Antes de eu falar sobre a 2ª aula, devo confessar que ainda não recuperei totalmente o fôlego e que meu cérebro ainda está com o motor aquecido e pulsante. Não é pagação de pau não, é que o conteúdo foi MUITO intenso mesmo. Resumindo: tivemos 21 aulas numa só. Vinte e um assuntos que poderiam, perfeitamente, ter sido tema de uma aula exclusiva (ou até de um curso exclusivo) duma vez só. Sem cuspe!
Mas primeiro, considerações iniciais:
Cheguei mais cedo na aula e pude conversar melhor com o Tiago, que me surpreendeu dizendo que tinha lido o meu report da primeira aula. Inicialmente eu duvidei, mas o pior é que ele leu mesmo.
Depois, foi dada a palavra ao nosso colega Thum Thompson, que falou sobre seu projeto à frente da Mesa & Cadeira, um negócio que eu particularmente achei sensacional. Achei incrível também a ideia deles de trazer a São Paulo, no mês de setembro, o famoso "ciborgue da vida real", Neil Harbisson (o cara da antena implantada atrás da cabeça que "ouve as imagens"). Neil virá acompanhado da sua colega-e-também-ciborgue Moon Ribas para liderar um projeto de uma semana que tenha um propósito semelhante ao da Cyborg Foundation (organização criada pelo próprio Neil): lutar pelos "direitos" dos ciborgues e pela aceitação legal e social dos mesmos. Acho super válida a ideia e torço muito pelo sucesso desse projeto, pois considero os ciborgues "seres do futuro" e, quanto mais cedo a gente aceitar o futuro, mais rápida e menos indolor a coisa será.
Agora sim, a(s) aula(s)!
Tiago deixou bem claro que o que iria acontecer nas próximas horas seriam 21 ignites diferentes, cronometrados para durar 5 minutos. Cada um desses ignites seria como se fosse uma aula inteira, dada a intensidade e o conteúdo. Os assuntos foram dos mais diversos: impacto positivo, futuro da moda, futuro do esporte, computação quântica, teoria das cordas & multiverso, corrida espacial, Ray Kurzweil...
Para não ficar tão violento e cansativo, essas mini-aulas seriam divididas em cinco blocos. No intervalo entre um bloco e outro haveria uma dinâmica entre quintetos na qual o grupo deveria discutir (em cinco minutos, pra não perder o costume) o que foi abordado até o momento.
Tive a sorte de cair num grupo muito bacana, formado por pessoas muito legais: a Vivian Muniz, o Mauro Peres, o Demétrio Teodorov e o Renan Ferreira.
Então, vamos lá:
BLOCO 1
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| Os oito desafios para promover o impacto positivo, segundo a S.U. |
1.1 Impacto Positivo
com Tiago Mattos
Nessa primeira "aula", Tiago falou sobre os oito desafios globais levantados pela Singularity University e definiu o impacto positivo como a preocupação em resolver pelo menos algum deles: Comida; Água; Pobreza; Saúde Global; Segurança; Educação; Energia e; Meio ambiente. Foi apresentada aquela escadinha "água / saneamento / saúde / educação / economia" como a "hierarquia dos problemas e necessidades globais".
1.2 Tecnologias pró-abundância
com Santiago Andreuzza
Para falar de alternativas pró-abundância, o garboso Santiago entrou em cena para apresentar novidades que já estão aí (ou que estão chegando) e que podem melhorar demais a nossa vida: a Agua Clara, o BRCK, o Copia e o MIT Hype Loop. Os que mais me chamaram a atenção foram o Copia, que faz um gerenciamento para evitar o desperdício de comida, e o Hyperloop, um trem que produz mais energia do que consome, pondendo assim redistribuí-la.
1.3 Futuro do Governo
com Yago Cury
Não tinha visto o Yago falar em público ainda e me surpreendi com a nossa sincronia de ideais e a forma de ponderar as coisas. Ele usou seu sotaque carioca para falar rapidamente sobre Data Science e Internet das Coisas. Tudo isso com um viés de aplicabilidade social, o que nos leva a questionar qual seria o papel do governo numa sociedade estruturada pelo gerenciamento de dados e autonomia de seus cidadãos na tomada de decisões. Quem manja um pouco de Democracia Direta sabe que isso seria fatalmente o fim do sistema político como conhecemos e uma reformulação total do nosso conceito de "governo".
