sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Friends of Tomorrow - 4/8

A AMÍGDALA

A aula de quinta começou com um vídeo de Peter Diamandis falando sobre a amígdala. O assunto, inclusive, já foi pauta do livro V.LE.F. do Tiago. Por isso eu vou colar aqui o que eu tenho a dizer sobre a tal da amigdala:

(...) Tiago recorre a um exemplo científico que justifica o porquê das pessoas serem tão pessimistas (lembrando sempre que 100% dos pessimistas se consideram realistas). É tudo culpa daquela moradora velha e rabugenta do nosso cérebro que vive reclamando da vida e comentando notícias trágicas: a tal da Dona Amígdala. Entenda:

amígdala é uma espécie de radar que temos no sistema nervoso central. O objetivo da amígdala é filtrar os milhares de estímulos que recebemos por minuto, deixando em evidência aqueles que sejam fundamentais para a nossa sobrevivência. Um recurso fundamental para a perpetuação da nossa espécie. Então, se você abrir o seu feed, e vir duas notícias lado a lado – uma falando de um novo método de alfabetização revolucionário, e uma falando de um assassinato – você provavelmente ficará mais interessado pela segunda. Culpa da amígdala. E como a imprensa se remunera de audiência, é natural que o caso do goleiro Bruno fique por semanas no ar. Em inglês, existe até uma expressão. What bleeds, leads (o que sangra, circula).
MATTOS, Tiago.
Vai tomar no cu, Dona Amígdala!

Dito isso, abriu-se espaço para falar sobre um tópico que o Tiago tem muita propriedade para discutir: as métricas de sucesso e o modelo Perestroika de tocar seu negócio.


Muito do que o Tiago acredita e prega está perfeitamente alinhado com as ideias do Elishai Ezra (Diretor do Laboratório de Engenharia Neuro-Biomórfica do TIP). Elishai esteve numa das Master Classes do FoT (a preferida do público, de acordo com os comentários que eu ouvi) e apresentou um contexto histórico para dizer que a era “pós-Revolução Industrial” (ou seja, essa que estamos vivendo right now) está a se tornar algo novo e isso fatalmente irá bagunçar por completo todas as esferas sociais, políticas e o escambau. Ou seja, é bem provável que tudo aquilo que a vida te ensinou sobre trabalho, carreira, sucesso e competência esteja por perder sentido. Até porque, ao contrário do que muita gente pensa, nem sempre foi assim. E nem sempre será.

Alvin Toffler (1928 - 2016)

Na mesma linha de raciocínio está Alvin Toffler, o autor do livro "A Terceira Onda" que morreu há pouco mais de um mês. Toffler diz que "O analfabetos do Século XXI não serão aquelas que não sabem ler nem escrever. Serão aquelas não souberem aprender a desaprender para reaprender."

O Tiago Mattos é um exemplo vivo disso. Ele vive dizendo que está na sua "quarta encarnação": já foi comunicador (publicitário); educador; empreendedor e agora assume-se como futurista. Ele precisou "aprender a desaprender" um antigo ofício para então mergulhar em outra praia. Isso para alguns pode soar como indecisão, mas convenhamos que, quando você abandona uma função, ela nunca abandona você completamente. Sempre sobra uma porrada de experiências, de noções e de "skills". Principalmente se você atingiu o nível de "virtuoso" que é atribuído àqueles que atingem 10 mil horas* de atuação numa determinada atividade.
* 10 mil horas é o tempo que você, assalariado, passou trabalhando nos últimos 5 anos.

Então é óbvio que, no caso do Tiago, ele usou muito das suas habilidades de publicitário para iniciar e consolidar sua carreira como educador (acho que isso fica explícito, né?). Da mesma forma, os conhecimentos como educador-e-publicitário serviram como grande diferencial para ele tocar a sua bem sucedida encarnação como empreendedor, ou melhor, um empreendedor-educador-publicitário. Por fim, ele resolveu embarcar nessa loucura de futurismo e hoje é uma referência incontestável na área, não só no Brasil como no mundo. Mas eu tenho certeza de que o Tiago só se tornou um futurista de destaque porque ele já tinha uma experiência invejável como publicitário, como educador e como empreendedor. E eles usa skills e noções adquiridas nessas três encarnações o tempo todo. Isso torna ele um futurista fora da curva, um futurista único.

Eu negritei a palavra único porque ela tem um significado muito forte mesmo. Assim como oTiago é (possivelmente) o único comunicador-educador-empreendedor-futurista-gaúcho-colorado-barbudo-libriano da face da Terra, você também certamente é único em alguma coisa.
Lógico que, quanto mais multidisciplinar e mais encarnações virtuosas você tiver, mais único você será. Mesmo que você tenha trabalhado a vida inteira na mesma empresa e na mesma função, seus amigos sejam somente os dos tempos de escola e o lugar mais longe pro qual você viajou tenha sido uma cidade vizinha, você é um cara único “em potencial” (aspas obrigatórias). Deve possuir um monte de habilidades desconhecidas e um mundo de oportunidades à sua espera. Te liga!

Tão retardado quanto eu, só "outro eu".

Eu, por exemplo, talvez seja o único fã de Tokusatsu entusiasta de futurismo que decora placares das Copas do Mundo, desenha e roteiriza tirinhas de humor, trabalha como publicitário, sócio-fundador de uma startup na Holanda, diretor de arte, redator, locutor, apresentador, palestrante, organizador de eventos e ainda sabe falar japonês, imitar o Sílvio Santos, passar trotes e colocar o cotovelo direito na orelha esquerda. Na Perestroika eles chamariam isso de "diretor de whatever".

