelo Facebook. Bom... só tem um jeito de descobrir
se isso é verdade ou não. Mas, durante a semana, esses objetivos foram se
transformando. Um dia, eu ouvi o Tiago dizendo, numa roda de conversa, que
estava aqui, dando esse curso, pra fazer amigos. Então eu percebi: é Isso! Me
dei conta que eu estou aqui fazendo contatos. Ou até mais do que isso: fazendo
amigos! São esses contatos que, posteriormente, vão ligar os pontos e fazer
tudo isso valer a pena. São os contatos que permitem que esse tipo de conteúdo
possa continuar permeando nossas conversas. São os contatos que tornam esse
tipo de curso diferente das aulas assistidas no Youtube. E é por isso que eu
digo, gurizada: Vamos manter contato daqui pra frente. Nada disso que vimos
aqui vai valer a pena se a gente nunca mais se falar a partir de hoje. Não
vamos romper ligações!” (pausa pra alguém que gritou, de algum lugar: “Então
abre logo um Facebook!” / gargalhadas) “É... tá certo que o fato de eu não ter
um Facebook me contradiz um pouco, mas não é exatamente disso que estou
falando. Pra encerrar minha fala, vou citar uma frase que o Chaves disse em
Acapulso: Prometemos despedirmos sem dizer adeus jamais!”. Percebi que algumas
pessoas se emocionaram quando eu disse isso.
E “emoção” tenha sido talvez a melhor palavra pra descrever
esse momento. Tinha muita gente realmente emocionada. Um deles era o machão do
Franco, que depois até me confessou que tinha ido pro cantinho segurar o choro.
O Tiago, ao fazer seu último discurso, disse que gostou quando eu falei que a
Perestroika tinha fama de “formadora de ativistas”. Mesmo que isso tenha sido
uma crítica em forma de deboche, a fama não lhe incomoda. E, pra finalizar,
assistimos a uma projeção de slides com frases de efeito.
Nessa hora, vi frases que têm muito a ver comigo e algumas,
confesso, quase me levaram às lágrimas. Frases do tipo: “Don’t grow up! It’s a
trap!” ou “O criativo é a criança que não cresceu.” Sei que as frases em si não
têm nada de emocionante, mas o ambiente em si, a sensação de dever cumprido e a
trilha sonora estava carregado de sentimentos à flor da pele. Formadores de
ativistas ou não, evangelizadores da própria marca ou não, uma coisa eu devo
admitir: os caras são muito bons em cativar seus alunos. Tenho certeza que
praticamente todos meus colegas saíram de lá amando a Perestroika. Os caras são
realmente bons demais no que fazem. Merecem todo o reconhecimento e sucesso exponencial
que têm!
Me impressionei com a quantidade de gente que veio falar
comigo no final da aula. Gente que mal me cumprimentava durante o curso. Alguns
vieram elogiar a iniciativa da Unisc em ter bancado o curso pra mim: “Que legal
isso da tua universidade, hein! Os caras lá devem ser bem mente aberta pra
liberar um funcionário durante uma semana pra fazer um curso desses.”
De qualquer forma, sou obrigado a dizer isso: “Obrigado,
Unisc, por ter me liberado pra fazer esse curso!” Foi demais! E espero
realmente que os conhecimentos adquiridos nessa semana possam ser aplicados no
meu trabalho na Asscom. Ainda preciso de bastante tempo pra absorver o Tsunami
de informações que inundou minha cabeça nesses últimos dias, seria pragmatismo
demais exigir resultados a curto prazo.
Percebi que estou no caminho certo, pois tudo que o Tiago
disse durante as aulas eu já estou aplicando no meu dia-a-dia ou então está
rigorosamente alinhado com as minhas convicções. Ou seja, mudar talvez não seja
a melhor decisão quando se percebe que está fazendo a coisa certa, que é também
fazer aquilo que acredita. E eu tenho a mais absoluta certeza de que saí desse
curso com a sensação de que valeu a pena.
5.6 Happy Hour e aquela banda
Final de curso, trago e rango liberado. No meio daquela
incrível sensação de dever cumprido e emoção aflorada, foi servido um cocktail
de tequila e comida mexicana. E olha que estava muito bom! Comi alguns nachos e
burritos e também mandei ver na tequila e no chop liberado, que era servido
numa maquininha que tirava fotos da pessoa se servindo e a publicava em tempo
real no Tweeter.
Bati um papo animado com meu mais novo amigo Baboo. Também
conversei bastante com o Tommy, com o Franco, com o Gustavo Nogueira e com o
Felipe Felisberto. Falamos sobre nerdisses, sobre o livrinho do Ressuscitados
(todo pessoal da Aerolito já tem o seu) e vários assuntos bacanas. Mas o que
acabou chamando atenção do pessoal mesmo foi o meu “dom” de decorar placares de
Copas do Mundo (nem lembro direito como esse assunto chegou na pauta). Claro
que, àquela altura, já tava todo mundo bêbado. Mas alguns acharam algo astronômico
o fato de eu saber placares como Nigéria 1x0 Bulgária ou Romênia 1x1 Tunísia
(Copa de 98). Baboo chegou a dizer que tava com vontade de me dar um soco, mas
por um motivo bom.
A bebedeira tava tão legal que resolvemos emendar e
continuar a folia fora da Perestroika, pois a escola já estava fechando. Baboo,
Felipe, Thalles e eu saímos pra dar uma volta de carro e até encontramos na rua
o Santiago e o Du, que também estavam pelo rolé. Tomamos umas cervejas a mais e
fizemos o que todo homem adulto adora fazer: beber sem compromisso.
Foi quando eu percebi que meu grande objetivo no curso tinha
sido cumprido: fiz amigos valiosos e inteligentíssimos com os quais eu quero continuar
em contato daqui pra frente. No fim das contas, esse curso sobre futurismo e
tecnologia teve um viés mais humano impossível. E o que prevaleceu, no fim das
contas, foi o espírito da amizade (pode chamar de piegas, mas foi isso mesmo).
E por mais brega que possa parecer, esse espírito acabou mexendo comigo e me
tornou uma pessoa melhor. Volto realmente com a sensação de ter virado uma
pessoa melhor do que era antes. Uma experiência singular!
Leandro Zayd no Diáspora: https://despora.de/people/83e19de22ddae274
Transcendent Man (filme completo): https://www.youtube.com/watch?v=tsg-__K_IAI
The Singularity is Near (filme completo): https://www.youtube.com/watch?v=7GcL3a4WK6M
Canal do Jason Silva no Youtube: https://www.youtube.com/user/ShotsOfAwe




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