PAUSA PRO DEBATE:
Nosso quinteto reuniu-se pra discutir, em cinco minutos, os três assuntos abordados até o momento. A ideia proposta era que o modelo de ignites fosse mantido e que cada um do grupo fizesse o uso da palavra por 1 minuto. Não rolou. Naturalmente percebemos que a conversa fluiria melhor se conversásemos livremente sem pausas e cronômetro.
Como eu tinha MUITA coisa pra dizer em pouquíssmo tempo, eu preferi sintetizar tudo numa coisa só: Venus Project. Nenhum integrante do grupo tinha ouvido falar do TVP. Então eu indiquei o documentário "The Choice is Ours" (2016) e fiz uma breve descrição: as ideias defendidas pelo Jacque Fresco vão totalmente de acordo com o que vemos no curso (impacto positivo, abundância gerada pela tecnologia, fim do governo, fim dos bancos, fim do dinheiro, fim do trabalho chato, smart cities...)
BLOCO 2
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| Não é tatuagem. É chip mesmo. |
2.1 Fazendas Verticais
com Igor Oliveira
Confesso que ver o Igor na condição de professor e profundo conhecedor de assuntos altamente complexos me deixou incrivelmente surpreso. O primeiro tópico que ele trouxe foi algo que eu considero a solução pra fome no mundo: o cultivo de alimentos proporcionado por tecnologias como as fazendas verticais. Só pra se ter uma ideia, uma fazenda vertical permite que você plante qualquer coisa, seja qual for sua procedência. E ainda: 80% menos de área cultivada; 90% menos água; 100% menos pesticidas e; custo ZERO de transporte (fonte: Abundance). A única coisa chata e não-empolgante no meio de tanta coisa sensacional apresentada pelo Igor foi a informação de que, no Canadá, uma fazenda articial que gerava e distribuiu alimentos foi substituída por um estacionamento. O motivo: não dava lucro.
2.2 Experiência de Compra
com Santiago Andreuzza
No meio de tantas referências bacanas sobre como a tecnologia está revolucionando o comércio e o varejo, tivemos exemplos como o Navii (robozinho da Fellow Robots), a Stitch Fix, a Enjoy, o Amazon Prime Air, o Prisma Skylab e o Open Tag. Também foi falado no pagamento via iBeacons e o polêmico chip implementado na mão do Peter Diamandis, que ele mesmo alega ser seu futuro "cartão de compras". Tipo assim: você usa seu próprio corpo pra pagar as coisas. Já pensou malícia, né?
2.3 Futuro da Moda
com Yago Cury
Quando eu vi o título logo pensei: "é agora que eu vou buscar um café". Não me interesso nem um pouco pelo tema "moda". Mas o Yago voltou a me surpreender. Isso porque ele trouxe à discussão o tema "wearables", que é basicamente a fusão dos temas "moda" e "tecnologia". Mais do que isso: ele apresentou exemplos já existentes de tecnologias aplicadas a vestimentas e por quê isso deve ser encarado como uma tendência. Na minha opinião, os wearables podem ser a última escala da tecnologia física não-inserida em nosso próprio corpo (e, ao mesmo tempo, uma transição no processo de aceitação dos polêmicos chipes). É tipo o que o tablet foi no processo de transição entre o computador pessoal e o smartphone: um meio termo pra acostumar as pessoas que possam ter alguma dificuldade ou resistência de se adaptar a algo tão diferente.
2.4 Futuro do Esporte
por Santiago Andreuzza
Nada mais justo do que o "Pelé do Polo" para falar sobre o futuro do esporte. Aqui, vimos alguns exemplos de como novas tecnologias estão sendo usadas para a prática esportiva e na concepção do esporte como entretenimento (que é quando você não é praticamente e sim espectador). Tivemos vídeos bem bacanas como a famosa final do campeonato de Street Fighter e a do torneio brasileiro de League of Legends em 2015, que encheu a Arena do Palmeiras. Yes, baby! É "só videogame" (assim como o futebol é "só 22 homens correndo atrás duma bola"). É "só uma modinha". É "só um esporte de sedentário". Pra finalizar, Santi ainda lançou uma interessante reflexão: será que no futuro os esportes de videogame serão mais populares e mais praticados do que "esportes reais"? E, se isso acontecer, será que esses "atletas do futuro" não vão olhar pra trás e enxergar o esporte "real" (o de contato) como algo violento? Uma bela pauta pra discussão!