Lógico que é sempre bom lembrar da analogia do “funcionário pato”: o pato é a ave que voa, nada, canta e põe ovos. Mas não faz nada disso bem feito. Ser multidisciplinar não é ser um multitarefas adoidado: é ter a proeza de transformar uma especialização que te põe na condição de virtuoso numa skill.

Não seja um funcionário pato!

Pegando um gancho nesse assunto, Tiago contextualizou a parada toda sob a ótica da automação e do desemprego tecnológico. Inclusive, citou como exemplo o divertido e empolgante exemplo da Beam Store, na Califórnia (uma loja sem pessoas físicas te atendendo). Tiago diz não ter medo de um robô assumir seu trabalho um dia. "Se eu conseguir botar um robô pra substituir o meu trabalho e desempenhá-lo melhor do que eu seja capaz, beleza, eu parto pra outra encarnação e sigo evoluindo", disse o Tiago.


ÚLTIMOS RECADOS

Pra fechar o curso e abrir espaço para as Master Classes, Tiago deixou bem claro que a palavra "Empoderamento" talvez seja a que melhor descreva o FoT. Mais até do que "futurismo". Palavras do Tiago: "Saia daqui empoderado com a sensação de que podes fazer uma microrrevolução". E eu acho que isso é uma coisa muito bacana do curso: você sai em chamas querendo ser um agente dessa transformação que tornará o mundo num lugar melhor, sem matar nem ferir ninguém!

E aí eu te pergunto: "Qual é o tamanho do SEU impacto positivo?"
O que você já está fazendo ou pretende fazer para deixar o mundo mais parecido com o modelo que você considera ideal?

Essa reflexão é foda demais!

E foda também é o recado final do Jason Silva, o "Roberto Carlos do Tomorrow": os novos bilionários não serão aqueles que possuem bilhões de dólares, e sim aqueles que impactam bilhões de pessoas.

O conceito de bilionário agora é outro, seus miseráveis!

Eu concordo com essa visão, acho que ela muda nossa forma de pensar e traçar nossos objetivos e tal, mas tenho um adendo para reflexão (outra bomba filosófica): ninguém sabe quem foi o cara que reprovou Hitler na Academia de Belas-Artes de Viena (se é que tinha "um" cara, mas isso não vem ao caso). Esse cara (se existiu) desconhecido e sem a menor das intenções provocou uma mudança que mudou a história do mundo pra sempre. Se ele tivesse aprovado Hitler, é bem provável que a 2ª Guerra Mundial não teria sido o que foi. E a história da humanidade seria bem diferente. Esse cara, que ninguém sabe quem é e que nem fazia ideia de quem viria a se tornar o tal do Adolf, interferiu no curso da história da humanidade e afetou bilhões de pessoas.
O mesmo serve pro cara apresentou os pais de Einstein, ou o que fabricou a camisinha furada que resultou no Steve Jobs, ou o que plantou a árvore da maçã que caiu na cabeça de Newton. Nenhum desses exemplos é verdadeiro, serve apenas para ilutrar o raciocínio. São três pessoas "insignificantes" que mudaram "sem querer" a história do mundo. O mesmo vale para os pais/avós/bisavós de cada um deles e seus respectivos cupidos. Lembre sempre do Efeito Borboleta!
Esses caras mudaram a história da humanidade sim, talvez mais do que pessoas super bem intencionadas que dedicam suas vidas em prol do impacto positivo.
Mas isso já é uma reflexão que rende horas de filosofia alcoólica e que já fez eu me estender demais. Quem sabe trazemos esse assunto pra pauta numa próxima aula.


REENCONTROS

Uma das coisas mais legais do Friends of Tomorrow são as Master Classes e a oportunidade de rever grandes amigos e conhecidos de outras cidades e até do ano passado (meu caso).
Tive a felicidade de rever um grande amigo que eu admiro à exaustão: o Gustavo Nogueira, que chegou a participar da elaboração do Friends of Tomorrow como um dos cabeças da Aerolito e hoje toca seu próprio projeto à frente do Fractal, um sucesso de crítica e público em vários estados do país.

Grandes amizades que só o FoT é capaz de proporcionar!

A história do Gus é tão bacana que eu já contei várias vezes e até merece um parágrafo: ele veio de Belém-PA para morar em São Paulo, depois desceu mais um pouco e foi parar no Rio Grande do Sul. Em 2015, ele era "só mais um" colega na turma do Tomorrow. Pagou e fez o curso como um aluno qualquer. Mas ele se destacou tanto e chamou tanto a atenção da galera que, ainda no ano passado, passou a fazer parte da equipe da Aerolito e se tornou um dos curadores do Tomorrow, junto ao Tiago, ao Santi, ao Igor e ao Yago. Confesso que me bateu um puta orgulho vê-lo no papel de condutor do curso na Master Class de abril. Mas ele não parou por aí e já alçou voos ainda maiores! Agora ele tem seu próprio curso chancelado pela Perestroika e tá arrasando! Tudo isso num intervalo de 18 meses. Sabe-se lá o que o futuro espera pra essa fera que eu tenho orgulho de chamar de amigo, enquanto ele ainda souber quem sou eu.


MASTER CLASS COM FÁBIO GANDOUR

A quinta-feira terminou com uma Master Class ministrada pelo cientista chefe da IBM, Fábio Gandour. Depois, fomos todos encher a cara pelas ruas de São Paulo.

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