PAUSA PRO DEBATE:
Com tanto assunto louco pra abordar, ficou até difícil focar num. Mas a linha de raciocínio que eu tracei foi a seguinte: se as tecnologias wearables permitirem a transição das tecnologias externas às embutidas no corpo, é bem possível que uma quantia enorme de pessoas se junte ao Peter Diamandis na categoria de seres chipados (eu disse chipados, não chapados). E aí a polêmica come solta. Mas é aí também que começa a sair do armário o "homo singularis".
Ainda na discussão sobre o futuro do esporte, eu comentei rapidamente que acredito num futuro em que países e essa imbecilidade chamada nacionalismo deixem de existir. E isso tende a modificar também o conceito de eventos esportivos como as Olimpíadas (que envolve o orgulho e as nações). O Renan aproveitou o gancho pra falar dum podcast recente em que o Peter Diamandis aborda justamente esse assunto, aproveitando o advento do Brexit e uma eminente extinção da União Europeia como a conhecemos. Mas, como eu não ouvi o tal do podcast, não opinarei.
BLOCO 3
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| Sorria que eu estou te filmando. |
3.1 Brief Cam
com Tiago Mattos
Devo confessar que esse bloco em si foi o menos revelador pra mim porque eu já tinha lido todos os reports que o Tiago publicou no Medium durante a sua missão em solo israelense. A primeira das novidades "from TIP" compartilhada com a turma foi a das câmeras de segurança que juntam as imagens de um dia inteiro numa cena só, como se tudo estivesse acontecendo ao mesmo tempo. A tal da Brief Cam. O exemplo continua sendo interessantíssimo!
3.2 Eye Music
com Tiago Mattos
Aqui tivemos o divertido exemplo das "imagens que emitem sons" (ou "braile sonoro"). Algo que lembra bastante o exemplo do Neil Harbisson, citado pelo Thum. São representações gráficas que podem ser decodificados e emitir sinais sonoros. Ou seja, um cego pode "ouvir" determinado som e, pela identificação de padrões, saber qual é a imagem à sua frente.
3.3 Air-gap e o hackeamento de um computador desconectado
com Igor Oliveira
Esse bagulho é loko! As mentes mirabolantes do TIP descobriram um jeito de hackear um computador mesmo que este não esteja conectado na internet ou a qualquer outro tipo de hardware. Pra resumir bem: os caras acessam o computador pelo "calor" gerado pelas máquinas. Mais fácil de entender pelo vídeo. Segundo o Igor, os malucos já foram mais além ainda e descobriram que o mesmo é possível também através dos sons emitidos pela máquina (por onda sonora, talvez). Já faz um ano que eu obtive essa informação (graças ao post do Tiago) mas confesso que ainda me impressiono com ela.
3.4 Visually Impaired
com Igor Oliveira
Essa parada aqui eu considero uma versão complementar e talvez avançada do exemplo anterior do Eye Music. É o tal do "óculos-câmera", que "lê para o usuário" (um cego, de preferência, né?) o que aparece à sua frente. Exemplo: você pode "tocar" num parágrafo de jornal que o óculos vai contar pra você (através de áudio) o que está escrito. O mesmo serve para identificação de rostos alheios (quando você direciona o rosto pra alguém, a voz do óculos dá o nome da pessoa).
PAUSA PRO DEBATE:
Acho que aqui o "cluster" mais nítido é o do "Mashup sensorial", certo? Na nossa discussão grupal, eu utilizei essa pauta para imaginar como seria um ser-humano capaz de aprimorar, através da tecnologia, a precisão dos seus instintos. Teríamos, por exemplo, como emular a visão de uma tamburutaca, uma criatura que enxerga 16 pigmentos visuais diferentes (nós, humanos, vemos apenas três: vermelho, verde e azul). O mesmo serve pra visões ultravioleta e infravermelho. Ou então superaudição, superolfato, supertato, superpaladar... Isso seria um humano praticamente evoluído.
Mas o que tinha deixado a Vivian impressionada mesmo foi o hackeamento dos computadores offline. Ela estava completamente incrédula. Acho que isso é só um sinal de que algumas coisas que outrora julgaríamos "impossíveis" podem ser tecnicamente viáveis. Nanorobôs entrando nas células? Mapeamento do cérebro humano? Informações cerebrais sendo decodificadas em um sistema binário? Armazenamento de informações cerebrais em dados? Why not?
BLOCO 4
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| Ok, Kurzweil. You won! |
4.1 Google Deep Mind
com Santiago Andreuzza
Nesse exemplo, Santi nos apresentou os robôs que aprendem a jogar "games" e o exemplo do Google Deep Mind, que ele mesmo chamou de "Watson do Google". Talvez a comparação se justifique principalmente pelo fato do Google ter tornado o serviço numa versão mais avançada e específica: o Deep Ming Health. É a inteligência artificial atuando na prestação de serviços na área da saúde.
4.2 Por quê o cérebro?
com Yago Cury
De volta à questão do mapemento cerebral, Yago trouxe um paradigma persistente daqueles que insistem tanto em desvendar a obra mais incrível da natureza: o cérebro humano. "Por que ainda não mapeamos o cérebro?" A pergunta foi abordada com ponderações técnicas que provavelmente passaram batidas pelos alunos mais cansados a essa altura do campeonato.
4.3 Computação Quântica
com Igor Oliveira
Aqui eu confesso que eu boiei legal. Na boa. O Igor deu uma explicação bem detalhada e didática, mas eu reconheço que tenho dificuldades enormes em absorver esse tipo de informação. Tudo que posso concluir da fala dele é que a Lei de Moore não se aplica aos computadores quânticos, já que dificilmente teremos os mesmos em nossas casas para uso doméstico. Um compuador quântico é várias vezes mais potente e mais rápido do que um computador normal, porque ele não precisa seguir o padrão binário linear.
4.4 Burn in Hell Kurzweil
com Tiago Mattos
Essa foi a minha preferida! Claro, estamos falando precisamente da "profecia de 2045" e dessa pessoa que atende pelo nome de Ray Kurzweil. Tivemos outra vez o trecho do documentário "Transcendent Man" (2009) em que Kevin Kelly chineleia o Kurzweil. Em contrapartida, assistimos a um trecho da incrível entrevista que Kurzweil deu ao Neil deGrasse Tyson, na qual o entrevistador começa se dizendo cético e termina convencido de que o futurista pode estar com a razão. Mas afinal, seremos imortais em 2045??? Minha aposta particular: Não, em 2045 não. Mas acredito que até o final do século sim. O problema é que eu estarei com 115 anos quando virarmos mais um século.
4.5 Diversidade sexual
com Santiago Andreuzza
Aquela polêmica discussão sobre diversidade de gênero e sua relação com a tecnologia. Santi trouxe de volta um assunto iniciado no dia anterior, quando discutimos a predominância dos homens brancos ricos da América do Norte à frente da tecnologia. Também deu como exemplo a diferença de papéis entre as vozes masculinas e femininas do universo digital. As "mulheres" (como a Siri,por exemplo) geralmente são auxiliares e subordinadas. Já os "homens", como o Dr. Watson, desempenham papéis tradicionalmente mais destacados. Pra não perder o costume, Santi lançou mais uma reflexão pra galera (ele gosta mesmo disso, né?): "o que é gênero?" E ainda: "será que a tecnologia tende a tornar o gênero algo híbrido num futuro pós-emergente?"
4.6 Corrida Espacial
com Yago Curry
Um dos que eu mais curti! Yago trabalhou muito bem o contexto histórico da corrida espacial: desde as peleias entre americanos e soviéticos durante a Guerra Fria até o que ele chama de "Corrida Espacial do Século XXI". Dessa vez, não são nações competindo entre si. São dois empresários ricos e bem-sucedidos (além de brancos e da América do Norte): Elon Musk e Jeff Bezos. Elon Musk é o nosso "Tony Stark da vida real", proprietário da Tesla e da Space X. Um dos meus maiores ídolos. Já o Jeff é conhecido pelo site de vendas Amazon, além da Blue Origin. Não que os dois se odeiem ou coisa do tipo, mas aqui temos uma interessante disputa pra ver quem desbrava o espaço primeiro, ou quem chega antes em Marte. Semelhante ao que foi a rivalidade EUA x URSS. Moral da história: quem ganha com essa disputa? É a ciência! Somos nozes!
* vale destacar que a competição que temos aqui não é por dinheiro (os dois já cagam dinheiro, afinal) e nem por ego. Sou meio avesso ao espírito competitivo, mas esse caso em específico me parece uma competição sadia em prol de algo que vai beneficiar toda a humanidade.
PAUSA PRO DEBATE:
Nessa nossa última roda de discussão eu fui curto e direto ao defender meu ponto de vista sobre imortalidade: "antes de 2045 não; até 2100, provavelmente". Conversamos sobre o mapeamento do cérebro humano e sobre a transferência de memórias dum corpo para outro: "será que isso é imortalidade mesmo?", "e a alma?"
BLOCO FINAL
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| Aqui o bagulho virou rave. |
5.1 Outros conceitos de Singularidade
com Yago Curry
Na sua última fala, Yago esclareceu para a turma que nem o conceito e nem o termo "Singularidade" foram criados por Kurzweil. A ideia original vem lá da astrofísica que envolve a entrada em um buraco negro e o horizonte de eventos. Esse é um dos conceitos de Singularidade que permeiam a discussão. Por exemplo: há quem diga que, após atingirmos a Singularidade, chegaremos a um estágio que nos impossibilita de fazer qualquer previsão hoje. O importante é saber que nem toda discussão sobre Singularidade deve ser escorada nos ombros do Kurzweil, porque ele não é o único porta voz do assunto. E ainda bem, né? Isso faria dele o oráculo incontestável do tema.
5.2 Espaço-tempo
com Igor Oliveira
Aqui o Igor chutou o balde e passou o lança-chamas na cabeça da galera. Falou da concepção de 4 dimensões proposta pela física moderna, sobre a possibilidade de contração do espaço e a dilatação do tempo. Claro que, para ilustrar esse exemplo, foi citado o Paradoxo dos Gêmeos, que foi um dos temas do filme Interestelar (2014). Também foi mencionada a recente descoberta acerca das Ondas Gravitacionais e como isso pode contribuir para o nosso entendimento do espaço-tempo.
5.3 Teoria das Cordas
com Igor Oliveira
E pra finalizar sua participação, Igor pegou a Teoria das Cordas e o Multiverso como a cereja do seu bolo. Assunto facinho pra discutir às 23 horas, né? A turma até deu risada. O exemplo apresentado é o que eu considero o mais fácil de entender e o mais comum de ver por aí: as bolhas de sabão do Michio Kaku. Há uma teoria (não comprovada) que diz que cada universo é uma bolha de sabão entre uma infinidade de outros universos. Juntos, eles formam o que alguns físicos chamam de Multiverso. A colisão de duas bolhas poderia resultar no surgimento de uma terceira, que seria um explosão equivalente ao nosso Big Bang. Taí uma possível explicação para a origem do nosso universo e sobre o que havia antes de 13,8 bilhões de anos atrás. E uma baldiação entre dois universos seria possível? Taí algo que a física e principalmente a ficção científica tenta explicar através do buraco de minhoca e o famoso exemplo da caneta atravessando uma folha de papel em forma de "U". Seja como for, essa discussão que hoje pauta filósofos de boteco e entusiastas da ficção científica pode um dia (daqui a bilhões de anos que seja) ser questão de sobrevivência da nossa espécie (ou seja lá qual for a espécie dominante). Assim como o êxodo para um outro planeta já é discutido, é possível que tenhamos que viajar para outro universo, seja lá o que isso represente na prática.
5.4 A Biblioteca de Babel
com Santiago Andreuzza
Quando eu achava que os assuntos do Igor tinham sido a chapadera extrema, veio o Santiago com a Biblioteca de Babel, um exemplo arrancado de um dos livros do escritor argentino Jorge Luis Borges. Aqui eu confesso que foi a piração definitiva. Não entendi porra nenhuma. A única conclusão que saiu no final de tudo foi a de que podemos estar vivendo o passado, o presente e o futuro ao mesmo tempo. Vou ter que ler mais sobre isso.
5.5 O Abraço como Tecnologia Exponencial
com Tiago Mattos
Pra finalizar a noite, Tiago apresentou o mesmo vídeo que ele mostrou no encerramento do Tomorrow PoA 2015: da sua apresentação na Singularity University (julho de 2012), quando ele defendeu a ideia de que o abraço pode ser uma tecnologia. Exponencial ainda por cima. O vídeo é autêncio e emocionante, principalmente pra quem o vê pela primeira vez. Uma forma humana e empática de encerrar uma aula PESADA e com muito conteúdo e informação em doses cavalares.
SEM PAUSA PRO DEBATE
...MAS COM CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Essa aula me deixou exausto. Foi muito conteúdo denso em ritmo acelerado. Mas ainda tenho fôlego pra, pelo menos, redigir esse report.
Aliás, já que hoje foi dia de "aulas rápidas", que aqui eu resumi em parágrafos, vou entrar pra brincadeira. Minha vez:
BLOCO EXTRA
X.1 Efeito Borboleta
com Bruno Seidel
Muitos já ouviram falar no Efeito Borboleta ou Teoria do Caos, que é quando um pequeno evento pode ser a causa de um grande evento aparentemente desconexo. Nas palavras de Edward Lorenz, autor da teoria, é como se o bater de asas de uma borboleta no Brasil fosse causar uma tempestade no Texas. Acontece que a gente só sabe das coisas que ocorreram de verdade, mas não tem como saber o que teria acontecido se a causa inicial fosse outra. Exemplos: e se Hitler tivesse vencido a Guerra? e se o Cristianismo não tivesse existido? E se os dinossauros sobrevivessem à extinção? São coisas que não aconteceram no nosso universo real e que podem muito bem ter parado em um universo paralelo. Ou seja, é possível que numa outra "bolha de sabão" você esteja fazendo qualquer outra coisa que não seja lendo essa birosca.
X.2 Economia Baseada em Recursos
com Bruno Seidel
Eu não poderia deixar esse assunto de fora. Pra mim, o Venus Project (TVP) tem absolutamente tudo a ver com o Friends of Tomorrow porque defende a aplicação das tecnologias na geração do impacto positivo. A Economia Baseada em Recursos, sistema defendido pelo TVP, é o que eu vejo como a fusão de temas como UBI (Renda Básica Incondicional), Custo Marginal Zero e Automação. Outra coisa curiosa sobre o Venus Project é que o seu idealizador é um senhor chamado Jacque Fresco, que completou 100 anos no último mês de março e que ainda está perfeitamente lúcido. Quando tinha 13 anos de idade (ou seja, lá em 1929), Fresco foi expulso da escola por negar-se a jurar lealdade à bandeira dos Estados Unidos (ele alegava que era tão terráqueo quando estadunidense e que preferia jurar lealdade a todo o planeta e não um pedaço dele). Depois disso, Fresco tornou-se um engenheiro social autodidata que projetou, lá no início do Século XX, smart cities sustentáveis que funcionariam através do que hoje chamamos de Big Data e automação. E o mais incrível de tudo é que as ideias desse senhor de 100 anos fazem cada dia mais sentindo.
www.thevenusproject.com.br
X.3 Imortalidade e Ressurreição
com Bruno Seidel
A imortalidade e a vida eterna já são assuntos polêmicos por si só. Mas convenhamos que, pra quem já se familiarizou com as maluquisses do Ray Kurzweil, é pelo menos possível assimilar o assunto (não necessariamente concordar). Como seria viver num mundo onde só morre quem quer? E agora eu vou mais longe ainda: como seria ressuscitar todas as pessoas que ja viveram nesse mundinho? Talvez a gente descubra um dia, lááááá na frente, como "observar" o passado numa espécie de VR. Você poderia viajar para épocas e lugares como o quarto de hospital no dia do seu parto. Assistir o seu nascimento como se estivesse presente na cena. E se tudo isso for possível, periga haver chances de coletarmos as informações cerebrais de cada pessoa 1 segundo antes de sua morte (ou da perda da consciência). Aí essas mesmas informações podem ser trazidas para o "presente" e reimpressas. Voalá: uma pessoa que morreu antes do descobrimento do Brasil poderá acordar no mundo atual com as mesmas lembranças que tinha quando bateu as botas. E isso poderia ser feito com todas as 101 bilhões de pessoas que já não respiram mais.
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Em tempo: fica registrado aqui o meu espanto e admiração pelo trabalho desempenhado pelo quarteto da Aerolito na execução dessa aula, que foi especial. Deu pra perceber que, antes da aula começar, alguns deles estavam um pouco nervosos. Perfeitamente compreensível. E foi visível que, no final, estavam todos (sem exceção) muito cansados. Cansados mesmo!
Parabéns, Tiago, Santi, Igor e Yago! Vocês mandaram bem demais! Podia dar muita coisa errada. Eram 21 chances de falhar. Eram 21 desafios de sintetizar assuntos densos numa apresentação enxuta de 5 minutos. Vocês conseguiram porque são fodas!






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